Postagens

Mostrando postagens de Junho, 2017

América Latina e países emergentes da Ásia: Ambiente de negócios.

Imagem
Seguindo o post anterior (link aqui) nesse post vou comentar as diferenças no ambiente de negócios nos países emergentes da Ásia e nos países da América Latina e Caribe. Para fazer essa comparação usei os dados do Doing Business (link aqui) elaborados pelo Banco Mundial disponíveis entre 2005 e 2015 junto com a classificação de grupos de países usada pelo FMI, fiquei com 22 dos 30 países emergentes da Ásia e 28 dos 32 países da América Latina e Caribe. Usei as variáveis de tempo por acreditar que são mais fáceis de comparar entre países do que custos como proporção do PIB e número de procedimentos. Desta forma useis as variáveis: tempo para construir armazém, tempo para fazer valer um contrato, tempo para pagar impostos, tempo para resolver insolvência e tempo para começar um negócio.
A figura abaixo mostra a média de cada uma destas variáveis para os países emergentes da Ásia e para América Latina e Caribe. Repare que embora a diferença não seja muito grande os países emergentes da …

América Latina e países emergentes da Ásia. Vamos ficar para trás de novo?

Imagem
Quando pensamos em países pobres que estão tentando crescer é comum lembrarmos dos países da Ásia, excluídos países avançados como Japão e Coreia do Sul tais países são, em média, mais pobres que o Brasil e a média da América Latina e Caribe. Ocorre que tais países estão crescendo mais rápido que nós e, mantendo esse ritmo, em breve poderão repetir o feito da Coreia do Sul e os outros “Tigres Asiáticos” nos deixando para trás. Seria mais uma confirmação da tese dos economistas Harold Cole, Lee Ohanian, Alvaro Riascos e James Schmitz (link aqui) que a América Latina é o caso mais difícil de explicar de fracasso em termos de crescimento econômico? Por que mesmo usufruindo de relativa paz e baixa intensidade de conflitos étnicos ou culturais não conseguimos crescer? Estamos condenados a mais cem anos de solidão?
Estou entre os que acreditam que o maior problema da América Latina é a baixa produtividade e que este fenômeno não é explicado apenas por problemas de capital humano, não estou…

Temer no Planalto é retrocesso na agenda de reformas!

Imagem
Durante a década de 1990 vários países da América Latina fizeram reformas no sentido de facilitar o funcionamento do mercado, as ditas reformas liberalizantes. Abertura da economia, controle da inflação, taxas de juros realistas, controle ou pelo menos reconhecimento da questão fiscal e outras medidas do tipo deram o tom daquela década em “nuestra” América. Como resultado a combinação de recessão com (hiper)inflação que marcou o continente na década de 1980 saiu de cena, mas não veio o crescimento sonhado na maioria dos países (sobre este período no Brasil ver aqui, para uma palestra minha sobre o tema ver aqui). O crescimento frustrante levou vários economistas a buscar entender o que tinha acontecido. Para uma discussão mais ampla sobre o tema recomendo o livro “Left Behind: Latin America and the False Promise of Populism” (link aqui) escrito pelo Sebastian Edwards. Para uma referência em forma de artigo científico recomendo “Why Have Economic Reforms in Mexico Not Generated Growth…

Percepção de Corrupção e Liberdade de Imprensa

Imagem
Esta semana as críticas à Lava Jato subiram de tom, parece que a medida que os procuradores e delegados envolvidos na operação ampliam o leque das investigações, atingindo o PMDB e o PSDB, as forças políticas se unem contra a Lava Jato. Tal fenômeno era esperado e cabe à sociedade resistir fazendo valer a tese de que tiramos Dilma e depois, se fosse o caso, tiraríamos os outros. É o caso. Na guerra contra a Lava Jato vale tudo, de ameaças a estabilidade da economia (ver link) a teorias a respeito de que a imprensa é culpada pela sensação de que vivemos em um mar de lama.
A ideia que acobertar a corrupção possa de alguma forma ser bom para economia chega a ser ofensiva. Boa parte dos avanços mais recentes da teoria do crescimento econômico mostram que quanto mais inclusivas as instituições de um país mais próspera será a economia deste país. É difícil não pensar a corrupção com seus acordos de bastidores como exemplo de uma instituição extrativa, é impossível não pensar que a transpar…

Contas Nacionais do primeiro trimestre de 2017: ainda não temos o que comemorar.

Imagem
Saíram as contas nacionais relativas ao primeiro trimestre de 2017 (link aqui e aqui), depois de uma sequência de quedas o PIB voltou a crescer. Foi o suficiente para o governo comemorar e anunciar o fim da recessão (link aqui), eu não seria tão rápido em abrir o champanhe. Primeiro porque os dados não refletem os impactos da delação da turma da JBS; segundo porque, mesmo ignorando as delações, o crescimento do primeiro trimestre não parece muito robusto; terceiro porque houve mudanças metodológicas que afetam o resultado e por fim depois de tantas quedas um crescimento em um trimestre relativo ao anterior não é exatamente algo a ser comemorado com muito barulho.
A figura abaixo mostra o crescimento do PIB quando comparados os últimos quatro trimestres com os quatro trimestres anteriores, o atual trimestre com o trimestre anterior, o atual trimestre com o mesmo trimestre do ano anterior e o acumulado ao longo deste ano com o acumulado ao longo do mesmo período do ano anterior. Repare…