Avaliação Preliminar das Eleições: Temos Motivos para Festa

Enquanto as atenções estão voltadas para as eleições presidenciais resolvi dar uma olhada com que aconteceu com o Congresso. Não que eu não esteja empolgado com as eleições presidenciais, estou e muito, mas é que a composição do Congresso pode ser decisiva nos próximos anos. Há dez dias havia a possibilidade de uma vitória arrasadora do PT, a disputa com o PSDB seria substituída por uma disputa com um grupo indefinido liderado por uma fundadora do PT. Hoje temos uma vitória, em termos presidenciais estamos mais ou menos como estávamos em 2010, mas as bancadas dos dois partidos que lideram a coalizão governista diminuíram e a bancada do PSDB e outros partidos de oposição estão maiores. Alguém pode dizer que é uma vitória pequena pois o PT continua com a maior bancada na Câmara e o PMDB com a segunda maior. Pode ser que seja uma vitória pequena, mas é uma vitória, para quem estava na condição que estávamos há dez dias atrás comemorar cada pequena vitória é uma obrigação.


Na corrida presidencial o primeiro turno desse ano foi melhor que o de 2014. Em 2010 Dilma teve 46,9% contra 51,9% da oposição (32,57% de Serra e 19,33% de Marina), em 2014 Dilma caiu para 41,6% dos votos no primeiro turno e a oposição subiu para 54,95% dos votos (32,57% de Aécio e 21,3% de Marina). Mas é no Congresso que se percebe o avanço da oposição. A figura à esquerda compara as bancadas dos vários partidos em 2010 e 2014, notem a queda expressiva do PT e do PMDB e ascensão do PSDB. 

Os números são os seguintes: o PT caiu de 88 para 70 deputados, o PMDB de 71 para 66, por outro lado o PSDB subiu de 44 para 55. Do lado da oposição o PPS ganhou quatro deputados (de 6 para 10) e o DEM perdeu seis deputados (28 para 22). Se o PSB for mesmo para oposição será um reforço significativo, seus 34 deputados podem ajudar muito em votações críticas. A figura à direita mostra a variação de cada partido. Em termos percentuais o PT perdeu aproximadamente 20% da bancada e o PSDB amentou a bancada em 25%. As duas maiores quedas foram de partidos da base aliada: o PCdoB, tradicional e fiel aliado do PT, perdeu 40% dos deputados que tinha e o Pros, partido recém fundado e liderado pelos irmão Gomes do Ceará, perdeu 45% dos deputados.  O maior crescimento foi do PTB (44%) e do PSB (42%), dois partidos que participaram da base aliada e romperam com o governo nesta eleição. Cabe registro ao crescimento do PRB, o partido aumentou em 100% o número de deputados, foi de 10 para 20, e me forçou a fazer a amostra com um número maior que 10 deputados para na distorcer meu gráfico.

Analisar mudanças no Senado é mais complicado pois apenas um terço do dos senadores foram trocados nessa eleição. Creio que o PMDB ficará com a maior bancada do Senado por ter eleito cinco senadores, a princípio é uma boa notícia para o governo, mas cabe lembrar que a relação do PT com o PMDB no Senado é cheia de idas e vindas e não são poucos os senadores pemedebistas que compõem com a oposição. O PSDB elegeu quatro senadores, o dobro do PT que só elegeu dois, o DEM elegeu três senadores. Olhando alguns nomes destaco a não reeleição de Suplicy, é uma perda significativa para o PT que perde São Paulo e um senador tradicional com bom trânsito com a oposição. Outro ponto que merece registro é que notórios oposicionistas estarão no Senado: Tasso Jereissati, José Serra, Ronaldo Caiado e Antonio Anastasia se juntam a Álvaro Dias e José Agripino para liderar a oposição. Romário embora eleito em pareceria com o PT pode surpreender o governo, o baixinho não é conhecido por aceitar imposições. Outra que pode surpreender (wishiful thinking detected) é Katia Abreu, outrora nome forte da oposição foi para o PSD e depois para o PMDB e chegou a ser cotada para o ministério de Dilma, mas quem vai pode voltar. Não posso deixar de registrar que o homem forte do governo PT (e de praticamente todos os governos nas últimas décadas) se aposentou e está fora do Senado. Como será o Congresso sem Sarney?

Para resumir meu ponto é que se Aécio ganhar será a consagração da vitória da oposição, não creio que alguém discorde. Se Dilma ganhar terá um Congresso mais duro pela frente, a oposição cresceu e o governo perdeu nomes importantes. Em qualquer caso a oposição estará mais forte em 2014 do que estava em 2010.





Comentários

  1. Caro Roberto Ellery: Parabéns pela análise. O sentimento de desejo de mudança da população prevaleceu nas escolhas de boa parte dos parlamentares eleitos. Por sua vez, o candidato Aécio Neves deu uma demonstração de que sabe dialogar, ser tolerante e persistir. Isso é essencial para vencer uma eleição presidencial. É importante lembrar que a maioria dos votos da Marina são votos pela mudança de um governo marcado pela incompetência, desperdícios, corrupção, autoritarismo e arrogância. Abraços, José Matias-Pereira

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  2. Precisamos saber mais sobre a movimentaçao política. Seu post é um bom começo. Mas ainda pouco sabemos sobre a composicao estadual. Creio que ela revelaria como irão se movimentar os governadores e sua influencia para as eleicoes a prefeito que se aproximam. O que aconteceu em Minas revela o impacto das prefeituras nas eleiçoes federal.

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