Comentários a respeito do discurso de Dilma

Segue abaixo o discurso da presidente Dilma por ocasião da comemoração do Dia Internacional da Mulher. O discurso está em preto e meus comentários estão em azul, o link para o discurso está aqui.

Meus queridos brasileiros, e, muito especialmente, minhas queridas brasileiras.
Hoje é o Dia Internacional da Mulher. Falar com vocês mulheres - minhas amigas e minhas iguais - é falar com o coração e a alma da nossa grande nação. Ninguém melhor do que uma mãe, uma dona de casa, uma trabalhadora, uma empresária, é capaz de sentir, em profundidade, o momento que um país vive.
Mas todos sabemos que há um longo caminho entre sentir e entender plenamente. É preciso, sempre, compartilharmos nossa visão dos fatos. Os noticiários são úteis, mas nem sempre são suficientes. Muitas vezes até nos confundem mais do que nos esclarecem. As conversas em casa, e no trabalho, também precisam ser completadas por dados que nem sempre estão ao alcance de todas e de todos.
Concordo totalmente. Conversas e noticiários devem ser confrontados com dados, faço isto de forma recorrente aqui no Blog. Imaginei que após falar isto a presidente fosse apresentar e analisar dados para defender as teses que apresentava, ledo engano, a presidente acredita que noticiários, conversas em casa e conversas no trabalho devem ser complementadas por dados, mas o que ela fala não, afinal ela é a presidente. 
Por isso, eu peço que você - e sua família - me ouçam com atenção. Tenho informações e reflexões importantes que se compartilhadas vão ajudá-los a entender melhor o momento que passamos. E a renovar a fé e a esperança no Brasil! É uma boa hora para que eu tenha uma conversa, mais calma e mais íntima, com cada família brasileira - e faça isso com a alma de uma mulher que ama seu povo, ama seu país e ama sua família.
Vamos começar pelo mais importante: o Brasil passa por um momento diferente do que vivemos nos últimos anos. Mas nem de longe está vivendo uma crise nas dimensões que dizem alguns. Passamos por problemas conjunturais, mas nossos fundamentos continuam sólidos. Muito diferente daquelas crises do passado que quebravam e paralisavam o país.
A presidente afirmou que a crise não é tão grande como dizem alguns, ela não especificou quem, e sugeriu que a crise é menor do que as crises do passado. A maneira tradicional de avaliar crise econômica é pela taxa de crescimento do PIB, a figura abaixo mostra a taxa de crescimento do PIB entre 1947 e 2013. Os dados são do Ipeadata e correspondem a série de PIB real a preços de 1980, que é a série de PIB real elaborada e disponibilizada pelo IBGE.


Reparem em todo período nunca foi observado crescimento negativo por dois anos seguidos, repare também que depois da estabilização apenas em 2009 tivemos crescimento negativo, para os que não lembram 2009 foi o ano em que o mundo sentiu os efeitos da grande crise que estourou em setembro de 2008. Praticamente todos os analistas, no Brasil e no exterior, que se dedicam a projetar o crescimento da economia brasileira projetam crescimento negativo em 2014 e e 2015. Mesmo assim a presidente afirma que a crise não é tão grande e que as do passado eram piores. Definitivamente é bom olhar os dados.
Nosso povo está protegido naquilo que é mais importante: sua capacidade de produzir, ganhar sua renda e de proteger sua família. As dificuldades que existem - e as medidas que estamos tomando para superá-las - não irão comprometer as suas conquistas. Tampouco irão fazer o Brasil parar ou comprometer nosso futuro.
O governo insiste na tese que a manutenção do nível de emprego implica que tudo está bem, uma análise mais cuidadosa dos números mostra que a manutenção da taxa de desemprego decorre mais da saída de trabalhadores da força de trabalho do que da criação de novos empregos. Fiz uma análise detalhada dos números de emprego no ano passado (link aqui), de lá para as coisas pioraram muito, todo dia temos notícias de grandes demissões em diversos setores da economia. Infelizmente parece que a falta de dinamismo da economia brasileira começa a afetar a taxa de desemprego, em janeiro deste ano a taxa de desemprego foi de 5,3%, ainda um número baixo comparado a série histórica, porém maior que a de dezembro de 2014 (4,8%), o que não quer dizer muita coisa, e maior que a de janeiro de 2014 (4,8%) o que pode ser um significado mais sério. Curioso notar que a taxa de janeiro nos colocou muito próximos aos EUA onde a taxa de desemprego está 5,5%, porém caindo. 
A questão central é a seguinte: estamos na segunda etapa do combate à mais grave crise internacional desde a grande depressão de 1929. E, nesta segunda etapa, estamos tendo que usar armas diferentes e mais duras daquelas que usamos no primeiro momento.
Como assim segunda etapa de combate a crise? Lula não tinha dito que a crise era uma marolinha? Se Dilma sabia que estávamos migrando para uma segunda etapa de combate a crise não teria sido mais honesto ela ter dito isto na campanha? O que ocorreu no cenário internacional entre a campanha e hoje que a levou a deflagrar esta segunda etapa?
Como o mundo mudou, o Brasil mudou e as circunstâncias mudaram, tivemos, também, de mudar a forma de enfrentar os problemas. As circunstâncias mudaram porque além de certos problemas terem se agravado - no Brasil e em grande parte do mundo -, há ainda a coincidência de estarmos enfrentando a maior seca da nossa história, no Sudeste e no Nordeste.
Não sei dizer se a atual seca é a maior de nossa história, ela bem que poderia ter mostrado uns dados... 
Entre muitos efeitos graves, esta seca tem trazido aumentos temporários no custo da energia e de alguns alimentos. Tudo isso, eu sei, traz reflexos na sua vida. Você tem todo direito de se irritar e de se preocupar. Mas lhe peço paciência e compreensão porque esta situação é passageira. O Brasil tem todas as condições de vencer estes problemas temporários - e esta vitória será ainda mais rápida se todos nós nos unirmos neste enfrentamento.
Tenho direito de me irritar? Sério? Onde devo agradecer por tamanho direito? Eu fico irritado quando o Botafogo perde, quando pego trânsito inesperado ou quando meu avião atrasa. O que está correndo com o Brasil não me deixa irritado, não sei devo usar o adjetivo que me ocorre, mas a destruição de vários dos avanços econômicos duramente conquistados desde a estabilização e meu consequentemente empobrecimento me deixa mais alterado que uma derrota do Botafogo de virada para o Flamengo em um final de campeonato, imagino que eu não seja o único.
Não vejo uma razão para acreditar que a crise é passageira, segundo o último Relatório Focus publicado pelo Banco Central (link aqui) este ano vamos ter crescimento negativo e em 2016 vamos crescer 1,6%, um número extremamente baixo. Como já mostrei em outro post (link aqui) o crescimento previsto pelo Relatório Focus costuma ser menor do que o crescimento que de fato ocorre. Lembram no Jornal Nacional quando a presidente falou dos indicadores de antecedente? Pois é, ela bem poderia ter nos mostrados quais indicadores justificam a tese que a crise é passageira, talvez a questão esteja na definição de passageira...
Peço a vocês que nos unamos e que confiem na condução deste processo pelo governo, pelo Congresso, e por todas as forças vivas do nosso país - e uma delas é você!
União? Mal tem uma semana que o líder do partido da presidente nos ameaçava com o que ele mesmo chamou de "exército do Stédile". 
Queremos e sabemos como fazer isso, distribuindo os esforços de maneira justa e suportável para todos. Como sempre, protegendo de forma especial as classes trabalhadoras, as classes médias e os setores mais vulneráveis.Temos compromissos profundos com o futuro do país e vamos continuar cumprindo, de forma inabalável, estes compromissos.
Minhas amigas e meus amigos,
A crise afetou severamente grandes economias, como os Estados Unidos, a União Europeia e o Japão. Até mesmo a China, a economia mais dinâmica do planeta, reduziu seu crescimento à metade de suas médias históricas recentes. Alguns países estão conseguindo se recuperar mais cedo.
Até pensei em fazer um gráfico mostrando os números, mas o blog Dinheiro Público & cia fez um que cabe bem aqui.

O Brasil, que foi um dos países que melhor reagiu em um primeiro momento, está agora implantando as bases para enfrentar a crise e dar um novo salto no seu desenvolvimento. Nos seis primeiros anos da crise, crescemos 19,9%, enquanto a economia dos países da Zona do Euro, caiu 1,7%.
É verdade que nos saímos bem nos primeiro anos, antes do governo Dilma e da nefasta Nova Matriz Econômica, depois da tal matriz trazida pela equipe econômica de Dilma só deu desgraça. Poderia parar aqui, mas creio que é preciso falar mais. Não é novidade que é possível comprar a saída de uma crise, o problema é que no futuro a crise pode vir com mais força. Existe um bom debate a este respeito, para os interessados pela tese que defendo recomendo o texto do Gonzalo Fernández de Córdoba e do Timothy J. Kehoe (link aqui). Para os que não quiserem ou puderem ler o texto inteiro deixo aqui o último parágrafo:

"Studying the experience of countries that have experienced great depressions during the twentieth century teaches us that massive public interventions in the economy to maintain employment and investment during a financial crisis can, if they distort incentives enough, lead to a great depression. Those who try to justify the sorts of Keynesian policies implemented by the Mexican government in the 1980s and the Japanese government in the 1990s often quote Keynes’s dictum from A Tract on Monetary Reform: “The long run is a misleading guide to current affairs. In the long run we are all dead.” Studying past great depressions turns this dictum on its head: “If we do not consider the consequences of policy for productivity, in the long run we could all be in a great depression.”"
O texto é de 2009, a conclusão acima é consistente com as conclusões de um livro anterior que foi editado pelo Timothy Kehoe (um dos autores do textto que citei acima) e pelo Edward Prescott (Nobel de Economia em 2004) que analisa grandes depressões em vários países (link aqui). A constatação feita pela presidente de de que começamos bem e estamos terminando muito mal no combate a crise é compatível com a análise de outras grandes depressões. Infelizmente como a presidente aumentou ainda mais as distorções na economia em seu primeiro mandato ela acabou por agravar a crise que estamos vivendo.
Pela primeira vez na história, o Brasil ao enfrentar uma crise econômica internacional não sofreu uma quebra financeira e cambial. O mais importante: enquanto nos outros países havia demissões em massa, nós aqui preservamos e aumentamos o emprego e o salário. Se conseguimos essas vitórias antes, temos tudo para conseguir novas vitórias outra vez. Inclusive, porque decidimos, corajosamente, mudar de método e buscar soluções mais adequadas ao atual momento. Mesmo que isso signifique alguns sacrifícios temporários para todos e críticas injustas e desmesuradas ao governo.
Mentira, quando ocorrem crises nas economias ricas não é raro o Brasil ficar de fora. Durante a crise do petróleo em 1973 o Brasil cresceu acima de 5% ao ano, basta olhar o gráfico acima ou lembrar da infame "Este é um Pais que vai pra frente, ou, ou, ou, ou, ou" muito cantadona época.
Na tentativa correta de defender a população, o governo absorveu, até o ano passado, todos os efeitos negativos da crise. Ou seja: usou o seu orçamento para proteger integralmente o crescimento, o emprego e a renda das pessoas. Realizamos elevadas reduções de impostos para estimular a economia e garantir empregos. Ampliamos os investimentos públicos para dinamizar setores econômicos estratégicos. Mas não havia como prever que a crise internacional duraria tanto. E, ainda por cima, seria acompanhada de uma grave crise climática. Absorvemos a carga negativa até onde podíamos e agora temos que dividir parte deste esforço com todos os setores da sociedade.
Ver o gráfico com o crescimento de diversas economias e os comentários sobre os resultados do Timothy Kehoe a respeito de grandes depressões que estão acima.
É por isso que estamos fazendo correções e ajustes na economia. Não é a primeira vez que o Brasil passa por isso. Em 2003, no início do governo Lula, tivemos que tomar medidas corretivas. Depois tudo se normalizou e o Brasil cresceu como poucas vezes na história. São medidas para sanear as nossas contas e, assim, dar continuidade ao processo de crescimento com distribuição de renda, de modo mais seguro, mais rápido e mais sustentável.
Todo mundo que acompanha economia sabia que as medidas de ajuste eram necessárias, mesmo assim a senhora negou categoricamente a necessidade de tais medidas durante a campanha.
Você que é dona de casa ou pai de família sabe disso. Às vezes temos de controlar mais os gastos para evitar que o nosso orçamento saia do controle. Para garantir melhor nosso futuro. Isso faz parte do dia a dia das famílias e das empresas. E de países também. Mas estamos fazendo de forma realista e da maneira mais justa, transparente e equilibrada possível. As medidas estão sendo aplicadas de forma que as pessoas, as empresas e a economia as suportem. Como é preciso ter equidade, cada um tem que fazer a sua parte. Mas de acordo com as suas condições.
Donas de casa e pais de família? As feministas viram isto? Disseram alguma coisa?
Foi por isso, que começamos cortando os gastos do governo, sem afetar fortemente os investimentos prioritários e os programas sociais. Revisamos certas distorções em alguns benefícios, preservando os direitos sagrados dos trabalhadores. E estamos implantando medidas que reduzem, parcialmente, os subsídios no crédito e também as desonerações nos impostos, dentro de limites suportáveis pelo setor produtivo.
Estamos fazendo tudo com equilíbrio, de forma que tenhamos o máximo possível de correção com o mínimo possível de sacrifício. Este processo vai durar o tempo que for necessário para reequilibrar a nossa economia. Como temos fundamentos sólidos e as dificuldades são conjunturais, esperamos uma primeira reação já no final do segundo semestre deste ano.
Cortando gastos? Sacrifícios para todos? Em dezembro de 2014 o Tesouro autorizou mais de R$ 30 bilhões para o BNDES. Enquanto os sacrifícios para a plebe eram anunciados nos jornais os bilhões da corte estavam sendo garantidos. O link para notícia está aqui.
Mais importante, no entanto, do que a duração destas medidas será a longa duração dos seus resultados e dos seus benefícios. Que devem ser perenes no combate à inflação e na garantia do emprego. Que devem ser permanentes na melhoria da saúde, da educação e da segurança pública.
As medidas serão suportáveis porque além de sermos um governo que se preocupa com a população, temos hoje um povo mais forte do que nunca. O Brasil tem hoje mais qualificação profissional, mais infraestrutura, mais oportunidades de estudar e mais empreendedores. Somos a 7a economia do mundo. Temos 371 bilhões de dólares de reservas internacionais. 36 milhões de pessoas saíram da miséria e 44 milhões foram para a classe media. Quase dez milhões de brasileiras e brasileiros são hoje micro e pequenos empreendedores. E continuamos com os melhores níveis de emprego e salário da nossa história.
As medidas serão duras, mas os benefícios serão sentidos por um longo período, somos grandes e etc. Teria sido interessante ouvir isto na campanha, agora soa falso.

Minhas amigas e meus amigos,
O que tenho de mais importante a garantir, hoje, vou resumir agora.
Primeiro: o esforço fiscal não é um fim em si mesmo. É apenas a travessia para um tempo melhor, que vai chegar rápido e de forma ainda mais duradoura.
Ajustes fiscais são feitos para levar a economia a tempos melhores, muitos concordam com isto, Dilma é que não concordavam. Quem lembra da ministra da Casa Civil que criticava duramente o ministra da Fazenda por conta de ajuste fiscal? Aquele ministro que em 2003 que hoje a presidente elogia. Ainda não lembrou? Eu digo: foi Dilma. Se quiser refrescara a memória leia a reportagem intitulada "Confronto com Dilma leva Palocci a cogitar deixar o Governo" (link aqui). A ministra que via o ajuste fiscal como que um mal em si mesmo mesmo hoje já não o enxerga como um fim em si mesmo. Alguma explicação? Algum pedido de desculpas?
Segundo: não vamos trair nossos compromissos com os trabalhadores e com a classe média, nem deixar que desapareçam suas conquistas e seus direitos.
Já traiu. Foram retirados direitos relativos ao seguro desemprego e as pensões. Ah mas as medidas foram boas e/ou necessárias, alguém dirá. Você está dizendo isto para mim? Sério? Logo eu que digo que são necessárias reformas que tornem nossa previdência menos generosa desde o final do século passado? Logo eu que fui acusado de não respeitar os mais velhos por economistas e políticos ligados ao PT? Não perca seu tempo dizendo para mim, diga para a presidente que várias vezes negou a necessidade de tais mudanças e chamou de inimigos do povo que defendeu propostas na linhas das medidas que ela tomou.
Terceiro: não estamos tomando estas medidas para voltarmos a ser iguais ao que já fomos. Mas, sim, para sermos muito melhores.
As medidas estão tomadas porque não tem como não tomar. A Nova Matriz Econômica simplesmente não é mais viável e o governo foi obrigado a bater em retirada em direção ao velho tripé macroeconômico, tanto sofrimento desnecessário... Vamos ter tempos melhores? Espero que sim, mas se temos tempos tão ruins é porque abandonamos o bom caminho que vínhamos seguindo e começamos a seguir atalhos. Dilma participou do abandono, primeiro como ministra da Casa Civil e depois como Presidente da República.
Quarto: durante o tempo que elas durarem, o país não vai parar. Ao contrário, vamos continuar trabalhando, produzindo, investindo e melhorando.
O país não está parado, o país está andando para trás. Previsão de queda do PIB, a produção industrial caiu 3,5% nos últimos doze meses, demissões em massa... Não foi a senhora quem mandou olhar os números?
As coisas vão continuar acontecendo. Junto com as novas medidas, estamos mantendo e melhorando os nossos programas. Entregando grandes obras. Nossas rodovias e ferrovias, nossos portos e aeroportos continuarão sendo melhorados e ampliados.
Grandes obras? Como Belo Monte? Como a transposição do São Francisco? Foram dua ou foram três campanhas em cima das tais grandes obras? Não seria melhor entregar as obras antes de voltar a falar delas? Está ficando chato.
Para isso, vamos fazer, ainda este ano, novas concessões e firmar novas parcerias com o setor privado. Incluímos - e vamos continuar incluindo - milhões e milhões de brasileiros. Mas agora a inclusão tem que se dar, sobretudo, pelo acesso a melhores oportunidades e a serviços públicos de maior qualidade.
Este esforço tem que ser visto como mais um tijolo, no grande processo de construção do novo Brasil. Esta construção não é só física, mas também espiritual. De fortalecimento moral e ético.
Com coragem e até sofrimento, o Brasil tem aprendido a praticar a justiça social em favor dos mais pobres, como também aplicar duramente a mão da justiça contra os corruptos. É isso, por exemplo, que vem acontecendo na apuração ampla, livre e rigorosa nos episódios lamentáveis contra a Petrobras.
Por episódios lamentáveis acontecendo com a Petrobras a presidente quer se referir a compras suspeitas realizadas quando ela era presidente do Conselho da Petrobras? A presidente se refere a escândalos de corrupção que até agora já levaram para cadeia diretores da Petrobras indicados pelo governo dela? A presidente se refere as relações suspeitas entre a Petrobras e alguns políticos que fizeram que o Procurador Geral da República indicado por Dilma recomendasse abertura de inquérito contra algumas dezenas de políticos que estão na base de apoio do governo? Aparentemente a grana rolava tão solta que o procurador geral parece suspeitar que sobrou até um troco para um político da oposição. Será que a presidente se refere as estratégias desenvolvimentistas que aumentaram de tal maneira os custos e impossibilitaram a Petrobras de ter preços compatíveis com seus custos? Quem sabe ela esta falando da aventura irresponsável do pré-sal? Difícil dizer, são tantas possibilidades e episódios lamentáveis é uma expressão tão vaga...
Minhas amigas mulheres homenageadas neste dia,
Por último, quero anunciar um novo passo no fortalecimento da justiça, em favor de nós, mulheres brasileiras. Vou sancionar, amanhã, a Lei do Feminicídio que transforma em crime hediondo, o assassinato de mulheres decorrente de violência doméstica ou de discriminação de gênero. Com isso, este odioso crime terá penas bem mais duras. Esta medida faz parte da política de tolerância zero em relação à violência contra a mulher brasileira.
Espero que os condenados não venham a ter suas penas perdoadas a partir de decretos presidenciais...
Brasileiros e brasileiras,
É assim, com medidas concretas e corajosas, em todas as áreas, que vamos, juntos, melhorar o Brasil. É uma tarefa conjunta de toda sociedade, mulheres e homens. Tenho certeza que contará com a participação decisiva do Congresso Nacional, que sempre cumpriu com seu papel histórico nos momentos em que o Brasil precisou.
Temos que encarar as dificuldades em sua real dimensão e encontrar o melhor caminho de resolvê-las. Pois, se toda vez que enfrentarmos uma dificuldade pensarmos que o mundo está acabando - ou que precisamos começar tudo do zero - só faremos aumentar nossos problemas.
Precisamos transformar dificuldades em soluções. Problemas temporários em avanços permanentes.
Reconhecer a natureza das dificuldades e entender como contribuímos para a construção de nossos problemas é condição necessária para transformar dificuldades, temporárias ou não, em soluções. Se culpamos fatores externos por nossos problemas temos pouco a fazer se não se lamentar ou praguejar e amaldiçoar os outros.
O Brasil é maior do que tudo isso e já mostrou muitas vezes ao mundo como fazer melhor e diferente. Mais que nunca é hora de acreditar em nosso futuro. De sonhar. De ter fé e esperança.
Viva a mulher brasileira! Viva o povo brasileiro. Viva o Brasil!
Viva!
Obrigada e boa noite.

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