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Aumentar a taxa de poupança e expandir a rede de proteção social: A encruzilhada de Ciro Gomes.

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Não creio ser útil ou necessário lembrar meu rosário de críticas ao desenvolvimentismo, o interessado pode pesquisas no blog que vai encontrar esse tipo de material em abundância, de fato, uma das razões que levou a criação desse blog foi tentar se contrapor a onda desenvolvimentista que dominava até meados da década passada. Entretanto tem um ponto que Ciro Gomes levantou ontem na entrevista na Globonews que é caro a muitos desenvolvimentistas e que quero comentar nesse post. Menos do que uma crítica ao desenvolvimentismo a questão que vou tratar é uma dúvida a respeito da viabilidade da proposta.
Ciro Gomes em um dado momento afirmou que países não crescem com poupança externa, na prática isso significa que se for presidente Ciro pretende que nosso crescimento seja financiado com nossa poupança. O problema é que a taxa de poupança no Brasil está na casa dos 16%, suficiente para financiar o investimento atual, mas muita baixa para financiar o investimento necessário para começar um …

Uma leitura do Raio X das Universidades Federais

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Aproveitei o dia de folga da Copa para olhar com cuidado os números sobre repasses do governo para as universidades federais que o G1 obteve junto ao MEC e divulgou em uma série de reportagens (link aqui e aqui). Os valores, corrigidos pelo IPCA, dizem respeito aos repasses para universidades federais excluídas despesas obrigatórias como pagamento de professores e técnicos administrativos, ou seja, é o orçamento que a universidade pode usar para investimento e para manutenção (incluídos os gastos com serviços terceirizados de limpeza, portaria e vigilância).No decorrer do post vou me referir a este orçamento de despesas não obrigatórias simplesmente como orçamento. O número que chama atenção é a queda de quase 30% nos repasses para as universidades quando comparados os valores empenhados em 2017 com os valores empenhados em 2013. A figura abaixo reproduz a figura que ilustra a reportagem do G1, nela estão os valores previstos para o orçamento das universidades e os valores que de fat…

Ainda não é hora de respirar aliviado, a dívida não deixa.

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A semana foi tensa para a economia, em um certo momento parecia que iriamos de vez para o brejo. A elevação da taxa de juros nos EUA, sinalizando um provável ajuste na economia americana que está com baixo desemprego e começa a ter ameaça de inflação, já tinha dado sinal que faria estrago por aqui. Na quarta-feira, 23/05, parecia que as coisas estavam se acalmando, mas... naquele dia começou uma inacreditável sequência de erros que revelou a fragilidade do governo e, por consequência, da política econômica. Na terça-feira, 22/05, começava a ganhar força a greve dos caminhoneiros, o governo então acenou com a possibilidade de usar a CIDE para reduzir o preço do diesel, na quarta-feira, 23/05, Rodrigo Maia, presidente da Câmara, em um movimento irresponsável e populista ampliou a oferta do governo abrindo a possibilidade do Congresso reduzir o PIS/Cofins sobre o diesel (link aqui). O movimento de Maia botou o governo na defensiva e abriu a porteira para demandas cada vez mais absurdas …

Contas Nacionais do primeiro trimestre de 2018: A recuperação continua lenta e consistente.

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Na semana passada o IBGE divulgou as contas nacionais referentes ao primeiro semestre de 2018 (link aqui). O crescimento de 0,4% do PIB no primeiro trimestre de 2018 não impressionou muita gente, não é de impressionar mesmo, mas, uma olhada mais cuidadosa reforça a tese de uma recuperação lenta, porém bem fundamentada. Como já disse outras vezes aqui no blog a pior coisa que pode acontecer é uma recuperação rápida e estabanada, não precisamos de um espirro de crescimento que termina em uma pneumonia.
A figura abaixo mostra a taxa de crescimento do PIB desde 1996. A linha mostra a taxa acumulada em quatro períodos, as colunas mostram o crescimento do trimestre em relação ao trimestre anterior com o ajuste sazonal. Na figura fica claro o mergulho que começamos a da a partir do segundo semestre de 2014 e que chegou ao fundo no segundo trimestre de 2016. A partir daí começou a lenta recuperação. No primeiro trimestre de 2017 tivemos o primeiro crescimento em relação ao trimestre anterior…

Desempenho da economia durante o regime militar: o que dizem os dados?

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Um dos fenômenos revelados pela greve dos caminhoneiros foi a força dos movimentos que pedem uma intervenção militar. O que nas manifestações de 2015 e 2016 parecia o desejo de uma minoria excêntrica e inexpressiva tomou ares ameaçadores nas manifestações dos caminhoneiros. O sinal de alerta disparou com a declaração de José da Fonseca Lopes, presidente da Associação Brasileira do Caminhoneiros (Abcam), repercutida por vários órgãos de imprensa (link aqui). Segundo José da Fonseca Lopes:
“Não é o caminhoneiro mais que está fazendo greve. Tem um grupo muito forte de intervencionistas aí e eu vi isso aqui em Brasília, e eles estão prendendo caminhão em tudo que é lugar. [...] São pessoas que querem derrubar o governo. Não tenho nada a ver com essas pessoas nem os nossos caminhoneiros autônomos têm. Mas estão sendo usados para isso.”
No mesmo dia que levou ao ar essa declaração o Jornal Nacional mostrou imagens de concentração de caminhões onde era possível ler pedidos por uma intervenç…

A resposta do governo à greve dos caminhoneiros não foi ruim, foi muito pior.

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Em junho do ano passado o blog Estado da Arte no Estadão publicou um texto meu cujo o título era: “Temer no Planalto é retrocesso na agenda de reformas” (link aqui), no texto escrevi:

“A permanência de Temer no governo pode até ajudar com algumas reformas, particularmente a trabalhista, mas definitivamente vai na contramão da melhora do ambiente institucional que tanto precisamos.”
O que na época foi escrito por conta das revelações do áudio de uma conversa de Joesley Batista com Temer que deveria ter sido suficiente para tirar Temer do Planalto, nesta semana se mostrou mais real do que eu poderia imaginar. Para ficar no poder Temer fez uma série de concessões que colocaram o Brasil na contramão das reformas. É verdade que em outros fronts a equipe técnica do governo buscava avançar nas reformas, melhor exemplo disso foi a substituição da TJLP pela TLP em 2017. O governo Temer que parecia abraçar de todo a agenda reformista passou a se dividir entre um núcleo político disposto a todo t…

Comportamento do preço da gasolina e do óleo diesel desde 2001.

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Como forma de entender melhor o que está acontecendo com os preços dos combustíveis resolvi dar uma olhada na série histórica de preços da gasolina comum e do óleo diesel. Os dados estão disponíveis na página da ANP (link aqui) em duas planilhas: a primeira com o período de julho de 2001 a dezembro de 2012 e a segunda com dados de janeiro de 2013 até abril deste ano. Trabalhei com o preço médio de revenda deflacionado pelo IPCA. O resultado está na figura abaixo.



O primeiro fato que destaco é que nem a gasolina comum nem o óleo diesel estão com maiores preços da série. O maior preço da gasolina comum ocorreu em fevereiro de 2003 e equivale a R$ 5,21 por litro em valores de hoje, o maior preço do óleo diesel ocorreu em outubro de 2005 e equivale a R$ 3,72 em valores de hoje. Outro ponto importante é que o preço da gasolina comum termina a série abaixo do preço médio do período, R$ 4,22 em abril deste ano contra um valor médio de R$ 4,25 no período, como o preço subiu em maio é razoáve…