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terça-feira, 12 de outubro de 2021

Inflação no Brasil e nos países do G20

Resolvi dar outra olhada na inflação pelo mundo, os dados estão no Trading Economics (link aqui). Na grande maioria dos países a inflação acumulada em 12 meses está abaixo de 10%. Nas Américas, apenas Venezuela, 2.720%, Suriname, 59,8%, Argentina, 51,4%, Haiti, 12,2%, e Brasil, 10,25%, estão com inflação acima de 10% no acumulado de 12 meses. No México a inflação acumulada em 12 meses é de 6%, na Colômbia, aqui do lado, é de 4,51%, no Chile está em 5,3%. Não vou falar da Bolívia com 0,18%, até agosto, e do Equador com 1,07% para não me acusarem de chutar na canela.

A figura abaixo mostra a inflação acumulada em 12 meses nos países do G20. A maioria dos dados são referentes a setembro de 21, alguns outros são de agosto e apenas a Austrália é junho. Apenas Argentina, Turquia e Brasil estão com inflação acima de 10%.


 A inflação no Brasil já passou de 10% no acumulado de 12 meses outras vezes. O pior caso desde a estabilização foi de 17,3% em maio de 2003, o mais recente foi 10,4% em fevereiro de 2016. Nas duas vezes o Banco Central retomou o controle e a inflação voltou para o intervalo da meta, da última vez voltou bem rápido. É verdade que nos dois casos uma mudança de governo deu “vida nova” ao BC e isso pode ter facilitado a controle da inflação. Nada indica que vamos ter mudança de governo nos próximos meses e esperar até uma possível mudança em 2023 pode ser uma espera muito longa.

A boa notícia é que o atual BC parece ainda ter a confiança do mercado e tem gente de qualidade para correr atrás do prejuízo. A má notícia é que as eleições no próximo ano podem aumentar a pressão para aliviar o ajuste dos juros. Talvez seja a hora de descobrir se a autonomia do Banco Central vai dizer a que veio. Um perigo que me deixa particularmente preocupado é alguém sacar a obrigação de perseguir o pleno emprego, cavalo de Tróia na lei da autonomia do BC, para tentar intimidar o Copom.

terça-feira, 10 de agosto de 2021

Inflação no Brasil comparada com a dos países do G20 e das Américas

A inflação no Brasil está alta. Pelos padrões definidos pelo Conselho Monetário Nacional a inflação medida pelo IPCA deveria ser 3,75% com tolerância até 5,25%, a inflação acumulada em 12 meses até julho deste ano é 8,99% e a previsão de inflação pelo pessoal do mercado está em 6,88%. Por qualquer critério é justo dizer que o BC não está conseguindo cumprir com a obrigação em relação ao controle da inflação.

Não é só no Brasil que a inflação está alta, nos EUA a inflação está em 5,4%, bem mais alta do que os 2% em média, não necessariamente no ano, prevista após a flexibilização do regime de metas em agosto de 2020. No resto do mundo, porém, encontramos países com valores mais baixos. De acordo com o site Trading Economics (link aqui) na Zona do Euro a inflação está em 2,2%, na China 1% e mesmo na Rússia está 6,46%, consideravelmente menor que os 8,99% do Brasil.

A figura abaixo mostra a inflação nos países do G20, o último dado é referente a junho ou julho de 2021. Apenas na Argentina. 52,2%, e na Turquia, 18,95%, a inflação está maior do que no Brasil. Mesmo com a Argentina puxando para cima a média das inflações dos países do G20 é de 6,01%, a mediana é 3%, a inflação por aqui está bem acima da média e muito acima da mediana. Aparentemente, mesmo que existam efeitos internacionais, não é razoável descartar os efeitos internos como, por exemplo, o BC ter reduzido demais os juros e segurado os juros baixos por muito tempo ou as aventuras fiscais do governo Bolsonaro.


 Caso o leitor esteja incomodado com o G20 ser usado como grupo de referência refiz a figura com os países das Américas, deixei de fora a Venezuela, por motivos, óbvios, e os países com último dado anterior a maio de 2021. Além da Argentina, apenas Suriname, 43,63%, Haiti, 12,7%, e República Dominicana, 9,32%, estão com mais inflação do que o Brasil. Mais uma vez, mesmo com Argentina e Suriname puxando para cima, a inflação do Brasil ficou acima da média dos países da América que estão na amostra, 7,41%. Também ficou acima da mediana que foi 3,94%.

 

Olhar para ouros países sugere que existe um componente interno na perda de controle da inflação no Brasil. Mal comparando, a situação lembra a que aconteceu em 2014/15 quando apontavam uma crise internacional para justificar o fraco desempenho da economia, mas os outros países cresciam bem mais do que o Brasil. É claro que desta vez existe uma crise internacional que explica, por exemplo, a queda do PIB em 2020, mas quem quer mandar a conta da inflação para o resto do mundo precisa explicar porque nossa inflação é tão mais alta do que a da maioria dos países do G20 e das Américas.

 

domingo, 5 de abril de 2020

The Economist e o impacto da Covid-19 nas economias dos países do G20.


Enquanto não soubermos a duração das medidas de isolamento que estão sendo tomadas para reduzir a velocidade de contágio da Covid-19 não será possível obter estimativas confiáveis do estrago que esta pandemia vai causar nas economias de todos os países do mundo. A relação é direita, se, por milagre, amanhã aparecer um remédio barato e de fácil acesso capaz de curar e imunizar a todos, então as empresas retomarão as atividades e as pessoas voltarão a comprar. Neste caso os empregos que ainda não foram destruídos serão retomados e o estrago causado pelo coronavírus não será tão grande. Porém, se até setembro ou outubro não aparecer uma cura ou uma vacina e tivermos de sair do isolamento, mesmo que parcial, no desespero e sem confiança para comprar ou investir o estrago será enorme. No meio do caminho existem várias possibilidades, casa uma com impacto diferente na economia.

Mesmo com tanta incerteza a unidade de inteligência da revista The Economist resolveu elaborar previsões para o crescimento em 2020 para os países do G20 já levando em conta os efeitos da Covid-19 (link aqui). Dado que a fonte é respeitada e fazia tempo que não postava aqui, resolvi comparar as previsões pré-crise com as previsões pós-crise.

Antes da crise a média de crescimento dos países do G20 previsto pela The Economist era de 2%. O maior crescimento foi previsto para Índia, 6%, seguida de China, 5,9%, e Indonésia, 5,1%, apenas a Argentina tinha previsão de queda no PIB. Neste mundo pré-crise o crescimento do Brasil estava previsto em 2,4%, menor apenas que os dos três já citado e da Turquia, 3,8%. A figura abaixo mostra o crescimento previsto antes da crise.




Como era de se esperar a pandemia mudou todo o cenário, a média das previsões pós-crise aponta uma queda de 3%, apenas Índia, 2,1%, Indonésia, 1%, e China, 1%, vão crescer este ano de acordo com as previsões da The Economist. A maior queda é prevista para Itália, o Brasil deve ter a quarta maior queda de PIB com uma variação de -5,5%. Além da Itália, apenas Alemanha e Argentina têm previsão de queda no PIB maiores que no Brasil. A figura mostra o crescimento previsto depois da crise.




Um último exercício consiste em comparar os números das duas figuras. A maior diferença entre o crescimento previsto antes da crise e o crescimento previsto depois da crise é observada no Brasil. A valer as previsões da The Economist dentre os países do G20 o Brasil é o que terá a maior perda de crescimento por conta da Covis-19, a figura abaixo ilustra a diferença entre as previsões de crescimento antes de depois da pandemia.




O artigo da The Economist Intelligence Unit não aprofunda na discussão das razões para uma variação tão grande no Brasil, eu também não vou fazer isso. Está tudo muito incerto para arriscar análises mais profundas, resta seguir buscando alternativas para minimizar o impacto da crise na economia e manter a esperança que o pessoal da áreas de saúde, que tem a liderança nesta crise, encontre o mais rápido possível uma cura, uma vacina ou alguma outra forma de superar essa pandemia e permitir que voltemos à nossas vidas normais.