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Mostrando postagens de Maio, 2018

Desempenho da economia durante o regime militar: o que dizem os dados?

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Um dos fenômenos revelados pela greve dos caminhoneiros foi a força dos movimentos que pedem uma intervenção militar. O que nas manifestações de 2015 e 2016 parecia o desejo de uma minoria excêntrica e inexpressiva tomou ares ameaçadores nas manifestações dos caminhoneiros. O sinal de alerta disparou com a declaração de José da Fonseca Lopes, presidente da Associação Brasileira do Caminhoneiros (Abcam), repercutida por vários órgãos de imprensa (link aqui). Segundo José da Fonseca Lopes:
“Não é o caminhoneiro mais que está fazendo greve. Tem um grupo muito forte de intervencionistas aí e eu vi isso aqui em Brasília, e eles estão prendendo caminhão em tudo que é lugar. [...] São pessoas que querem derrubar o governo. Não tenho nada a ver com essas pessoas nem os nossos caminhoneiros autônomos têm. Mas estão sendo usados para isso.”
No mesmo dia que levou ao ar essa declaração o Jornal Nacional mostrou imagens de concentração de caminhões onde era possível ler pedidos por uma intervenç…

A resposta do governo à greve dos caminhoneiros não foi ruim, foi muito pior.

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Em junho do ano passado o blog Estado da Arte no Estadão publicou um texto meu cujo o título era: “Temer no Planalto é retrocesso na agenda de reformas” (link aqui), no texto escrevi:

“A permanência de Temer no governo pode até ajudar com algumas reformas, particularmente a trabalhista, mas definitivamente vai na contramão da melhora do ambiente institucional que tanto precisamos.”
O que na época foi escrito por conta das revelações do áudio de uma conversa de Joesley Batista com Temer que deveria ter sido suficiente para tirar Temer do Planalto, nesta semana se mostrou mais real do que eu poderia imaginar. Para ficar no poder Temer fez uma série de concessões que colocaram o Brasil na contramão das reformas. É verdade que em outros fronts a equipe técnica do governo buscava avançar nas reformas, melhor exemplo disso foi a substituição da TJLP pela TLP em 2017. O governo Temer que parecia abraçar de todo a agenda reformista passou a se dividir entre um núcleo político disposto a todo t…

Comportamento do preço da gasolina e do óleo diesel desde 2001.

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Como forma de entender melhor o que está acontecendo com os preços dos combustíveis resolvi dar uma olhada na série histórica de preços da gasolina comum e do óleo diesel. Os dados estão disponíveis na página da ANP (link aqui) em duas planilhas: a primeira com o período de julho de 2001 a dezembro de 2012 e a segunda com dados de janeiro de 2013 até abril deste ano. Trabalhei com o preço médio de revenda deflacionado pelo IPCA. O resultado está na figura abaixo.



O primeiro fato que destaco é que nem a gasolina comum nem o óleo diesel estão com maiores preços da série. O maior preço da gasolina comum ocorreu em fevereiro de 2003 e equivale a R$ 5,21 por litro em valores de hoje, o maior preço do óleo diesel ocorreu em outubro de 2005 e equivale a R$ 3,72 em valores de hoje. Outro ponto importante é que o preço da gasolina comum termina a série abaixo do preço médio do período, R$ 4,22 em abril deste ano contra um valor médio de R$ 4,25 no período, como o preço subiu em maio é razoáve…

Parece que o aumento na taxa de juros dos EUA chegou. E agora?

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Ao que parece o aumento da taxa de juros nos EUA dessa vez chegou mesmo. Não se trata de um evento inesperado, longe disso, desde muito sabemos que as taxas de juros americanas estavam muito baixas e que deveria subir. A figura abaixo mostra a taxa de juros dos títulos do Tesouro americano de um ano e de dez anos entre dois de janeiro de 1962 e dezessete de maio de 2018, foi a série mais longa que encontrei.



Nesses mais de cinquenta anos é possível perceber que as duas taxas andam juntas, mas que de tempos em tempos a taxa dos títulos de curto prazo, um ano, fica abaixo da taxa do título de longo prazo, dez anos. No século XXI é possível observar dois desses deslocamentos. O primeiro ocorreu depois da crise das “ponto-com” no começo do século quando estourou a bolha das empresas de alta tecnologia, na sequência dessa crise a taxa de juros dos títulos de curto prazo ficou abaixo da taxa dos títulos de longo prazo por um longo período. O ajuste aconteceu em meados da década passada, ma…

Mais uma vez nado contra a corrente: Por que acredito já ser hora de parar com a redução de juros?

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A decisão do Copom e manter a taxa de juros em 6,5% ao ano causou alvoroço entre analistas econômicos. Uma entrevista de Ilan Goldfajn na semana anterior a reunião do Copom onde o presidente do BC deu a entender que haveria uma redução dos juros aumentou a confusão. Poucos devem discordar que presidentes de bancos centrais devem tomar cuidado com o que falam, um mal-entendido pode custar caro e pessoas que perdem dinheiro costumam ficar irritadas. Da minha parte, neurótico que sou com inflação, entendo que a declaração de Ilan Goldfajn visava preparar o mercado para a manutenção dos juros, a diferença entre minha percepção e a de vários colegas talvez seja que, ao contrário deles, eu estava esperando um aumento na taxa de juros. Vou além, acredito que se o BC errou ontem foi por excesso de ousadia.
A principal função de um banco central é manter a inflação controlada, isso é (ou deveria ser) mais forte no Brasil onde o BC trabalha com regime de metas de inflação. De acordo com o Bole…

Valorização da Petrobras: preço do petróleo e mudanças na gestão.

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Esta semana foi registrado que a Petrobras ultrapassou a AMBEV e voltou a ser a empresa mais valiosa na Bolsa de Valores de São Paulo. Reportagem do UOL (link aqui) mostra que o valor da Petrobras chegou a R$ 358,9 bilhões, deixando para trás a AMBEV (R$ 342,6 bilhões) e se afastando ainda mais do Itaú Unibanco (R$ 295,6 bilhões), Vale (R$ 267,6 bilhões) e Bradesco (R$ 217 bilhões). Muita gente creditou a valorização da Petrobras a gestão de Pedro Parente, alguns foram além e viram a notícia como sinal que a Petrobras está recuperada.
A análise que segue reforça a tese que a gestão de Pedro Parente foi fundamental para o processo de recuperação da Petrobras, por justiça creio que devo registrar que, a despeito de outras questões, as mudanças começaram ainda na gestão de Ademir Bendine, porém, ao contrário de Parente, Bendine sofreu com restrições impostas pela agenda política/ideológica do governo Dilma. Basta uma olhada nos jornais da época para ver os esforços de Bendine para fazer…

O que está acontecendo na Argentina?

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Esta semana a Argentina chamou atenção por conta das variações bruscas na taxa de câmbio, de fato, no dia dois de maio era possível comprar um dólar com cerca de 20,5 pesos argentinos, no dia seguinte a taxa de câmbio bateu em um pico de 22,5, ou seja, de um dia para outro o peso argentino perdeu quase 10% de seu valor em dólares. O Banco Central da Argentina elevou a taxa de juros básica para 40% ao ano e o dólar fechou a semana abaixo de 22 pesos. O que está acontecendo na Argentina?
Para contar a história é preciso voltar um pouco no tempo. Mauricio Macri tomou posse como presidente da Argentina em novembro de 2015 prometendo uma guinada em relação as políticas populistas de inclinação bolivariana implementadas por Cristina Kirchner. O “kirchnerismo” governou a Argentina entre 2003 e 2015, o sucesso dos primeiros anos se transformaram em desastre em um padrão não muito diferente de outros países da América Latina. Em 2014 o PIB da Argentina encolheu 2,5% e a inflação estava acima …