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Mostrando postagens de 2019

Outro post sobre a dívida pública...

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Com a votação da reforma da previdência ficando mais próxima começam a aparecer aqui e ali sugestões que não temos um problema com a dívida pública, via de regra a conclusão segue de uma comparação da dívida pública do Brasil com a de países ricos. Ocorre que o Brasil não é uma país rico, somos um país emergente com vários dos problemas típicos desses países. Já mostrei em outros posts que comparada com a dívida de países emergentes nossa dívida é alta, na verdade esse é um tema recorrente aqui no blog.
Como muita gente boa parece não ficar convencida resolvi mostrar o problema da dívida no Brasil de outra forma. No lugar de comparar pontos no tempo vou mostrar a dinâmica da dívida bruta como proporção do PIB nos últimos anos e as previsões feita pelo FMI para o Brasil e outros países. Para fins de comparação peguei os países classificados como Emergentes da Ásia, Emergentes da Europa, Comunidade de Países Independentes e da América Latina e Caribe, ou seja, praticamente toda a turma…

A construção de uma crise

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Cerca de 85% da construção de navios do mundo está concentrada em três países: China, Japão e Coreia do Sul. Mesmo assim um tecnocrata em Brasília resolve que por ter uma grande costa ou por ser a terra do Medina que é um grande surfista o Brasil deveria produzir navios. O sujeito leva a ideia para um político que rapidamente encontra empresários que se prontificam a tocar a empreitada. Não com dinheiro deles, é claro, com dinheiro do governo, subsídios, garantia de estatais comprando os navios e coisas do tipo. Por coincidências os empresários são grandes doadores para campanhas do partido do governo... Por certo a construção dos navios gera empregos e atrai novos investimentos. De donos de restaurantes a grandes indústrias que vão vender para os estaleiros todo mundo fica feliz e ganha dinheiro. O desemprego cai, o salário aumenta, a economia cresce. O milagre da intervenção fez seu trabalho, mas... O tempo passa e os navios produzidos, quando ficam prontos, não são páreo para navi…

Investimento é bom, mas pode ser muito perigoso.

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A queda do investimento observada nas contas nacionais relativas ao primeiro trimestre de 2019 assustou um bocado de gente. O susto tem suas razões. Queda no investimento significa redução na capacidade de produção futura e sugere que os empresários não estão confiantes com o futuro da economia. Fica pior, como a compra de novas máquinas e equipamentos é uma das maneiras mais importantes de colocar novas tecnologias no processo produtivo a falta de investimentos pode acabar por comprometer a produtividade afetando o crescimento de longo prazo. Se o leitor é daqueles que olha a macroeconomia pela demanda a queda do investimento traz uma preocupação adicional que é a queda na demanda agregada. Enfim, existem muitos bons motivos para se preocupar com a queda do investimento.
Todos os perigos acima e mais uns tantos outros foram e estão sendo discutidos em vários textos em blogs, jornais e rede sociais. Porém tem um perigo que raramente é apontado e que pode ser mais desastroso que qualq…

Contas Nacionais do primeiro trimestre de 2019: Qual destino nos espera?

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Hoje o IBGE divulgou as contas nacionais referentes ao primeiro trimestre de 2019 (link aqui). Na comparação com trimestre anterior houve uma queda no PIB de 0,2%, na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior houve um crescimento de 0,5%. O resultado liga o sinal de alerta em relação ao padrão de lenta recuperação que vinha sendo observado anteriormente e que pode ser substituído por um aprofundamento da crise.
Quem acompanha o blog sabe que considero a recuperação lenta o caminho mais seguro para que o Brasil volte a crescer sem esbarrar em novas crises no futuro próximo. A verdade é que durante quase uma década, mais ou menos de 2006 a 2014, o uso indiscriminado de políticas de estímulo induziu investimentos errados, ou seja, investimentos para produzir o que não era desejado e/ou para produzir de forma ineficiente o que era desejado. Sair da crise de forma consistente envolve depreciar o investimento errado que seria substituído por investimentos corretos, esse é um proces…

Uma olhada no ranking da Times Higher Education de melhores universidades do mundo

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Enquanto justificava o cortes, digo contingenciamentos, nos orçamentos das universidades federais o presidente Jair Bolosnaro afirmou que não temos universidades entre as 250 melhores do mundo (link aqui). Pelo ranking da Times Higher Education (link aqui) a afirmação é verdadeira, de fato a universidade melhor classificada é a USP que aparece na faixa de 250 a 300. A afirmação também não é exatamente uma novidade, embora não seja o único do tipo trata-se de um ranking bem conhecido. O que me causou alguma estranheza foi colocar a afirmação no meio das justificativas para o contingenciamento. Não me entendam mal, existem vários problemas sérios de gestão, de financiamento e de incentivos que precisam ser superados, exatamente por conhecer bem esses problemas e por ter uma ideia da distribuição das melhores universidades pelo mundo que vejo a colocação da USP como uma surpresa positiva e não como algo a ser criticado.
Não esperem encontrar aqui uma crítica ao contingenciamento, como …

Impactos na economia da transição para um regime de capitalização

Hoje foi noticiado que o governo classificou como sigilosos os estudos que dão suporte aos números da reforma da previdência (link aqui), é um erro grave. Por certo existem vários motivos relacionados à transparência e a questões políticas para justificar a gravidade do erro, mas não são esses os pontos que vou tratar nesse post. Da mesma forma não vou entrar em impactos marginais de determinados parâmetros ou mesmo nas questões distributivas da reforma, tenho certeza que outros farão questionamentos melhores que os meus durante a semana. Vou tratar de uma questão que me incomoda desde o começo: a transição para o regime de capitalização.
Em várias oportunidades Paulo Guedes falou que pretende economizar um trilhão com a reforma e que esse trilhão será usado para financiar a transição para um regime de capitalização. No regime de capitalização cada um contribui para sua própria conta e recebe uma aposentadoria compatível com o que contribuiu durante o tempo que trabalhou mais os juro…

Projeções do FMI para dívida pública no Brasil e em países da América Latina

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O FMI divulgou a nova versão de sua base de dados com projeções até 2024 (link aqui). É uma boa oportunidade para dar uma olhada no que o FMI projeta para o Brasil e outros países, vou começar pela dívida pública e em outros posts falo de outras variáveis. Sei que alguns colegas de profissão gostam de comparar a dívida pública do Brasil com a de países ricos como se fizesse algum sentido comparar dívida de pobres, vá lá, emergentes, com dívida de ricos. Já tratei da questão de comparar nossa dívida com a de países ricos em outros posts (quem se interessar pode checar aqui, aqui e aqui), nesse post vou me limitar a comparar a dívida pública como proporção do PIB no Brasil e outros países da América Latina.
Para não ficar com gráficos de difícil leitura vou fazer as comparações em grupos de três, Brasil e mais dois. Para começar vou pegar o Chile, que é a referência de país ajustado do continente, e o México que é um país grande, com mais cem milhões de habitantes e que guarda algumas …

Já passa da hora do BNDES pagar o que deve ao Tesouro

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Hoje o Estadão fez uma reportagem a respeito do início de uma tensão entre Joaquim Levy, presidente do BNDES, e Paulo Guedes por conta da devolução de recursos do Tesouro que estão no banco. (link aqui). Não é algo inesperado, a resistência às devoluções do BNDES para o Tesouro são fortes e possuem diversas origens. Grandes empresários, clientes do banco e financiadores de campanha, reclamam porque o BNDES terá menos recursos para emprestar; congressistas reclamam porque querem projetos financiados pelo banco em seus redutos eleitorais; governadores e prefeitos reclamam porque querem obras financiadas em seus estados e municípios; os técnicos do banco reclamam porque quanto mais empréstimo maiores poderão ser os bônus recebidos e por aí vai.
É natural que o presidente do banco acabe ficando preso entre o correto desejo do ministro da Economia de recuperar o dinheiro e tantas pressões para manter o dinheiro no banco. Nem todo mundo tem a disposição da Maria Silvia Bastos Marques, que…