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Mostrando postagens de Janeiro, 2017

Curso de Macroeconomia Aplicada na UnB

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Neste semestre vou ofertar uma disciplina de macroeconomia aplicada (o nome pode mudar) na UnB, a princípio a disciplina será ofertada apenas na graduação. Comecei a pensar a disciplina como uma forma de ensinar os alunos a procurar dados na internet, pegar os dados, colocar os dados em um formato legível por softwares de econometria e arrumar os dados de forma adequada para análises econômicas. Este ainda é o objetivo principal do curso, mas com o temo e conversas, resolvi colocar uma pequena revisão de concentos básicos de econometria (este não é um curso de econometria!) e também algumas aplicações. Inicialmente as aplicações consistiriam em replicar resultado de artigos importantes em macroeconomia. A estratégia não funcionou porque nos artigos mais antigos não encontrei as bases de dados usadas pelos autores, nos artigos mais recentes são usadas técnicas que nãos erá vistas neste curso. Desta forma as aplicações passaram a ser uma discussão sobre temas relevantes em macroeconomia…

Ainda sobre o IPCA de 2016... O ano em que voltou a ser permitido ser pessimista sem ser acusado de terrorista econômico.

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Nos últimos anos ficou comum ver certos jornalistas, políticos e membros da equipe econômica do governo de plantão atacando economistas que faziam previsões que desagradavam o governo, a pancada era ainda mais forte nos jornalistas que divulgavam tais previsões. Quem desafiava o ridículo otimismo do governo ganhava títulos como terrorista econômico, inimigo dos pobres, inimigo do estado, serviçal da banca ou piadista. Em um dos pontos mais absurdos da perseguição chegaram a ensaiar a tese estapafúrdia que economistas forçavam a expectativa de inflação para cima como forma de forçar o aumento dos juros, em um dos pontos mais patéticos criaram a figura do pessimildo.

O curioso é que no governo Dilma, auge da perseguição a quem contrariava o governo, o mercado via de regra era otimista com a inflação, no sentido que a regra era o mercado prever uma inflação menor que a inflação que acontecia. Para ilustrar esse fato a figura abaixo mostra a expectativa de inflação mês a mês conforme o úl…

IPCA de 2016 fica dentro da meta e deixa claro o efeito da mudança na equipe econômica.

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A inflação medida pelo IPCA terminou o ano dentro do intervalo da meta (link aqui), mesmo sabendo que nossa meta é alta e que uma inflação de 6,29% ainda é muito alta temos motivos para comemorar, afinal, contrariando as expectativas do mercado e minhas, o Banco Central conseguiu que a inflação ficasse abaixo do teto da meta ainda em 2016. Ilan Goldfajn tomou posse como presidente do Banco Central em nove de junho indicado por um governo que só saiu da condição de interino em trinta e um de agosto. A figura abaixo mostra como a chegada de Goldfajn e equipe mudou a trajetória da inflação.



Na figura estão os valores do IPCA de cada mês nos anos de 2011 a 2016. Repare que em todos os anos de 2011 a 2015 o IPCA cai até a metade do ano e sobe a partir deste período, o padrão está relacionado a sazonalidade de alguns preços e não é um problema em si. Tivesse o IPCA de 2016 seguido este padrão a inflação teria terminado o ano acima do teto da meta, talvez não tão alta quanto os 10,6% de 2015…

Não é exatamente por malandragem, é por baixa produtividade.

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É comum encontrar explicações para nosso baixo PIB per capita que partem da ideia que brasileiro trabalha pouco, ou seja, não somos ricos por sermos malandros. Parte dessa ideia deve vir da simpatia que temos com os malandros, embora pareça que tal simpatia está diminuindo nos últimos anos. Veja o Rio de Janeiro, a cidade que serviu de cenário para a Ópera do Malandro e para os filmes do Hugo Carvana, hoje tem como prefeito um pastor evangélico fazendo parecer que a ética protestante chegou do lado de baixo do equador. Apesar disso a imagem do brasileiro malandro persiste. Nem mesmo trabalhando, morando lá longe e chacoalhando num trem da Central, dizem as más línguas, conseguimos perder a fama de malandros, talvez por culpa dos malandros com aparato de malandro oficial.
Para checar se nossa suposta malandragem pode ser a causa de não sermos um país rico resolvi dar uma olhada nos dados da PWT 9.0 (link aqui). Nesta versão da PWT constam dados de horas médias trabalhadas para alguns …

Poupança, Investimento... e Juros

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É quase um consenso entre economistas, empresários, governantes e outros que se interessam pelas questões relacionadas à economia brasileira que temos uma baixa taxa de investimento. É difícil ler a seção de economia de um jornal sem esbarrar em algum empresário dizendo que o investimento é baixo por conta das altas taxas de juros, mais difícil ainda é encontrar alguém que tente explicar a razão de que mesmo com uma taxa de juros alta os brasileiros demandam mais capital do que ofertam, ou seja, nossa taxa de investimento, que expressa a demanda por capital, é maior que nossa taxa de poupança, que expressa nossa oferta de capital. Sendo os juros no Brasil tão altos e sendo os juros o “prêmio” por poupar era de se esperar que nossa taxa de poupança fosse alta. Alguém pode tentar argumentar que nossa taxa de poupança é baixa porque somos um povo muito impaciente de forma que nem com juros altos nos dispomos a poupar, é um caminho, porém uma das implicações desse argumento é que a taxa …