Em 2005 deveria ter começado a Área de Livre Comércio das
Américas (ALCA), deveria, mas não aconteceu. Um grupo de países barrou a ALCA
alegando que o acordo destruiria as indústrias locais, o Brasil teve destaque
nesse grupo. Na ocasião a FIESP lançou um estudo mostrando as perdas que
teríamos com a ALCA, também não faltaram especialistas apontando como o Tratado
Norte-Americano de Livre Comércio (NAFTA) havia destruído a indústria mexicana
e que a ALCA faria o mesmo com a nossa. O gráfico abaixo mostra a produção
manufatureira como proporção do PIB no Brasil e no México desde 2005, como
podemos ver mais de dez anos depois é bem provável que nossa indústria
estivesse feliz tendo o desempenho da indústria mexicana.
Da onde tiraram a ideia que o NAFTA destruiu a indústria do
México? Para responder a pergunta basta olhar o mesmo gráfico começando em
1995, logo após a entrada em vigor do NAFTA a produção manufatureira do México
subiu em relação ao PIB, a subida teve folego curto, de forma que entre 1998 e
2005 foi observada uma queda consistente na produção industrial mexicana. Tal
queda poderia ter sido causada por vários motivos, mas os “combatentes do
império” na época preferiram colocar a culpa no NAFTA. Mais dez anos se
passaram e a manufatura mexicana se estabilizou em torno de 17% do PIB, a nossa
está em 11% e caindo.
Cuidado ao leitor apressado, os gráficos acima não permitem
concluir que a indústria mexicana se beneficiou do NAFTA nem que a queda na indústria
brasileira teria sido evitada com a ALCA, longe disso, os gráficos acima apenas
mostram que os que tentavam nos assustar com o exemplo do México poderiam ter
sido mais cuidadosos. Não vou cometer o mesmo erro.
P.S. Os dados são do Banco Mundial e foram obtidos por meio do Quandl (link aqui).



