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Mostrando postagens de Maio, 2015

Porque critico o ajuste de Dilma, Levy e Tombini.

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Para que serve um ajuste fiscal? Para que serve o aperto da política monetária? Creio que as respostas a essas perguntas podem ajudar a entender melhor o atual debate econômico. A política de ajuste da atual equipe econômica tem sido alvo de críticas vindas de vários grupos de economistas. Um destes grupos é o mesmo que elogiava a política econômica do primeiro mandato de Dilma e saudou a Nova Matriz Econômica como o caminho para a retomada do crescimento. Creio que essa turma faria melhor se tentasse explicar porque no lugar de crescimento a combinação de desvalorização do câmbio, redução dos juros, expansão fiscal e ativismo do BNDES nos colocou na pior crise econômica das últimas décadas. De preferência uma explicação que não apelasse para uma crise econômica que por alguma razão não explicada faz do Brasil uma de suas vítimas preferidas. Porém existe um outro grupo, do qual pretendo fazer parte, que apontou a adoção da Nova Matriz como um erro, cantou a bola da crise que de fato …

Resultados do PIB para o primeiro trimestre de 2015: A crise é grave e está cada vez mais difícil culpar o resto do mundo

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Conforme esperado o PIB brasileiro encolheu no primeiro trimestre de 2015. Na comparação do primeiro trimestre de 2015 com o último trimestre de 2014 a queda foi de 0,2%, em termos anualizados, como é feito nos EUA, a retração seria de 0,78%. Comentarei de forma mais detalhada os números que comparam o primeiro trimestre de 2015 com o primeiro trimestre de 2014, porém um dado que acontece tanto na comparação do primeiro trimestre de 2015 com o último de 2014 quanto na comparação do primeiro de 2014 com o primeiro de 2015 é que o único componente da demanda que aumentou no primeiro trimestre de 2015 foram as exportações de bens e serviços. Imagino que o dado seja um tanto quanto embaraçoso para os que insistem em culpar o resto do mundo por nossa crise.
Na comparação do primeiro trimestre de 2015 com o primeiro trimestre de 2014 a retração foi de 1,6%. É uma queda expressiva que fica ainda mais grave quando observamos a composição do PIB. Pelo lado da oferta o primeiro fato a ser dest…

Salários e Horas Trabalhadas

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A  Folha de São Paulo noticiou que o governo estuda reduzir a jornada de trabalho para conter o crescimento do desemprego (link aqui). Segundo a reportagem as centrais sindicais defendem uma redução na jornada de 30% e uma redução nos salários de 15%, a proposta das centrais sindicais, como era de se esperar, levaria a um aumento no valor da hora trabalhada. A relação entre horas trabalhadas e salário real é um tema particularmente espinhoso para quem estuda o ciclo de negócios, em 1992 os professores Gary Hansen e Randall Wright escreveram um texto a respeito do tema que até hoje pode ser lido como uma introdução ao assunto (link aqui). No texto os autores exploram as inconsistências entre teoria e os fatos relativos ao comportamento das horas trabalhadas e da produtividade do trabalho durante o ciclo econômico.
Modelos de tradição neoclássica, especificamente os modelos de ciclos reais, descrevem as flutuações a partir de choques de produtividade que deslocam a função de produção e…

Políticas de Habitação no Brasil e o "Sonho da Casa Própria".

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Duas notícias mostram que o governo está planejando intervir no mercado para estimular o setor de construção civil por meio de incentivos ao crédito para compra de casas próprias. A primeira do Estadão fala de um pacote habitacional que faria uso do FGTS e dos depósitos compulsórios que os bancos fazem no Banco Central como forma de aumentar o crédito para compra de casas próprias (link aqui), a reportagem chama atenção para dificuldades em financiar imóveis entre R$ 300 mil e R4 400 mil. Registre-se que imóveis nessa faixa não são destinados aos pobres. A outra reportagem está no Globo e tem um título mais assustador, fala que o governo estuda punir bancos que emprestem pouco para habitação (link aqui). A punição seria oferecer taxas negativas para os recursos destinados ao financiamento de moradias que os bancos deixem parados no BC, segundo a reportagem hoje os recursos ficam no Banco Central sem remuneração e não podem ser usados para outras finalidades. Os recursos são referente…

Sobre vendeta neoliberal, sociólogos europeus e mordidas de vira-latas.

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Nesta semana recebemos a visita do sociólogo italiano Domenico De Masi (autor do livro Ócio Criativo, link aqui). A Folha de São Paulo o entrevistou (link aqui) e deu a seguinte chamada para entrevista: “Intelectual brasileiro tem mentalidade de Terceiro Mundo, diz sociólogo.” Na última frase da entrevista o sociólogo italiano afirma: “Os brasileiros têm complexo de vira-lata.”. Me pergunto qual seria a reação da intelectualidade local se as mesmas declarações fossem dadas por um conservador americano, um liberal inglês ou algum pensador que nossa intelligentsia classifique como “de direita”.
A conclusão final aparentemente resulta de uma pesquisa com uma amostra impressionante de 11 intelectuais brasileiros que se mostraram pessimistas com o Brasil e depois se mostraram mais otimistas quando foram confrontados com dados reais tais como: “O PIB brasileiro é o sétimo do mundo, à frente da Itália e da Inglaterra. O Brasil está em quinto em produção industrial. Está em terceiro lugar e…