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Mostrando postagens de Dezembro, 2016

2016 - O ano em que voltamos a falar de reformas

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A valer as previsões do Relatório Focus, divulgado pelo Banco Central, este ano vamos terminar em média 3,49% mais pobres do que começamos. Dois anos seguidos de queda do PIB era algo que não se via desde a década de 1930, não por acaso estamos assustados e preocupados com a economia. Porém eu arrisco dizer que, apesar dos números ruins de crescimento e emprego, 2016 pode ainda vir a ser lembrado como o ano em que começamos a tentar arrumar o desastre econômico que foi construído entre 2006 e 2015, vou além, se o governo tivesse forçado a barra para ter números melhores para crescimento e emprego ainda em 2016 eu estaria mais preocupado do que estou. De certa forma 2016 foi o tipo de ano em que quanto melhor, pior.
Para facilitar meu ponto será preciso fazer uma breve explicação da origem da crise, para uma explicação mais cuidadosa recomendo um post de 2015 chamado “Billie Jean“ (link aqui), um post de 2016 chamado “Sobre a dupla natureza da crise econômica” (link aqui) e um post de…

Investimento e saldo em transações correntes pelo mundo

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Peço aos amigos que assistam o vídeo abaixo:


Aos 42 segundos começa a seguinte conversa entre Bresser-Pereira e Alexandre Schwartsman que segue até 1:10:
- (Schwartsman). Se fosse verdade o que você está falando Bresser, você não veria uma relação negativa entre a taxa de investimento e o saldo em conta corrente. Essa relação existe.
- (Bresser). Não existe essa relação, absolutamente não existe não existe esta relação, não existe.
- (Schwartsman). Não estou nem dizendo que esta seja uma relação de causa e efeito, provavelmente as duas coisas estão acontecendo simultaneamente.
- (Bresser). Está mais do que verificado que quando maior o déficit em conta corrente...
- (Schwartsman). A relação existe e é negativa. Quanto maior o investimento, maior o déficit em conta corrente.
- (Bresser). Está mais do que verificado que quanto maior o déficit em conta corrente, menor o investimento.
As últimas frases ficaram confusas porque a conversa começa com o saldo em conta corrente e termina com …

Cometários a respeito das medidas de "Crescimento, Produtividade e Desburocratização"

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Ontem o governo anunciou um conjunto de medidas para estimular a economia. Li muita gente reclamando que o pacote era modesto e não trazia nada de impacto para retomar o crescimento de curto prazo. Na minha avaliação a modéstia e falta de medidas de impacto de curto prazo são os pontos forte do conjunto de medidas. O foco em reformas e produtividade, por mais que tenham um tanto de retórica, mostram de forma clara a mudança na estratégia de construção na política econômica, porém, como ninguém é de ferro, alguns pontos ficaram parecidos com políticas que deram errado no passado recente, pior, a festa dos compadres se infiltrou nas medidas. A seguir comento os dez eixos do programa Crescimento, Produtividade e Desburocratização conforme a apresentação na página do Ministério da Fazenda (link aqui).
1. Regularização Tributária O Programa de Regularização Tributária (PRT) é mais um REFIS. Programas assim sempre podem ser criticados pela possibilidade de risco moral, ou seja, de algumas e…

PIB per capita e desempenho no PISA: Uma primeira olhada nos dados do PISA 2015

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Hoje um post muito útil no R-bloggers dava dicas de como usar os dados do PISA 2015 no R (link aqui). Tem muita coisa interessante para ser feita e recomendo fortemente a quem se interessa por educação que dê uma olhada no post e tire um bom tempo para explorar as muitas variáveis disponíveis na base de dados do PISA. Ter livros de poesia em casa influenciam a nota em matemática no PISA? Questões como esta podem ser discutidas usando os dados do PISA 2015. No devido tempo tentarei tratar de assuntos do tipo aqui no blog, mas, para começar, fiquei em terreno conhecido e resolvi cruzar os dados do PISA por disciplina e país com os dados do FMI de PIB per capita para observar a correlação (não é causalidade!) entre a nota no PISA e o PIB per capita. Como de costume darei destaque ao Brasil.
Para fazer isso considerei as notas de todos os países em matemática, ciências e leitura e a média entre 2011 e 2015 do PIB per capita corrigido por poder de compra que consta na versão de abril de 2…

O ajuste fiscal, cedo ou tarde, será feito. A questão é saber como será feito.

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Via de regra governos não desejam fazer ajustes fiscais, talvez seja possível pinçar um ou outro governo em algum país que tenha escolhido fazer um ajuste fiscal, mas são exceções, o governante típico está preocupado em permanecer no poder e cortar gastos dificilmente ajuda nesse objetivo. Temer, assim como Dilma antes dele, certamente não está entre as exceções, o ajuste fiscal proposto por ambos decorreu dar necessidade e não de escolhas. A verdade é que desde muito sabemos que o Brasil precisava de um ajuste fiscal, a primeira tentativa séria, ainda no governo Lula, foi feita pelo ministro Palocci e derrotada por Dilma, então ministra da Casa Civil. Na sequência vimos uma série de tentativas tímidas que não tiveram sucesso em ajustar as contas públicas.
Uma rápida pesquisa na internet revela tais tentativas no governo Dilma. Em agosto 2011 o Valor anunciava que “Mantega pede sintonia fiscal entre os poderes para enfrentar a crise” (link aqui). Em 2013 o site O Economista citava o…

É o primário!

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Vez por outra aparece alguém propondo alguma variação da tese que basta o governo pagar menos juros para não ter que se preocupar com o primário, da minha parte creio que é o contrário: para que os juros caiam o governo precisa controlar o primário. De toda forma o fato é que os juros pagos pelo governo federal estão caindo como proporção do PIB e, como bem sabemos, isso não decore do aumento do PIB, pelo contrário. Depois de alcançar um pico de 7,34% do PIB (acumulado em 12 meses) em janeiro de 2016 o pagamento de juros começou a cair chegando a 4,93% do PIB (acumulado em 12 meses) em outubro de 2016. Por outro lado, o primário segue a trajetória de aumento iniciada por volta de julho de 2011. A figura abaixo, elaborada com dados do Banco central, mostra o resultado nominal, o pagamento de juros e o resultado primário a nível federal.



Naturalmente a figura não prova a tese que o controle do primário leva à queda dos juros pagos pelo governo, porém mostra que descuido com o resultado…