Postagens

Mostrando postagens de Março, 2018

A participação da renda do trabalho no Brasil é baixa?

Imagem
É comum escutarmos que o Brasil é o país dos rentistas, a frase costuma ser justificada pela impressão que grande parte da renda nacional vai para investidores do mercado financeiro ficando apenas uma pequena parte para os donos do dito capital produtivo e uma parte ainda menor para os trabalhadores. O objetivo desse post é avaliar se a parte da renda que vai para o trabalho no Brasil é de fato muito baixa quando comparada a de outros países.
Para saber se a renda do trabalho no Brasil é muito baixa serão usados os dados da Penn World Table (link aqui), uma base de dados que cobre 182 países com informações para o período de 1950 a 2014 e informa a participação da renda do trabalho no PIB dos países. Para fins de análise serão considerados os países que possuíam mais de vinte milhões de habitantes em 1995. Antes de mostrar os números é importante registrar que o cálculo da participação da renda do trabalho na renda total não é algo trivial, fatores como informalidade, forte presença …

A história do pato

Imagem
Dois anos da manifestação que deu início a caminhada que levou ao impeachment de Dilma. Muitas histórias já foram e ainda serão contadas dessa e das manifestações que vieram nos meses seguintes. Uma das que mais gosto é a história do pato, ele não estava na manifestação de 13 de março de 2015, chegou depois, bem depois. Aliás, o pato não foi o único, muitos dos que depois se juntaram à causa do impeachment não estavam nas manifestações do dia 13/03, alguns chegaram a garantir que não daria em nada e o melhor a fazer era se conformar com Dilma, outros chegaram a fazer graça, mas essas são outras histórias.
O pato não teve a importância no Pixuleco, nem perto, mas teve sua graça, mais pelos desenrolar dos fatos do que pela participação dele nas manifestações. O pato simbolizava uma campanha da FIESP que dizia que não pagaria a conta. Que conta? Aqui que a história do pato fica interessante e ganha potencial de suplantar o Pixuleco no longo prazo. A referida conta era, em grande parte, de…

Proteção e tarifas nos EUA e no Brasil: Como estão as tarifas de cada país em relação as tarifas de países semelhantes?

Imagem
O jornal Washington Post fez um texto interessante para questionar afirmações de Peter Navarro, assessor de Trump, dizendo que os EUA possuem as menores tarifas do mundo (link aqui). A conclusão do jornal é que as tarifas nos Estados Unidos estão entre as mais baixas, mas que dizer que são as mais baixas do mundo é ir muito longe. Resolvi pegar carona no artigo e olhar com mais cuidados os dados de tarifa do Banco Mundial e ver onde se enquadra os Estados Unidos. O artigo do Washington Post cita os dados que vou usar, mas a análise deles é centrada nos dados da Organização Mundial do Comércio que incluem barreiras não tarifárias. Além de divertido o exercício ilustra mais uma vez os perigos de comparar países ricos com países emergentes.
A medida de tarifa usada no post será a média ponderada das tarifas aplicadas por cada país no período que vai de 2011 a 2015, a ponderação é feita pela quantidade importada de cada produto. Comecemos comparando os Estados Unidos com a OCDE e grupos …

Dados do PIB para 2017: É caminhando que se vai ao longe?

Imagem
Hoje saiu o resultado do PIB de 2017, segundo o IBGE (link aqui) o PIB cresceu 1% depois de dois anos consecutivos de queda. A pergunta é se o resultado foi bom, minha resposta é que foi, mas não é uma resposta segura. Não digo isso apenas porque depois de cair por dois anos seguidos qualquer crescimento é bom, o que poderia ser um argumento, digo porque os números parecem mostrar uma recuperação consistente, o que é muito diferente de uma recuperação rápida. Desde que o Brasil decidiu reviver a década de 70, lá por meados da década passada, tento alertar dos riscos da experiência. O Brasil não é e não quer ser China de forma que não deve esperar um crescimento chinês. Nesse sentido estaria mais preocupado com um crescimento de 5% do que estou com o crescimento de 1%.
Os números apontam para a recuperação. Se o leitor for ver os dados do IBGE vai encontrar uma série de medidas de variação do PIB, nas figuras desse post vou usar apenas as taxas de crescimento acumuladas em quatro trim…