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quarta-feira, 24 de junho de 2020

Nova rodada de previsões do FMI: o quadro piorou.

O FMI atualizou a previsão de crescimento para 30 países (link aqui). Nas novas estimativas a economia do Brasil deve encolher 9,1% em 2020, em abril a previsão era de uma queda de 5,3%. A piora na previsão não é exclusividade do Brasil, dos países da amostra apenas Austrália, Paquistão e Egito tiveram aumento na previsão de crescimento. Em abril de 2020 a média das taxas dos países da amostra era de- 4,2%, em junho essa mesma média passou para -6,2%, a mediana caiu de -5,4 para -6,3. Em abril a maior queda era prevista para a Itália, 9,1%, em junho a Espanha se juntou à Itália no posto de maior queda, -12,8%, a França, com queda prevista de 12,5%, aparece em terceiro lugar.

 

A figura abaixo mostra as taxas de crescimento previstas com destaque para alguns países. quanto mais para esquerda o país aparecer na figura, maior a queda do PIB. Além dos três já citados, México, 10,5%, Reino Unido, 10,2%, e Argentina, 9,9%, devem ter quedas de PIB maiores que o Brasil. Apenas no Egito, 2%, e na China, 1%, o FMI prevê crescimento da economia.

  

A piora do quadro geral fica clara quando comparamos as previsões de abril com as de junho. A maior queda de previsão aconteceu na Índia, 6,4%, na sequência aparecem França, 5,3%, e Espanha, 4,8%. Dos trinta países da amostra em sete a queda na previsão de crescimento foi maior do no que no Brasil, nesse grupo estão Argentina e México. A figura abaixo mostra a distribuição das diferenças entre as previsões de junho e abril.

 

 

Nos dois critérios avaliados no post, previsão de queda e variação na previsão de queda, o Brasil está mal na foto, nas duas medidas estamos no terço com pior desempenho. Por outro lado, entre os países da América Latina da amostra o Brasil tem o melhor desempenho, se isso é por conta do reduzido número de países latino-americanos na amostra ou porque os efeitos da pandemia serão mais graves nas economias de nuestra America é coisa que não sei dizer.

 


quinta-feira, 16 de abril de 2020

Avaliação do impacto da Covid-19 no crescimento esperado a partir das estimativas do FMI em outubro de 2019 e abril de 2020


Com a divulgação dos dados do Outlook do FMI (ver aqui) é possível ter uma visão mais ampla das estimativas de impacto da Covid-19 no crescimento dos diversos países. Para fazer esse post considerei todos os países com mais de dez milhões de habitantes e com previsão para crescimento em 2020 na base de dados de outubro de 2019 e na base de dados de abril de 2020, foram 87 países.  A diferença entre a previsão de crescimento em outubro de 2019 e abril de 2020 é o que vou chamar de impacto da Covid-19 na estimativa de crescimento.

A figura abaixo mostra e compara o impacto da pandemia no Brasil e em outros países selecionados com o impacto em todos os países da amostra. No eixo horizontal está o impacto em cada país, o eixo vertical mostra quantos países sofrerão um impacto maior que o do país. Por exemplo, em outubro de 2019 a estimativa de crescimento para Argentina era de -1,281%, em abril de 2020 essa estimativa caiu para -5,719, o impacto da Covid-19 na estimativa de crescimento da Argentina é de -5,719 - (-1,281) = -4,438 e 75,9% dos países sofrerão um impacto maior do que a Argentina.



Como mostra a figura o impacto no Brasil será menor que no Chile, México, EUA e Alemanha, porém maior que na Bolívia, Equador e Colômbia. De forma mais precisa, o impacto no Brasil será de -7,342 e 32% dos países da amostra sofrerão um impacto maior que o Brasil, ou seja, se as estimativas do FMI estiverem corretas vamos sofrer um impacto significativo.




A previsão para o Brasil é de queda de 5,3% do PIB, é uma queda forte mesmo considerando nossa renda per capita em 2019. A figura abaixo mostra a relação entre PIB per capita e crescimento previsto para 2020 destacando os mesmos países da figura anterior e os grupos de países conforme classificação do FMI. Repare que a queda no PIB será mais acentuada nos países avançados. O grupo com melhor desempenho é a África subsaariana, 17 dos 27 países com previsão de crescimento em 2020 pertencem a esse grupo.




A próxima figura mostra o crescimento previsto em abril de 2020 em comparação ao crescimento previsto em outubro de 2019. Em todos os países o crescimento previsto em 2020 e menor que o previsto em 2019, isso deixa claro o impacto global da Covid-19. A reta de regressão está na figura apenas para ajudar na visualização, uma reta de 45º, mais adequada para esse tipo figura, só causaria distorções pois passaria muito acima de todos os pontos.

A avaliação do impacto por grupos de países confirma que os países avançados serão os mais atingidos. Tomando a média dos países de cada grupo, nos países avançados o crescimento de 2020 previsto em abril deste ano ficou 8,3% menor que o previsto em outubro do ano passado. Na África subsaariana a queda estimada foi de 4,6%, na América Latina e Caribe, a nuestra America, a queda foi de 6,5%. A figura abaixo mostra o impacto da Covid-19 em todos os grupos de países.




Considerando apenas os países que ficaram na amostra, as estimativas do FMI apontam que o impacto do coronavírus no Brasil vai ser menor do que no Peru, no México e no Chile. O menor impacto corre na Argentina, talvez por ser o único país do grupo onde havia previsão de queda do PIB já em 2019.




Em termos de previsão de crescimento para 2020 a maior queda deve ser no México, seguido de Equador e Argentina, logo após vem o Brasil. A menor queda está prevista para acontecer na República Dominicana. Dos países da América do Sul que estão na amostra a menor queda deve ser na Colômbia.




O balanço geral da comparação das estimativas de crescimento é desolador. A média de crescimento dos 87 países da amostra que era de 3,6% em outubro de 2019 virou uma queda de 2,6% em abril de 2020, a mediana foi de 3,1% para -3%. Nas previsões de 2019 apenas o Sudão (-1,5%) e a Argentina (1-,3%) teriam queda no PIB em 2020, agora a previsão é que 60 países terão queda no PIB. As maiores quedas estão previstas para Grécia, 10%, Itália, 9,1%, Portugal e Espanha, ambos com 8%.

Se serve de consolo registro que a incerteza é tão grande que mesmo previsões de instituições renomadas como o FMI devem ser olhadas com muita cautela, há uma enorme margem para erros. O problema é que não temos a menor ideia se os erros são para mais ou para menos;