domingo, 16 de julho de 2017

Uma nota sobre subsídios explícitos, subsídios implícitos e a TLP

Uma das coisas mais desagradáveis nos debates econômicos que envolvem interesses de grupos organizados é esclarecer a confusão de conceitos que é feita como forma de impedir o debate sobre o mérito da questão. É o caso da confusão entre previdência e seguridade quando da discussão da reforma da previdência e da confusão entre juros e amortizações que aparece quando se trata da dívida pública. No caso do debate a respeito da mudança da taxa de juros do BNDES, a substituição da TJLP pela TLP, a confusão aparece quando tentam misturar a existência de subsídios com a existência de um tipo específico de subsídios.

Quem me acompanha sabe que sou contra subsídios em geral e particularmente contra subsídios para os ricos, sendo assim sou suspeito quando falo de qualquer medida que envolva potencial redução de subsídios. Não reclamo de suspeição, é justa, mas reclamo de quem foge do debate usando de confusão de termos para transformar um debate sobre transparência de tipos específicos de subsídios para um debate sobre subsídios. É exatamente isso que está acontecendo no debate sobre a TLP, a proposta não acaba com subsídios, apenas dá transparência e aumenta o controle sobre os subsídios. Se a transparência e o controle podem vir a reduzir tais subsídios é outra questão, eu acredito que sim, mas, de novo, eu sou suspeito pois, em geral, sou contra subsídios.

Para entender o ponto será preciso explicar os tipos de subsídios que aparecem nos empréstimos do BNDES. Não se trata de falar de todos os possíveis subsídios, discussão técnica com complexidade além da desejada nesse post, nem de explicar detalhadamente como funcionam tais subsídios. O objetivo é dar uma ideia geral de como funcionam os dois subsídios mais importantes que estão envolvidos no debate sobre a TLP. O BNDES trabalha com vários bancos que operam como agentes do BNDES junto aos tomadores de empréstimos e usa mais de uma fonte de recursos, inclusive o FAT o que leva alguns a defenderem que o custo de captação dos recursos do FAT deve ser usado como referência para os empréstimos dados com recursos desse fundo. Não compro essa tese porque os recursos do FAT não são presentes divinos nem surgem de contribuições voluntárias, são retirados compulsoriamente da sociedade, e porque sempre podemos dizer que os recursos do FAT poderiam ser usados para abater a dívida pública.

Deixemos de lado os detalhes e nos concentremos nos subsídios. Por simplicidade considere que o BNDES empresta diretamente a todos os seus clientes a uma determinada taxa. Para ser mais específico suponha que o BNDES empresa a 5% e que o Tesouro pega o dinheiro no mercado a 10%. Existem duas formas básicas do Tesouro tratar com o BNDES: (i) o Tesouro pega a 10% e empresta a 5% ao BNDES que vai emprestar a 5% mais alguma coisa para seus clientes e (ii) o BNDES pega o dinheiro a 10% e empresta a um pouco mais de 5% a seus clientes, a diferença entre a taxa que o BNDES captou e a taxa que emprestou é paga pelo Tesouro.

À primeira vista as duas modalidades são bem parecidas. Nos dois casos o BNDES empresta a uma taxa abaixo do mercado e a diferença é paga pelo Tesouro. Olhando mais de perto aparece uma diferença fundamental entre as duas modalidades: na primeira não é feito nenhum pagamento do Tesouro para o BNDES por conta da diferença de juros, na segunda é feito um pagamento. Na primeira modalidade o Tesouro pega o dinheiro, repassa ao BNDES que empresta para empresas a taxa de juros mais baixa. Na segunda modalidade a empresa também pega empréstimos a taxas mais baixas, porém a diferença entre as taxas é paga pelo Tesouro ao BNDES.

Qual a relevância dessa diferença? No primeiro caso, onde não há pagamento explícito, o Congresso não pode dar pitaco, a decisão fica por conta do corpo técnico do BNDES, não há debate na sociedade, não escrevemos em blogues ou jornais questionando as prioridades no uso dos recursos, enfim, é uma forma opaca de usar o dinheiro do pagador de impostos. No segundo caso, onde há pagamento explícito, o Congresso se manifesta, a questão é debatida nos jornais, nas redes sociais ou onde as pessoas desejarem, é possível, por exemplo, debater se os recursos destinados aos subsídios não seriam melhores empregados na saúda, na educação, na segurança ou se não deveriam ser cortados permitindo, talvez, a redução da carga tributária.

Esse é o debate fundamental que envolve a TLP, o debate da transparência e publicidade no uso de recursos que serão pagos pelo Tesouro. O debate é se queremos que o Congresso decida os subsídios ou se queremos que a decisão seja feita por burocratas comandados por alguém indicado pelo inquilino do Planalto.

Fique claro que não estamos falando de pouca coisa. A figura abaixo mostra os valores dos subsídios implícitos e explícitos pagos pelo Tesouro ao BNDES e FINAME entre 2009 e 2016. No total são quase R$ 40 bilhões só em 2016, mais que o Bolsa Família, uma política pública direcionada aos muito pobres que alcança diretamente milhões de brasileiros. É curioso que a sociedade debata muito mais o Bolsa Família do que os empréstimos do BNDES, uma política pública que beneficia os ricos e custa mais que o Bolsa Família. Talvez o fato dos custos do Bolsa Família serem transparentes e discutidos no Congresso enquanto os custos do BNDES são opacos e determinados por burocratas explique a diferença de interesse público pelos dois programas.




A aprovação da TLP visa acabar com os subsídios implícitos, os subsídios explícitos continuam permitidos. Estritamente falando o governo pode manter o mesmo valor total de subsídios que existe hoje, porém na forma de subsídios explícitos, ou seja, precisará da aprovação do Congresso com todo o debate público que envolve tais aprovações. Dessa forma o debate atual não é sobre se devemos ou não subsidiar setores da economia, um debate importante que espero um dia entrar em cena, o debate atual é sobre se subsídios de dezenas de bilhões de reais devem ser concedidos de forma transparente ou de forma opaca. Eu sou favorável à transparência, compadres dos dois lados do balcão de favores são favoráveis à opacidade. E você? Qual a sua opinião?


quinta-feira, 13 de julho de 2017

BNDES, Investimento e TLP

Nos últimos anos o BNDES assumiu o papel de financiador do desenvolvimento brasileiro. A ideia era usar o banco para criar grandes empresas, as chamadas campeãs nacionais, e garantir financiamento a juros bem abaixo do mercado para essas grandes empresas, projetos de infraestrutura e outras empresas que se qualificassem. O auge dessa estratégia aconteceu em 2010 quando o BNDES emprestou aproximadamente R$ 260 bilhões em valores de hoje. Nos anos seguintes os empréstimos do banco ficaram sempre acima de R$ 200 bilhões, com exceção de 2011 que ficou em torno de R$ 197 bilhões. Apenas em 2015, com a crise instalada, o volume de empréstimos caiu do patamar de R$ 200 bilhões ficando próximo a R$ 152 bilhões, em 2016 o volume de empréstimos caiu abaixo de R$ 100 bilhões voltando aos valores observados antes de 2008. A figura abaixo mostra os desembolsos do BNDES entre 2001 e 2016.




A figura também mostra a taxa de investimento no Brasil. Note que a partir de 2006, quando começou o uso do BNDES como motor do crescimento a taxa de investimento começa a subir. A queda brusca em 2009 reflete a crise financeira de 2008. O aumento dos empréstimos do BNDES parece ter conseguido reverter essa queda ou pelo menos adiar até 2014. Variações dessa figura são usadas para defender a atuação do BNDES, a tese é que sem o BNDES não teria ocorrido a elevação do investimento a partir de 2006 e, mais importante, não teria ocorrido a recuperação do investimento na sequência da crise de 2008.




Será que foi isso mesmo? Difícil de responder, no momento estou trabalhando em uma pesquisa com o Adolfo Sachsida visando dar uma resposta mais sólida a essa pergunta. Até lá aponto o que me leva a duvidar do papel central que alguns dão ao BNDES nesse processo. Comecemos com uma provocação. A figura abaixo repete a figura anterior, porém no lugar da taxa de investimento do Brasil aparece a taxa de investimento do Peru. Podemos contar uma história muito parecida a da primeira figura. A taxa de investimento começa a subir por volta de 2006, segue subindo até cair com a crise de 2008, se recupera e depois torna a cair. Ocorre que o BNDES não fica no Peru e é difícil imaginar que as ações do BNDES no Brasil possam ter determinado essa dinâmica na taxa de investimento peruana. O que causou essa trajetória no Peru? Seja lá o que tiver sido é razoável supor que também causou a trajetória da taxa de investimento no Brasil?




Eu poderia repetir o exercício para outros países da América Latina e Caribe, porém, para não abusar da paciência do leitor, passo logo para comparação da taxa de investimento no Brasil com a média da taxa de investimento dos outros países da América Latina e Caribe. Repare que a trajetória começa de forma bastante semelhante: crescimento a partir de meados da década passada e queda em 2008. A partir de 2008 as trajetórias mudam: no resto do continente não observamos a recuperação pós-crise foi bem menor que no Brasil, por outro lado não há uma queda tão intensa como no Brasil a partir de 2013. De fato, enquanto no Brasil já estamos bem abaixo de 2009 o resto da América Latina e Caribe está no nível de 2009. Em resumo: os bilhões do BNDES, quando muito, parecem ter adiado a queda, porém podem ter feito a queda mais drástica. Vale notar também que mesmo os bilhões do BNDES não conseguem fazer que nossa taxa de investimento dique acima da média do continente.

Os benefícios do uso do BNDES para financiar investimento parecem duvidosos e, quando muito, de curto prazo. Mas o que dizer dos custos? Comecemos com os mais óbvios: o custo fiscal dos subsídios. Desde 2015, por força de lei, o Ministério da Fazenda tem a obrigação de publicar na internet relatórios com os impactos fiscais das operações com o BNDES (link aqui). Por conta disso é possível encontrar dados oficiais relativos aos subsídios associados ao banco, aqueles que o Paulo Rebello de Castro, presidente do BNDES, afirma que, na realidade, não são subsídios (link aqui). Para fins de análise a Secretaria do Tesouro Nacional (STN), responsável pelo relatório, trabalha com duas categorias de subsídios: o subsidio financeiro ou explícito e o subsidio creditício ou implícito.

O subsidio financeiro, explícito, se refere à diferença entre a taxa de juros recebida pelo financiador dos empréstimos concedidos no âmbito do Programa de Sustentação do Investimento (PSI) e a taxa de juros paga pelo mutuário, essa diferença é paga pelo Tesouro e constitui em um subsidio explícito. O subsidio creditício, implícito, se refere a diferença entre o custo que o Tesouro tem para captar os recursos e a taxa que o BNDES paga ao Tesouro. Grosso modo no primeiro caso, subsídios explícitos, o tomador do empréstimo para uma taxa menor que a recebida pelo emprestador e a diferença é paga pelo Tesouro. Existe um desembolso que é contabilizado de forma explícita. No segundo caso o Tesouro pega emprestado a uma determinada taxa e empresta ao BNDES a uma taxa menor, não um desembolso explícito e, por isso, é chamado de subsidio implícito. A figura abaixo mostra os subsídios implícitos, explícitos e total entre 2009 e 2016.



Repare que o valor total dos subsídios chega a perto de R$ 40 bilhões em 2016. É muito dinheiro, para quem gosta de programas sociais é quase o dobro do Bolsa Família, para quem gosta de educação a soma é da ordem do que o governo gasta com as universidades federais, finalmente, para quem gosta de ficar com o próprio dinheiro, é mais do que o dinheiro das contas inativas do FGTS que o governo devolveu aos trabalhadores. Mas fica pior, como são operações de longo prazo, o custo dos subsídios continua pelos próximos anos mesmo que o BNDES para de fazer empréstimos hoje. A figura abaixo mostra as projeções de gastos com subsídios das operações já contratadas. É isso mesmo, já temos gastos contratados até 2060! Para uma política de benefícios duvidosos e de curto prazo os custos parecem bem claros e de longo prazo.



Os custos de subsídios não são os únicos associados a atuação do BNDES. Um custo particularmente grave é o de alocação de capital. Ao direcionar empréstimos a taxas muito abaixo do mercado para algumas empresas o BNDES acaba por definir como será feita a alocação de capital no país. Como está claro a alocação feita pelo BNDES leva em conta fatores políticos que não estão relacionados a ganhos de produtividade, mas, mesmo que não levasse em conta tais fatores haveriam distorções. Empresas menores tem dificuldades para enfrentar a burocracia necessária para consegui um empréstimo do BNDES, em meados do século XX isso poderia não ser um grande problema, no século XXI, onde grande parte das inovações chegam ao mercado por pequenas empresas, as famosas startups, essa distorção pode ter ume feito avassalador. Não é fácil medir o custo causado pela má alocação de capital, uma maneira de aproximar esse custo é observar a trajetória da produtividade no Brasil e em outros países. A figura abaixo faz isso, note que nossa produtividade é baixa e está caindo de forma mais intensa que em outros países, em particular note que dos quatro países da amostra somos os únicos onde ocorreu queda de produtividade quando comparamos 2014 e 2001.




Existem ainda outros custos associados ao BNDES. Dentre eles vale registrar o efeito na política monetária e na concentração regional e pessoal de renda. Ao isolar parte do financiamento do investimento dos efeitos da política monetária o BNDES acaba levando o Banco Central a elevar a taxa de juros mais do que seria necessário se todos estivessem sujeitos aos efeitos da política monetária. É como se os “sem BNDES” tivesse de apertar o cinto por eles e pelos “com BNDES”. Ao concentrar o financiamento em grandes empresas o BNDES aumenta a concentração de renda agindo como um Robin Hood ao contrário e, como tais empresas estão concentradas nas regiões mais ricas do país, o BNDES acaba por tornar mais desigual a distribuição regional da renda.

Resolver tudo isso é uma tarefa hercúlea. Uma alternativa seria simplesmente encerrar as atividades do BNDES, apesar de muito cara aos liberais, esse blogueiro é um liberal, a proposta não parece viável do ponto de vista político. Excluída a hipótese de fechar ou privatizar o BNDES sobra tentar diminuir os custos e aumentar os benefícios da ação do banco. É nesse contexto que entra a MP 777 que cria a TLP em substituição a TJLP. A TLP será a nova taxa de juros cobrada pelo BNDES. Ao contrário da TJLP que é definida administrativamente e costuma ficar abaixo da taxa que o Tesouro usa para captar os recursos que empresta ao BNDES a TLP refletirá o custo de captação do Tesouro. De cara acaba o subsídio implícito, o maior e mais opaco subsídio pago ao BNDES. Estritamente falando o subsídio implícito permite que o presidente do BNDES tenha o poder de realizar gastos públicos em montantes superiores ao do Bolsa Família ou dos gastos com as universidades federais sem ter de pedir autorização ao Congresso. Tal mecanismo é um ataque ao regime de repartição de poderes que está na base de nossa República.

Para tristeza dos liberais, com a possível exceção de José Rabello de Castro, a TLP não tira a característica do banco de desenvolvimento do BNDES. O BNDES continuará ofertando com juros abaixo do praticado no mercado, o BNDES continuará ofertando crédito para programas de baixo retorno financeiro e alto retorno social, o BNDES poderá continuar financiando atividades de alto risco e grande potencial de inovação, a TLP oferece um seguro contra aumento da taxa de juros real e etc., enfim, o BNDES continua sendo um banco de desenvolvimento. O que acaba ou fica drasticamente reduzido é o custo fiscal e o poder excessivo da burocracia do banco para destinar dezenas de bilhões de reais a empresários amigos. Mesmo a possibilidade de uso político do banco continua presentes, na verdade tal possibilidade vai existir enquanto o banco existir.

Alguns amigos talvez achem que a TLP é uma mudança pequena, não creio que seja. Pode estar aquém do desejado, mas uma mudança importante que vai na direção correta.



terça-feira, 11 de julho de 2017

R e Facebook: Analisando dados do grupo Economia

Continuo usando o período de férias para aprender novos truques com o R, o grupo R-Brasil Programadores (link aqui) tem sido uma excelente fonte de inspiração. De ontem para hoje vi um post que originalmente está no blog do José Guilherme Lopes e que ensina a usar o R para pegar dados do Facebook (link aqui). Como de costume li o post com atenção e resolvi fazer um exercício para ficar alguns conceitos, desta vez o exercício foi analisar os “likes” do grupo Economia no Facebook (link aqui). Assim como fiz com o último exercício (link aqui), resolvi compartilhar com os leitores do blog os resultados que encontrei.

De saída informo que todos os dados do grupo são públicos e podem ser usados por quem quer seja, estritamente falando o exercício que fiz pode ser reproduzido por qualquer um com um lápis, um caderno e um monte tempo disponível. Ainda assim, para evitar polêmicas, só destaquei o lado positivo, não quero irritar ninguém com esse post, muito pelo contrário, a ideia é só fazer um balanço da atividade recente do grupo e ilustrar o uso do R para analisar dados do Facebook. Quem desejar reproduzir o exercício vai ter de recorrer ao post do José Guilherme Lopes para aprender a pegar os dados e vai precisar conhecer um pouco dos pacotes “dplyr”, “tidyr” e “ggplot2”.

Para realizar a análise peguei os últimos dois mil posts publicados no grupo. Tentei pegar cinco mil, mas não consegui, creio que é por limitação minha, do meu token de acesso ou, mais provavelmente, dos dois. Os dois mil posts analisados foram publicados por 450 e participantes do grupo, destes 249 publicaram apenas um post e 405 publicaram dez ou menos posts. O campeão de postagens teve 194 dos 2.000 posts usados no exercício. A figura abaixo mostra os quinze participantes mais ativos se considerado o número de postagens no grupo.




Na sequência considerei o número de “likes” de cada autor. Um total de 88 autores não tiveram nenhum “like” e 296 tiveram 10 ou menos “likes”. O participante com maior número de “likes” foi o Rodrigo Peñaloza, que é meu colega de departamento e, pelo que acompanho o grupo, de fato costuma publicar posts excelentes que mais do que justificam os 1;054 “likes” recebidos. A figura abaixo mostra os quinze participantes mais populares pelo critério de total de “likes”.




O último critério que avaliei foi o número de “Likes” por post publicado. Por esse critério a campeão foi a Júlia Gallant. A figura abaixo mostra os quinze participantes com maior média de “likes” por post.





Como era de se esperar quanto mais posts tem um participante, mais “likes” ele consegue. Porém a relação positiva também vale para a média de “likes” por post. Talvez participantes que publicam muito acabem conseguindo mais atenção e com isso recebam mais “likes”. A tabela abaixo mostra as regressões de “likes” contra número de posts e e de “likes por post” contra número de posts. As regressões foram feitas com logaritmos e no caso dos “likes”, como existem zeros, adicionei um. Não gosto muito de colocar regressões no blog, mas os gráficos ficaram esquisitos e eu queria testar as tabelas do pacote “stargazer” com a opção “html”... o que acabou não saindo como eu queria, mas decidi manter a tabela usando a opção "text" mesmo.

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                                     Dependent variable:      
                               -------------------------------
                               log(tlikes + 1)     log(mlikes + 1)
                                        (1)                     (2)      
--------------------------------------------------------------
log(nposts)                      0.942***          0.106**    
                                        (0.060)             (0.053)    
                                                              
Constant                          1.248***          1.291***    
                                       (0.074)               (0.066)    
                                                              
--------------------------------------------------------------
Observations                         450             450      
R2                                         0.355           0.009     
Adjusted R2                          0.353           0.007     
Residual Std. Error (df = 448)      1.284           1.134     
F Statistic (df = 1; 448)        246.444***        4.003**    
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Note:                              *p<0.1; **p<0.05; ***p<0.01

Espero que os participantes do grupo se divirtam com o post e tentem identificar os campeões por cada critério. Se alguém ficou curioso esse blogueiro teve seis dentre os dois mil posts analisados, os seis posts receberam 94 “likes” o que dá uma média de 15,67 “likes” por post. Nada que impressione, mas fiquei acima da média que foi de 7,46 “likes” por post e bem acima da mediana que foi dois “likes” por post. Caso alguém tenha se interessado em analisar outros grupos ou outros aspectos do grupo Economia com o R recomendo fortemente o post do José Guilherme Lopes que inspirou esse exercício.



sábado, 8 de julho de 2017

Nota sobre o individualismo

Um conceito fundamental que causa muita confusão no pensamento liberal é o individualismo, o problema é que a palavra possui vários significados que são usados e fazem parte do pensamento liberal, mas que possuem significados muito diferentes. Uma olha no Aurélio deixa claro o problema:

Individualismo. [De individual + ismo] S. m. 1. A existência individual. 2. Fig. Sentimento, conduta, etc., egocêntricos, egocentrismo. 3. Filos. Doutrina ou atitude que considera o indivíduo como a realidade mais essencial ou como o valor mais elevado. 4 Filos. Doutrina que explica os fenômenos históricos ou sociais por meio da ação consciente de indivíduos. 5. Filos. Doutrina pela qual a sociedade deve visar, como fim único, ao bem dos indivíduos que a constituem.

Como podem ver são vários conceitos que, mesmo estando presentes no pensamento liberal, tem significados diferentes, isso gera muita confusão. É o caso de quem acredita que o liberal é um defensor do egoísmo por tomar o segundo sentido da palavra. Não que o egoísmo não tenha um papel fundamental no pensamento liberal, Smith já falava do padeiro que nos atendia ao buscar seus próprios interesses, o tema também está na Fabula das Abelhas de Mandeville (link aqui) e nem vou falar de Ayn Rand. Porém muitos autores liberais usam o terceiro e o quarto significado do termo, economistas em geral e estudiosos do pensamento austríaco devem estar familiarizados com o quarto significado, também conhecido como individualismo metodológico. É esse significado, muito mais que o de egoísmo, que justifica as maximizações de utilidade nos cursos de economia.

Apesar da relevância para o pensamento econômico não é do individualismo metodológico que pretendo tratar nesse post, meu interesse é o terceiro significado do termo. Aquele que coloca o indivíduo como valor mais elevado. Nesse sentido o termo individualismo aparece como antônimo de tribalismo ou coletivismo, não de altruísmo. Esse é o sentido usado por Karl Popper e que eu costumo usar quando me refiro ao individualismo, o que não nenhuma surpresa dado que Popper é um dos pensadores liberais que mais me influenciam. Se alguém for uma única obra de Popper recomendo que seja “Sociedade Aberta e seus Inimigos”, livro em que Popper explica bem esse significado de individualismo e mostra os riscos totalitários no pensamento coletivista. Fica a dica para quem quiser conhecer uma análise diferente de autores como Platão, Mill, Hegel e Marx.

Popper usa alguns exemplos de passagens marcantes que ilustram o conceito de individualismo como antônimo de tribalismo e não de altruísmo. O primeiro exemplo vem de ninguém menos que Jesus Cristo, insuspeito de ser egoísta. Repare no seguinte trecho em Mateus, 22, 34-40:

“E os fariseus, ouvindo que ele fizera emudecer os saduceus, reuniram-se no mesmo lugar.E um deles, doutor da lei, interrogou-o para o experimentar, dizendo:Mestre, qual é o grande mandamento na lei?E Jesus disse-lhe: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento.Este é o primeiro e grande mandamento.E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas.”

Esse trecho normalmente é resumido como “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo”. Repare que Cristo não faz referência à tribo, o próximo, que deve ser amado como a você mesmo, é um indivíduo. Acima de você e dos outros indivíduos apenas Deus. Não há um lugar para tribo acima do indivíduo, a não ser que alguém considere que a tribo é a representação de Deus. Uma visão que me parece doentia do estado, mas que existe por aí. No sentido usado no Popper, que é o terceiro sentido listado no Aurélio, A lei do Senhor, tal como resumida por Cristo, é uma lei individualista. Melhor assim, seria estranho que Cristo colocasse a tribo, uma criação humana, acima do indivíduo, que afinal foi criado a imagem e semelhança de Deus.

Outra passagem usada por Popper para ilustrar o individualismo é um trecho de Ideologia Alemã (link aqui) de Karl Marx. No trecho um dos raros momentos em que Marx descreve a sociedade comunista lemos:

“... ao passo que na sociedade comunista, na qual cada homem não tem um círculo exclusivo de atividade, mas se pode adestrar em todos os ramos que preferir, a sociedade regula a produção geral e, precisamente desse modo, torna possível que eu faça hoje uma coisa e amanhã outra, que cace de manhã, pesque de tarde, crie gado à tardinha, critique depois da ceia, tal como me aprouver, sem ter de me tornar caçador, pescador, pastor ou crítico.”

Note que no mundo idealizado por Marx a escolha do que fazer é determinada pelo indivíduo, Marx fala “tal como me aprouver” e não “tal como aprouver à tribo”. Como conciliar essa escolha individual com a ideia que “a sociedade regula a produção geral” é coisa que eu não sei dizer, tente perguntar a algum marxista. O que interessa aqui é que uma sociedade onde o indivíduo, e não a tribo, escolhe onde trabalhar é uma sociedade individualista. No mundo perfeito de Marx, contradições à parte, cada um escolhe o que fazer, em sociedades coletivistas é a tribo que escolhe o que cada um deve fazer.

Em uma sociedade coletivista a tribo escolhe se o indivíduo vais ser soldado, crítico literário ou médico de acordo com as necessidades da tribo, no mundo de Marx a escolha segue o que “aprouver” o indivíduo. Na lei da coletivista o indivíduo deve amar o estado mais que a ele mesmo ou ao próximo, é antiga lição de morrer pela pátria ou viver sem razão da qual falava Geraldo Vandré. Na lei dos profetas o indivíduo deve amar a Deus acima de tudo e ao próximo como a ele mesmo, não há nada sobre morrer pela pátria.

Espero ter ajudado a esclarecer a confusão no uso do termo individualismo, se não ajudei espero pelo menos ter deixado claro o sentido em que eu uso o termo individualismo. Eu uso o termo no terceiro sentido do Aurélio, o mesmo usado por Popper, Hayek e vários outros liberais ilustres. Considero que o indivíduo está acima da tribo, É uma visão radical, por exemplo, um utilitarista pode aceitar que se tome algo de um indivíduo em nome do bem comum, um individualista fica, no mínimo, incomodado com essa possibilidade.

Por fim um alerta a respeito das ideias e do mundo real. Como bem alertou Popper mesmo o utilitarismo liberal de Mill se levado ao extremo pode ser levado a um totalitarismo, lógica parecida vale para o individualismo. Como toda filosofia o individualismo deve ser mesclado com algum pragmatismo quando tratamos de temas aplicados.



domingo, 2 de julho de 2017

Exercício de mineração de texto: As palavras usadas por Smith, Mill e Marx

Esta semana alguém compartilhou no FB o livro “Text Mining with R: A Tidy Approach” (link aqui), como me interesso pelo assunto e estou com mais tempo para aprender coisas novas depois que terminei meu mandato como diretor da FACE/UnB resolvi dar uma olhada no livro. O primeiro capítulo ensina a pegar textos e colocar como bases de dados “arrumadas” (tidy) no R, o segundo capítulo trata de análise de sentimentos, ainda não li os outros. Como gosto de aprender fazendo exercícios fiz uma, vá lá, análise das palavras que mais aparecem em alguns livros clássicos de economia e resolvi compartilhar o resultado com os leitores do blog.

Por limitações minhas as obras escolhidas tinham que estar disponíveis no Projeto Gutenberg (link aqui), uma organização que disponibiliza gratuitamente textos de livros clássicos que não estão protegidos por direitos autorais. Para o exercício considerei três autores clássicos e fundamentais para quem estuda economia: Adam Smith, Karl Marx e John Stuart Mill. Do primeiro peguei “A Riqueza das Nações” de 1776, do segundo peguei “Para uma Crítica da Economia Política” de 1857 e do terceiro peguei “Princípios de Economia Política” de 1848. O livro de Adam Smith será usado como referência, os de Marx e Mill são da mesma época e representam linhas de pensamento bem diferentes que tomaram rumos ainda mais distintos no decorrer do século XX.

Comecemos com “A Riqueza das Nações”. As dez palavras que mais aparecem no livro são: preço (price), país (country), trabalho (labour), comércio (trade), produzir (produce), quantidade (quantity), valor (value), povo (people), moeda (money) e terra (land). O fato de preço aparecer bem mais que valor pode sugerir que Smith estava mais preocupado em determinar preços do que em determinar o valor de uma mercadoria, repare que quantidade e comércio também parecem mais do que valor. Outro ponto que me parece interessante é que capital, que nem aparece na lista, aparece menos que trabalho e terra, isso talvez seja reflexo da época e da abordagem de Smith focada no trabalho.

Na lista de “Para uma Crítica da Economia Política” aparecem: valor (value), moeda (money), ouro (gold), mercadorias (commodities), circulação (circulation), troca (exchange), trabalho (labor), mercadoria (commodity), produção (production), forma (form). Se somarmos mercadorias e mercadoria esse é o termo que mais aparece, faz sentido, Marx tratou tanto da produção quanto da circulação de mercadorias em uma economia capitalista. O foco na teoria do valor também fica claro, note que preço nem aparece entre as dez palavras mais usadas. Também vale destacar a frequência com aparece a palavra moeda, uma das características marcantes da análise de Marx é que muito mais que um meio de troca a moeda é um elemento crucial no processo de produção capitalista.

Por fim chegamos em Mill, o liberal, no livro “Princípios de Economia Política” as dez palavras mais citadas foram: capital, trabalho (labor), moeda (money), valor (value), produção (production), salários (wages), custos (costs), país (country), demanda (demand) e aumento (cresciemto). A preocupação com a produção e os fatores de produção está clara, note o destaque para capital e trabalho, é curioso que capital não apareça na lista de Marx. Também há uma preocupação com valor, um tema que seria abandonado pelos economistas neoclássicos que podem ser vistos como os herdeiros de Mill. A lista de Mill também é a única em que, além de salários, aparecem as palavras custo e demanda, o que não deixa de ser interessante.

A tabela abaixo mostra as dez palavras mais frequentes nos três livros analisados. Repare que as palavras valor, produção, trabalho e moeda aparecem nas três listas. Isso me parece consistente com as preocupações dos economistas daquela época. Um exercício semelhante para autores modernos muito provavelmente não traria a palavra valor, também não ficaria surpreso se não aparecesse moeda. Por outro lado a palavras como oferta, demanda, utilidade, custos, preço e capita deveriam, creio eu, aparecer em todas as listas.

Dez Palavras mais Usadas em Cada Livro
A Riqueza das Nações, Smith
Para uma Crítica da Economia Política, Marx
Princípios de Economia Política, Mill
Palavra
Repetições
Palavra
Repetições
Palavra
Repetições
preço
1259
valor
864
capital
1032
país
1238
moeda
821
trabalho
916
trabalho
1003
ouro
646
moeda
837
comércio
970
mercadorias
620
valor
816
produzir
942
circulação
558
produção
762
quantidade
797
troca
537
salários
761
valor
794
trabalho
512
custo
632
povo
776
mercadoria
431
país
573
moeda
767
produção
413
demanda
493
terra
717
forma
333
aumento
472

Por fim vale uma comparação entre as palavras usadas nos três livros considerados no post. A figura abaixo mostra a frequência das palavras usadas por Mill e Marx em relação a frequência das palavras usadas por Smith. Palavras perto da linha são usadas mais ou menos na mesma frequência pelo autor do painel e por Smith. Palavras distantes da linha são usadas com mais frequência pelo autor do painel do que por Smith. Por exemplo, Smith e Mill usam a palavra país (country) com mais ou menos a mesma frequência, da mesma forma Smith e Marx usam a palavra capital com frequência parecida. Por outro lado, Mill usa a palavra “Adam” com mais frequência que Smith, o que me parece muito razoável e apropriado. Notem que Marx faz mais referências a moeda e circulação do que Smith, o que pode parecer contraditório, mas, creio eu, não é. Apesar do foco de Marx no processo de produção capitalista as referências a circulação e moeda apareciam pela forma como Marx acreditava que esses conceitos estavam inseridos no processo de produção e também pelas referências críticas aos conceitos de moeda e circulação em outros autores.




Apenas por curiosidade fiz o teste de correlação entre as palavras usadas por Smith e Mill e por Smith e Marx. O gráfico sugere que a correlação é maior para Mill do que para Marx. De fato, para Mill e Smith a correlação foi de 0,65 com intervalo de confiança entre 0,63 e 0,66. Para Smith e Marx a correlação foi de 0,50 com intervalo de confiança entre 0,48 e 0,53.

O exercício desse post não tem pretensões de analisar as obras de Smith, Marx ou Mill nem muito menos de apresentar alguma reflexão original sobre tis autores. Longe disso, os comentários que fiz costumam estar presentes em livros básicos de História do Pensamento Econômico e se em algum momento eu dei impressão de não ter contido a empolgação e ter ido além de um exercício de mineração de texto desde já apresento minhas desculpas. De toda forma ouso dizer que ferramentas de mineração de texto, se usadas por quem entende de história do pensamento econômico, podem ser uma ferramenta interessante para ampliar a pesquisa na área.



terça-feira, 20 de junho de 2017

América Latina e países emergentes da Ásia: Ambiente de negócios.

Seguindo o post anterior (link aqui) nesse post vou comentar as diferenças no ambiente de negócios nos países emergentes da Ásia e nos países da América Latina e Caribe. Para fazer essa comparação usei os dados do Doing Business (link aqui) elaborados pelo Banco Mundial disponíveis entre 2005 e 2015 junto com a classificação de grupos de países usada pelo FMI, fiquei com 22 dos 30 países emergentes da Ásia e 28 dos 32 países da América Latina e Caribe. Usei as variáveis de tempo por acreditar que são mais fáceis de comparar entre países do que custos como proporção do PIB e número de procedimentos. Desta forma useis as variáveis: tempo para construir armazém, tempo para fazer valer um contrato, tempo para pagar impostos, tempo para resolver insolvência e tempo para começar um negócio.

A figura abaixo mostra a média de cada uma destas variáveis para os países emergentes da Ásia e para América Latina e Caribe. Repare que embora a diferença não seja muito grande os países emergentes da Ásia, que (ainda) são mais pobres do que nós, se saíram melhor em todos os itens usados para comparação.




Para uma visualização melhor das diferenças entre os países dos sois grupos a figura abaixo mostra o diagrama de caixa para cada grupo de países e cada variável considerada. Repare que em todos os critérios menos o tempo para abrir um negócio a mediana, linha vertical em negrito, da América Latina e Caribe fica cima do mediana dos países emergentes da Ásia. Isso significa que o país que está bem no meio da amostra da América Latina e Caribe leva mais tempo para cada um dos procedimentos, com exceção do tempo para abrir um negócio, que os país que está bem no meio da amostra dos emergentes da Ásia. Isso é preocupante para “nuestra” América. Como bem sabemos aqui no Brasil em um ambiente de negócios ruim mesmo que sejam jogados bilhões de dólares em subsidio a investimento o resultado não é dos melhores. Nem semente boa prospera em terra ruim. Por falar em Brasil, vejam aquele ponto que distorce totalmente o diagrama de caixa para tempo de pagar impostos na América Latina e Caribe, aquele país que está acima de 2000 horas enquanto a média nos países emergentes da Ásia é de 231 horas e a média na América Latina e Caribe é de 415 horas, pois bem, somos nós.




Uma outra maneira de ver a diferença entre os dois grupos de países é olhando a densidade das duas distribuições, densidade é um conceito técnico que não costumo usar aqui no blog, grosso modo quanto mais para esquerda estiver cada grupo melhor, pois estar à esquerda significa mais países com menos tempo para cada um dos critérios usados. Repare que no tempo para construção de armazéns, no tempo para fazer valer um contrato e no tempo para pagar impostos os países emergentes da Ásia aparecem com mais frequência nos valores mais baixos, esquerda do gráfico. No quesito tempo para resolver insolvência os países emergentes da Ásia dominam a posta esquerda e a ponta direita, ou seja, alguns estão muito bem e outros estão muito mal, a turma da América Latina e Caribe fica pelo meio. Por fim, no tempo para começar um negócio os dois ficam bastante próximos, com a América Latina e Caribe se saindo melhor quando consideramos a mediana e os emergentes da Ásia se saindo melhor quando o critério é a média. Isso acontece por conta de um país que “puxa” a distribuição da América Latina e Caribe para direita, aquela mancha verde no final do gráfico. O país é o Suriname, mas não reclame de nossos vizinhos, aquela mancha verde que “puxa” a distribuição do tempo de pagar impostos na América Latina e Caribe somos nós.




Os critérios usados nesse post sugerem que os países emergentes da Ásia possuem um ambiente de negócios mais favorável ao empreendedorismo do que os países da América Latina e Caribe. A diferença não é tão grande, mas é consistente entre os vários critérios. Como foi visto no post anterior, os países emergentes da Ásia, em média, são mais pobres que os países da América Latina e Caribe, mas estão se aproximando. Lá vimos que eles poupam e investem mais do que nós, aqui vimos que estão com ambiente de negócios melhor que os nossos. Depois não se espantem quando seus netos resolverem migrar para a Indonésia ou para Índia.