Enquanto as atenções estão voltadas para as eleições
presidenciais resolvi dar uma olhada com que aconteceu com o Congresso. Não que
eu não esteja empolgado com as eleições presidenciais, estou e muito, mas é que
a composição do Congresso pode ser decisiva nos próximos anos. Há dez dias
havia a possibilidade de uma vitória arrasadora do PT, a disputa com o PSDB
seria substituída por uma disputa com um grupo indefinido liderado por uma
fundadora do PT. Hoje temos uma vitória, em termos presidenciais estamos mais
ou menos como estávamos em 2010, mas as bancadas dos dois partidos que lideram
a coalizão governista diminuíram e a bancada do PSDB e outros partidos de
oposição estão maiores. Alguém pode dizer que é uma vitória pequena pois o PT continua
com a maior bancada na Câmara e o PMDB com a segunda maior. Pode ser que seja
uma vitória pequena, mas é uma vitória, para quem estava na condição que
estávamos há dez dias atrás comemorar cada pequena vitória é uma obrigação.


Analisar mudanças no Senado é mais complicado pois apenas um
terço do dos senadores foram trocados nessa eleição. Creio que o PMDB ficará
com a maior bancada do Senado por ter eleito cinco senadores, a princípio é uma
boa notícia para o governo, mas cabe lembrar que a relação do PT com o PMDB no
Senado é cheia de idas e vindas e não são poucos os senadores pemedebistas que
compõem com a oposição. O PSDB elegeu quatro senadores, o dobro do PT que só
elegeu dois, o DEM elegeu três senadores. Olhando alguns nomes destaco a não
reeleição de Suplicy, é uma perda significativa para o PT que perde São Paulo e
um senador tradicional com bom trânsito com a oposição. Outro ponto que merece
registro é que notórios oposicionistas estarão no Senado: Tasso Jereissati,
José Serra, Ronaldo Caiado e Antonio Anastasia se juntam a Álvaro Dias e José
Agripino para liderar a oposição. Romário embora eleito em pareceria com o PT
pode surpreender o governo, o baixinho não é conhecido por aceitar imposições.
Outra que pode surpreender (wishiful thinking detected) é Katia Abreu, outrora
nome forte da oposição foi para o PSD e depois para o PMDB e chegou a ser
cotada para o ministério de Dilma, mas quem vai pode voltar. Não posso deixar
de registrar que o homem forte do governo PT (e de praticamente todos os governos
nas últimas décadas) se aposentou e está fora do Senado. Como será o Congresso
sem Sarney?
Para resumir meu ponto é que se Aécio ganhar será a
consagração da vitória da oposição, não creio que alguém discorde. Se Dilma
ganhar terá um Congresso mais duro pela frente, a oposição cresceu e o governo
perdeu nomes importantes. Em qualquer caso a oposição estará mais forte em 2014
do que estava em 2010.
Caro Roberto Ellery: Parabéns pela análise. O sentimento de desejo de mudança da população prevaleceu nas escolhas de boa parte dos parlamentares eleitos. Por sua vez, o candidato Aécio Neves deu uma demonstração de que sabe dialogar, ser tolerante e persistir. Isso é essencial para vencer uma eleição presidencial. É importante lembrar que a maioria dos votos da Marina são votos pela mudança de um governo marcado pela incompetência, desperdícios, corrupção, autoritarismo e arrogância. Abraços, José Matias-Pereira
ResponderExcluirPrecisamos saber mais sobre a movimentaçao política. Seu post é um bom começo. Mas ainda pouco sabemos sobre a composicao estadual. Creio que ela revelaria como irão se movimentar os governadores e sua influencia para as eleicoes a prefeito que se aproximam. O que aconteceu em Minas revela o impacto das prefeituras nas eleiçoes federal.
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