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Sobre a queda nas expectativas de crescimento e o excesso de otimismo de (quase) todo janeiro

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Em abril de 2014 fiz um post (link aqui) mostrando que o pessoal do mercado pecava por excesso de otimismo, na época o objetivo era desmistificar a tese que o mercado era pessimista e fazia terrorismo econômico. A verdade é que os números do Boletim Focus (link aqui), que resume as expectativas de mercado, mostravam o exato contrário: nos anos anteriores a 2014 o mercado estimava crescimento maior e inflação menor do que o crescimento e a inflação que de fato ocorreram.
Hoje volto ao otimismo de mercado, mas com outra perspectiva. Se em 2014 o otimismo do mercado era estranhamente percebido como pessimismo em 2019 a correção do otimismo do mercado durante o ano é vista como sinal de aprofundamento da crise. Por certo a recuperação é lenta e está ameaçada, não há questionamentos aqui, meu ponto é que a redução das expectativas de crescimento do Focus não é um bom termômetro para isso. A verdade é que normalmente as expectativas de crescimento para baixo são corrigidas para baixo duran…

Como votaram as bancadas em relação ao texto-base da reforma da previdência?

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Depois de olhar os votos por partidos e por estados (link aqui) resolvi olhar os votos por bancadas temáticas. Encontrar os deputados de cada bancada foi mais trabalhoso do que pensei, depois de algumas buscas encontrei uma página do DIAP (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar) com os deputados distribuídos por bancadas (link aqui). Peguei todas as bancadas disponíveis com exceção da “bancada dos parentes” e cruzei com os dados da votação do texto-base da previdência. O resultado está resumido na figura abaixo.



A bancada evangélica deu 90,4% dos votos para o texto-base da reforma, a bancada empresarial de 91,7%, a bancada feminina deu 67,5%, a bancada ruralista deu 91,9%, a bancada da segurança deu 94,9% e a bancada sindical deu 8,8%. Com exceção da bancada sindical todas as outras votaram em peso pela aprovação das reformas. A composição de cada bancada está na página do DIAP que citei acima. A bancada sindical é composta por trinta e cinco deputados sendo que dezenov…

Como votaram os partidos e as unidades da federação no texto-base da reforma da previdência?

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Com um número de votos maior do que o esperado o texto-base da reforma da previdência foi aprovado na Câmara em primeiro turno, enquanto escrevo os deputados discutem e votam os destaques de forma que não dá para falar sobre o texto final aprovado. De toda forma vale registrar alguns aspectos da distribuição de votos por estados e por partido bem como destacar alguns deputados que, para o bem ou para o mal, divergiram de seus partidos. Os dados foram obtidos junto ao G1 (link aqui) e excluem os votos dos deputados Bacelar (PODE-BA), General Girão (PSL-RN) e Luiz Carlos Motta (PL-SP) que lamentavelmente estavam ausentes na votação.
Comecemos pelos partidos. A figura abaixo mostra os votos por cada partido, em vermelho os votos contrários ao texto-base e em azul os votos favoráveis. O partido que deu mais votos para aprovação do texto base foi o PSL (52 votos), na sequência vieram PL (37 votos), PP (36 votos), MDB (34 votos) e PSD (34 votos).Na outra ponta PT (54 votos), PSB (21 votos)…

Uma nota a respeito da previdência dos estados

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Um dos temas mais polêmicos no atual estágio da reforma da previdência é a questão dos estados, em particular a questão é saber se os servidores dos estados devem ser incluídos nas mesmas regras dos servidores da União. Não é uma questão trivial pois coloca um conflito entre a questão fiscal e o pacto federativo, mais Brasília ou mais Brasil. Tudo fica mais grave por conta da tradição da União em socorrer estados com sérios problemas fiscais, o risco de governadores fugirem do custo político da reforma na esperança de mandar a conta para União é real. Por outro lado, incluir os estados nas regras da União por decisão do Congresso Nacional é apostar no modelo “one size fits all” onde cabe a Brasília decidir o que é bom para os estados.
Para jogar uma luz no problema busquei os dados da Instituição Fiscal Independente sobre as finanças estaduais (link aqui). Lá é possível encontrar várias informações sobre as contas dos estados, entre elas estão os gastos com pessoal ativo e inativo, o…

Outro post sobre a dívida pública...

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Com a votação da reforma da previdência ficando mais próxima começam a aparecer aqui e ali sugestões que não temos um problema com a dívida pública, via de regra a conclusão segue de uma comparação da dívida pública do Brasil com a de países ricos. Ocorre que o Brasil não é uma país rico, somos um país emergente com vários dos problemas típicos desses países. Já mostrei em outros posts que comparada com a dívida de países emergentes nossa dívida é alta, na verdade esse é um tema recorrente aqui no blog.
Como muita gente boa parece não ficar convencida resolvi mostrar o problema da dívida no Brasil de outra forma. No lugar de comparar pontos no tempo vou mostrar a dinâmica da dívida bruta como proporção do PIB nos últimos anos e as previsões feita pelo FMI para o Brasil e outros países. Para fins de comparação peguei os países classificados como Emergentes da Ásia, Emergentes da Europa, Comunidade de Países Independentes e da América Latina e Caribe, ou seja, praticamente toda a turma…

A construção de uma crise

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Cerca de 85% da construção de navios do mundo está concentrada em três países: China, Japão e Coreia do Sul. Mesmo assim um tecnocrata em Brasília resolve que por ter uma grande costa ou por ser a terra do Medina que é um grande surfista o Brasil deveria produzir navios. O sujeito leva a ideia para um político que rapidamente encontra empresários que se prontificam a tocar a empreitada. Não com dinheiro deles, é claro, com dinheiro do governo, subsídios, garantia de estatais comprando os navios e coisas do tipo. Por coincidências os empresários são grandes doadores para campanhas do partido do governo... Por certo a construção dos navios gera empregos e atrai novos investimentos. De donos de restaurantes a grandes indústrias que vão vender para os estaleiros todo mundo fica feliz e ganha dinheiro. O desemprego cai, o salário aumenta, a economia cresce. O milagre da intervenção fez seu trabalho, mas... O tempo passa e os navios produzidos, quando ficam prontos, não são páreo para navi…

Investimento é bom, mas pode ser muito perigoso.

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A queda do investimento observada nas contas nacionais relativas ao primeiro trimestre de 2019 assustou um bocado de gente. O susto tem suas razões. Queda no investimento significa redução na capacidade de produção futura e sugere que os empresários não estão confiantes com o futuro da economia. Fica pior, como a compra de novas máquinas e equipamentos é uma das maneiras mais importantes de colocar novas tecnologias no processo produtivo a falta de investimentos pode acabar por comprometer a produtividade afetando o crescimento de longo prazo. Se o leitor é daqueles que olha a macroeconomia pela demanda a queda do investimento traz uma preocupação adicional que é a queda na demanda agregada. Enfim, existem muitos bons motivos para se preocupar com a queda do investimento.
Todos os perigos acima e mais uns tantos outros foram e estão sendo discutidos em vários textos em blogs, jornais e rede sociais. Porém tem um perigo que raramente é apontado e que pode ser mais desastroso que qualq…