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Mostrando postagens de 2015

Porcos e espantalhos ou Ille qui male ludit ad palaestram lusoriam non est invitandus

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Começo informando ao leitor que não estou em guerra com todo e qualquer economista que se autodenomine heterodoxo, pelo contrário, tenho vários amigos e colegas que se autodenominam heterodoxos, participei de eventos promovidos pela AKB, já fui convidado para participar do Seminário de Economia Mineira em Diamantina, convite que aceitei com muita satisfação e definitivamente não me arrependi de ter aceito, e, quando fui secretário adjunto da ANPEC foi por convite de uma economista pós-keynesiana que foi eleita secretária executiva. Em várias oportunidades trabalhei junto com economistas autodenominados heterodoxos em fóruns, reuniões e encontros. Nas situações onde eu representava a UnB e o assunto em debate envolvia interesses comuns a grandes departamentos em universidades públicas me entendi várias vezes com a turma da UFRJ, UNICAMP e UFMG. Nada disso me impede de ser um duro crítico do desenvolvimentismo, que é uma mistura de estruturalismo e pós-keynesianismo com pitadas de outr…

Anotações a respeito do desenvolvimentismo e da chegada de Nelson Barbosa à Fazenda

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A chegada de Nelson Barbosa ao Ministério da Fazenda foi acompanhada de uma série de comentários receosos com uma expansão do gasto no que seria a volta da Nova Matriz Econômica. A lógica que justifica o receio é que sendo Nelson Barbosa um economista keynesiano ele acredita que qualquer expansão do gasto público em qualquer tempo e lugar leva a um crescimento do PIB, ocorre que não é assim que pensam todos os keynesianos e isso não deixa de ser verdade se consideramos apenas os keynesianos chamados de heteredoxos. Caso não acredite em mim leia o que disse José Oreiro (link aqui), presidente da Associação Keynesiana Brasileira:
“Não necessariamente. No modelo keynesiano simplificado dos livro-textos introdutórios de macroeconomia é verdade que uma contração fiscal leva a uma queda do nível de atividade econômica e emprego. Mas a realidade é mais complexa do que isso...”
É bem verdade que alguns economistas keynesianos (para não cansar o leitor vou usar o termo keynesiano para me refe…

Que dia!

Que dia...
O voto de Fachin mostra aos desconfiados, como este que vos escreve, que a militância petista não se sobrepôs a análise do jurista. Parei para pensar qual teria sido minha reação se Fachin tivesse concordado com as teses do governo, provavelmente cometeria uma injustiça. Registro pessoal: todo cuidado é pouco.
Por outro lado o voto de Fachin mostra, ou deveria mostrar, de forma clara que os defensores do impeachment não são golpista. Espero que um dia os que acusaram os que defendem o impeachment de golpistas reconheçam que cometeram uma injustiça.
O PGR pediu que Cunha seja afastado da presidência da Câmara e do cargo de deputado, é difícil não concordar com a decisão do PGR. A decisão se junta a outras decisões que desmontam o discurso petista que a justiça e o MP só agem contra o PT. Por outro lado fica um certo mal estar com fato que Renan Calheiros parece estar blindado.
Eduardo Azeredo foi condenado a 20 anos de prisão, mais uma evidência que justiça não escolhe partido.
O…

Juros, ora os juros!

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O fracasso dos planos que buscaram combater a inflação via controle de preços de certa forma ensinaram a sociedade brasileira a respeito dos riscos do governo tentar determinar os preços dos diversos bens e serviços existentes na economia. Hoje dificilmente um presidente conseguiria a popularidade obtida por Sarney com um plano econômico no estilo do Plano Cruzado, pode ser excesso de otimismo meu, mas não consigo imaginar a classe média tentando fechar supermercados com botons de fiscal da Dilma. É verdade que algumas tentativas de controlar preços continuam até hoje, um caso famoso foi o controle de preços dos combustíveis, mas é feito de forma meio envergonhada e sem muito alarde.
Hoje o brasileiro bem informado médio sabe (?) que se um preço está alto não será por meio de um decreto presidencial que o preço será reduzido. Dificilmente um político será eleito prometendo abaixar o preço do pão ou da carne, talvez seja eleito prometendo ônibus de graça, mas ainda assim será bastante…

Qual (ou quem) foi nossa desgraça?

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Nesta semana chamou atenção uma notícia dizendo que das doze maiores economias do mundo apenas o Brasil estará em recessão no próximo ano (link aqui). Inspirado na notícia resolvi checar quantos países vão encolher este ano e quantos vão encolher mais que o Brasil, para isso usei a base de dados do FMI. Na base constam o crescimento previsto para 2015 de 188 países, o único dado não disponível é o da Síria por motivos óbvios. De posse dos dados podemos avaliar se crescimento negativo é um padrão esperado para 2015, figura abaixo mostra a taxa de crescimento de todos os países da base de dados, em verde estão as taxas positivas e em laranja as taxas negativas. Repare que a grande maioria dos países terá crescimento positivo em 2015, o Brasil está com a minoria que terá crescimento negativo.


O resume em números da figura acima é que em 2015 os países do mundo vão crescer em média 2,47%, mais da metade dos países vão crescer acima de 2,88% e apenas 18 dos 188 países vão encolher. Uma dú…

Taxa de Investimento no Brasil e no Mundo: Onde está o BNDES?

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O Brasil tem um banco de desenvolvimento que está entre os maiores do mundo, até onde pude apurar só perde para o da China, para que o leitor tenha ideia do tamanho do BNDES basta ter em mente que o BNDES empresta por ano mais do que o Banco Mundial, um banco que financia investimento em praticamente todo o mundo (link aqui). Com um banco de desenvolvimento tão grande tendo como objetivo financiar o investimento no Brasil era de se esperar que a taxa de investimento no Brasil se destacasse da taxa de investimento de outros países. A guisa de exemplo a China, que possui o maior bando de desenvolvimento do mundo, também tem uma das maiores taxas de investimento do mundo.
Tendo isso em mente fui buscar nos dados do FMI a taxa de investimento entre 2011 e 2014, últimos cinco anos, de 170 países com dados disponíveis e calculei a média da taxa de investimento de cada país nos cinco anos selecionados, o objetivo de fazer a média de cinco anos é amenizar distorções causadas por um só ano qu…

Inflação e Crescimento em 2015

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Na semana passada comparei a dívida pública de diversos países para mostrar que considerando nosso PIB per capita a dívida pública brasileira é alta. Hoje vou aproveitar a base de dados da semana passada e comparar a inflação e o crescimento do Brasil com a inflação e o crescimento dos países da amostra. Para os que não lembram e estão com preguiça de checar o post anterior a amostra é composta pelos países da OCDE, pelos BRICS e por países selecionados da América Latina (Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, México, Paraguai, Peru e Uruguai), tirei a Venezuela para não distorcer os gráficos. Para fins de comparação entre grupos Chile e México, que pertencem a OCDE, foram considerados no grupo América Latina. A figura abaixo mostra a inflação e o crescimento previsto para 2015 pelo FMI para todos os países da amostra.



É possível perceber que a inflação brasileira é uma das mais altas da amostra, perde para Rússia (15,8%) e para Argentina (16,8%), e que nosso crescimento també…

A dívida pública no Brasil é alta!

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Vez por outra esbarro em um argumento que diz que a dívida pública do Brasil é baixa porque países como Reino Unido, França e Estados Unidos possuem dívidas muito maiores em proporção ao PIB. É verdade, segundo as projeções do FMI os Estados Unidos vão terminar 2015 com uma dívida bruta equivalente a 105% do PIB, no Reino Unido será de 89% e na França de 97%, números pequenos se comparados aos 246% do Japão, porém grandes se comparados aos 66% do Brasil. É fato que existem países muito mais endividados que o Brasil, porém o argumento que por conta disso não temos problemas é, para dizer o mínimo, questionável. Em primeiro lugar existe um viés de seleção na escolha da amostra, a existência de países mais endividados que o Brasil não implica que nossa dívida esteja abaixo da média, mal comparando é como um sujeito que pesa 120 quilos argumentar que não está tão gordo porque existem pessoas que pesam mais do que ele. Outro ponto diz respeito às características dos países que estão com d…

Sobre dominância fiscal, política monetária e a proposta de âncora cambial

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Dominância fiscal passou a ser o tema central no debate sobre macroeconomia no Brasil. A discussão foi colocada por Monica de Bolle em uma série de entrevistas e textos curtos (exemplos aqui e aqui), alguns economistas, dentre os quais este que vos escreve, não se mostraram convencidos com o diagnóstico que a economia brasileira vive um período de dominância fiscal e, mais importante, com a proposta que o Banco Central deveria controlar a inflação por meio do câmbio e não por meio da elevação da taxa de juros. A questão da dominância fiscal é uma questão acadêmica que deverá gerar algumas pesquisas nos próximos anos da mesma forma que gerou no passado, porém a proposta de política econômica derivada do diagnóstico de dominância fiscal é assunto urgente que não pode esperar pelos debates acadêmicos. Neste post vou tentar explicar o que é dominância fiscal e comentar a proposta de retomar um regime de câmbio fixo ou de bandas cambiais para controlar a inflação. Para explicar dominância…

Câmbio, reservas e juros: mensagens da Rússia

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Tenho visto alguns amigos defendendo que o BC venda as reservas para segurar o câmbio e de quebra ajudar no lado fiscal, na verdade a ordem pode mudar e o amigo vir a defender que o BC venda reservas para aliviar o lado fiscal e de quebra segurar o câmbio. O segundo argumento faz parte das medidas de populismo econômico tão conhecidas por estas bandas, pensei em escrever a respeito faz algumas semanas quando várias pessoas me questionaram sobre a venda de reservas para ajudar o esforço fiscal, acabei desistindo um pouco por falta de tempo, um pouco por preguiça e um tanto porque discutir ideias assim tende a ser contraproducente. De toda forma os que estão empolgados em vender reservas para abater dívidas podem procurar no Google a respeito do conflito entre Cristina Kirchner e Martín Redrado (link aqui), então presidente do BC argentino que não obedeceu a ordem de Kirchner para colocar reservas em um fundo destinado a ajudar na dívida pública.
O primeiro grupo, os que querem vender …