Mostrando postagens com marcador Mercosul. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Mercosul. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 17 de maio de 2016

Aliança do Pacífico vs Mercosul: Taxa de Investimento

Na primeira comparação entre os países da Aliança do Pacífico e do Mercosul vimos que os países da Aliança do Pacífico tiveram maiores taxas de crescimento (link aqui). Na segunda comparação vimos que os países do Mercosul estão mais endividados (link aqui). Nesse post a variável em foco será a taxa de investimento. Muitos países fazem políticas econômicas voltadas para aumentar a taxa de investimento pois entendem, com um bocado de razão, que essa taxa é a chave para uma renda per capita mais alta no futuro. Mais investimento significa mais capital no futuro e mais capital aumenta a possibilidade de produção e a produtividade do trabalho. Aqui no Brasil, desde 2006 o governo passou a usar intensivamente bancos públicos, especialmente o BNDES, como forma de estimular o investimento (link aqui), a estratégia não deu certo e acabou sendo a principal responsável pela atual crise fiscal que estamos enfrentando. Assim como nos posts anteriores a análise exclui o Paraguai e foi feita com os dados do FMI (link aqui).

A figura abaixo mostra a relação entre taxa de investimento e PIB per capita nos países do Mercosul e nos países da Aliança do Pacífico, os países do Mercosul estão em verde e os países da Aliança do Pacífico em laranja, os anos são representados pelos símbolos nos pontos. Repare que os países da Aliança do Pacífico estão concentrados na parte acima da linha, enquanto os países do Mercosul estão mais presentes na parte abaixo da linha. Isso significa que, dado o PIB per capita, os países da Aliança do Pacífico investem mais como proporção do PIB do que os países do Mercosul. Em 2013 (bolinhas) e 2014 (triângulos) ainda aparecem países do Mercosul acima da linha, em 2015 (quadrados) e 2016 (sinais de soma) apenas países da Aliança do Pacífico aparecem acima da linha, em qualquer ano apenas países da Aliança do Pacífico aparecem com taxas de investimento superiores a 24%. Vale registrar que nenhum país da Aliança do Pacífico possui um banco de desenvolvimento do porte do BNDES, talvez existam estratégias mais eficientes (e mais baratas!) para incentivar o investimento do que usar o dinheiro dos pagadores de impostos para fazer empréstimos subsidiados a empresários amigos.




Seguindo o padrão dos posts anteriores a figura abaixo mostra o “boxplot” das distribuições da taxa de investimento nos dois países. A diferença é ainda mais marcante do que no caso da dívida pública. Em geral os países do Mercosul investem menos do que os países da Aliança do Pacífico.




No terceiro post da série o cenário já está ficando desolador para os países do Mercosul. Nosso grupo investe menos, está mais endividado e cresce menos que os países da Aliança do Pacífico. Fica cada vez mais claro que escolhemos políticas ruins para a economia, se serve algum consolo podemos sempre trocar tais políticas.



segunda-feira, 16 de maio de 2016

Aliança do Pacífico vs Mercosul: Dívida/PIB

No post anterior comecei uma série de comparações entre o desempenho econômico dos países do Mercosul e dos países da Aliança do Pacífico. A primeira comparação teve como foco o crescimento (link aqui), vimos que os países da Aliança do Pacífico cresceram mais que os países do Mercosul e que a diferença de desempenho aumentou com o passar do tempo. Neste post a comparação terá como foco as finanças públicas, especificamente a dívida bruta como proporção do PIB. Assim como no post anterior o Paraguai será excluído da amostra, os dados novamente são do FMI (link aqui).

A figura abaixo mostra a relação entre a razão dívida/PI e o PIB per capita para os países dos dois grupos entre 2013 e 2016. Repare que os países do Mercosul (verde) estão concentrados acima da linha enquanto os países da Aliança do Pacífico (laranja) dominam a parte do gráfico que está abaixo da linha, ou seja, dado o PIB per capita, os países do Mercosul tendem a ser mais endividados do que os países da Aliança do Pacífico. De fato, os países do Mercosul aparecem abaixo da linha apenas três vezes: Argentina em 2013 e 2014 e a Venezuela em 2016. O caso da Argentina é curioso, o país deu calote na dívida em 2001, na sequência de crises políticas e econômicas do período (o país teve três presidentes entre 2001 e 2003) a dívida chegou a 137,7% do PIB em 2002. Depois com a chegada de Nestor Kirchner e a estabilização da economia e da política a dívida entrou em trajetória de queda chegando a 37,6% do PIB em 2012. Como costuma ser o caso em governos populistas o aparente sucesso econômico tem pernas curtas e em 2015 a dívida já estava em 56,5% do PIB em 2015 e é prevista terminar o ano d 2016 em 60,7%, maior que a de qualquer país da Aliança do Pacífico. No caso da Venezuela a queda da dívida está relacionada ao caos econômico que na prática equivale a um calote da dívida pública, inclusive por conta da inflação descontrolada. Também é válido registrar que de todos os países analisados apenas o Brasil aparece com relação dívida/PIB superior a 70% (lembre-se que estou usando dados do FMI), mais uma evidência que temos um sério problema fiscal (mais sobre o assunto aqui).




A análise por meio do “boxplot” confirma a impressão que os países do Mercosul estão mais endividados que os da Aliança do Pacífico. Na figura abaixo é possível reparar que a distribuição dos países do Mercosul está “acima” da distribuição dos países da Aliança do Pacífico, ou seja, na maioria dos anos a maioria dos países do Mercosul está mais endividada que a maioria dos países da Aliança do Pacífico. O quadrado em destaque representa as médias de endividamento de cada grupo, mais uma vez é fácil ver que, em média, os países do Mercosul são mais endividados que os países da Aliança do Pacífico.




Assim como no caso do crescimento é possível enxergar os efeitos da piora do cenário externo no desempenho dos países dos dois grupos. Repare que na primeira figura as "bolinhas" (dados referentes a 2013) estão mais baixas que os "sinais de soma" (dados referentes a 2016), ou seja, existe um padrão geral de aumento da dívida pública como proporção do PIB entre 2013 e 2016. Porém, assim como no caso do crescimento, é possível observar que os países do Mercosul tiveram um desempenho pior do que o dos países da Aliança do Pacífico. Considerando os dois posts com comparações entre os grupos podemos ver que os países da Aliança do Pacífico cresceram mais e estão menos endividados do que os países do Mercosul, confesso que não estou nem um pouco surpreso.



quinta-feira, 5 de maio de 2016

Aliança do Pacífico vs Mercosul: Crescimento

Em 2013 a revista The Economist fez uma reportagem intitulada “A continental divide” (link aqui) onde comentava a divisão da América Latina em dois grupos: Aliança do Pacífico e Mercosul. O primeiro grupo liderado por Chile, Colômbia, México e Peru apostava em políticas econômicas mais direcionadas ao livre mercado e ao comércio internacional. O segundo grupo formado por Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Venezuela apostava em políticas intervencionistas e no comércio regional ou orientado a grupos específicos de países. Hoje começo uma série de posts a respeito do desempenho dos países de cada grupo de lá para cá. Como o Paraguai foi suspenso do Mercosul por um tempo e a partir daí seguiu políticas diferentes dos outros países do grupo resolvi excluir o país da amostra. A primeira variável a ser analisada será crescimento econômico.

A figura abaixo mostra a relação entre crescimento e PIB per capita para os países dos dois grupos entre 2013 e 2016 (valores previstos) de acordo com o World Economic Outlook do FMI (link aqui). Observe que os países da Aliança do Pacífico (laranja) estão concentrados acima da linha, ou seja, apresentaram crescimento maior do que o esperado considerando apenas a renda per capita, e os países do Mercosul (verde) estão concentrados abaixo da linha. Mais interessante é olhar o movimento com o passar do tempo. Em 2013 é possível observar que os quatro países do Mercosul estão acima da linha (bolas verdes), como o mesmo vale para os países da Aliança do Pacífico a conclusão é que o ano de 2013 foi bom para os países dos dois grupos, o que não é surpresa. A medida que o tempo de bonança vai acabando torna-se possível observar que os países do Mercosul vão apresentando um desempenho pior do que os da Aliança do Pacífico. Em 2014 apenas um país do Mercosul, o Uruguai, estava acima da linha (triangulo verde). Em 2015 e nas previsões para 2016 todos os países do Mercosul estão abaixo da linha. Repare também que a partir de 2015 alguns países do Mercosul começam a apresentar taxas de crescimento negativas enquanto que nenhum dos países da Aliança do Pacífico apresenta crescimento negativo.




Uma outra forma de visualizar as diferenças no crescimento dos países de cada grupo é por meio de um “boxplot”, um gráfico onde estão descritas as distribuições de crescimento de cada grupo com destaque para a mediana e os quartis. A figura abaixo mostra o “boxplot” da taxa de crescimento nos dois grupos, a média está marcada por um quadrado. Repare que tanto a mediana (linha preta) quanto a média (quadrado preto) dos países da Aliança do Pacífico estão acima da mediana e da média dos países do Mercosul, mais ainda a “caixa” da Aliança do Pacífico está toda acima da “caixa” do Mercosul.




Não discuto que a redução nos preços das commodities afetou todos os países da América Latina, porém não se pode concluir que a sorte de cada um dos países foi determinada pelos preços da commodities. Já passa da hora dos países da América Latina pararem de procurar causas externas para os próprios problemas e começarem a procurar entender como as decisões tomadas por cada país afetou o desempenho do país. Analisar grupos de países que tomaram decisões diferentes pode ser um bom caminho para “olhar para dentro”. Foi isso que eu quis dizer na recente conferência da OCDE a respeito da América Latina e China (link aqui) quando afirmei que se não começarmos a resolver nossos problemas em alguns anos o que hoje chamamos de oportunidade vinda da China poderá se transformar em ressentimento e a China acabará se juntando a Portugal, Espanha, Inglaterra e Estados Unidos na lista dos “exploradores” culpados por nossas desgraças.