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Mostrando postagens de Outubro, 2014

Federalismo e Transferências

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Vários amigos tem me questionado a respeito da tabela abaixo. Segundo a tabela Acre, Alagoas, Amapá, Bahia, Ceará, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraíba, Piauí, Rio Grande do Norte, Rondônia, Roraima, Sergipe e Tocantins receberam mais do que pagaram de impostos ao governo federal. Note que oito dos nove estados do Nordeste estão na lista e que na maioria dos estados da lista Dilma recebeu mais votos do que Aécio. Existem outras análises semelhantes com conclusões parecidas com as da tabela, entre as várias disponíveis cito as do IMB (link aqui) e a do Blog do Kali (link aqui), a tabela que usei está no Blog do Roberto Lacerda (link aqui).



O que penso dos números? Várias coisas. De saída penso que a União está fazendo seu trabalho de tentar reduzir o desequilíbrio regional, algo normal em todas as federações. Como mostra o mapa abaixo a maioria dos estados da lista possuem IDH menor do que os dos estados "pagadores de impostos", o mapa está em  reportagem da Folha se S…

Um Esboço de Agenda Econômica para o Novo Governo

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Terminadas as eleições é hora de pensar o que fazer para recolocar a economia brasileira nos eixos. Para isso a tarefa mais urgente é recuperar a credibilidade da política econômica, tal recuperação será mais difícil com Dilma do que seria com Aécio por um motivo simples: Dilma terá de convencer ao mercado que não repetirá os muitos erros do primeiro mandato e esse convencimento tem um custo. Como Aécio estava na oposição não teria o custo do convencimento e poderia se concentrar no ajuste fiscal e na retomada da credibilidade da política monetária. Enfim, isso é passado, Dilma foi eleita e caberá a ela recolocar a economia nos trilhos... ou não.
A recuperação da estabilidade exige uma equipe econômica que não hesite em tomar as medidas necessárias para recuperar a credibilidade do governo junto ao mercado. Para isso não basta que a nova equipe econômica esteja disposta a aumentar juros e cortar gastos, é preciso que o mercado acredite que ela esteja disposta. Li que Luiz Carlos Trab…

Obrigado Aécio

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No começo não estava entusiasmado nem com a campanha nem com Aécio, meu plano era fazer como nas outras eleições: votar em um candidato sem chances no primeiro turno, tradicionalmente o Eymael, e no segundo turno votar no candidato tucano. Com o trágico acidente que levou Eduardo Campos me senti obrigado a mudar de estratégia, diante da possibilidade de um segundo turno entre Dilma e Marina não apenas decidi votar em Aécio já no primeiro turno como tornei pública minha decisão. A decisão não foi exatamente acompanhada de empolgação, cheguei a temer que Aécio não fosse para segundo turno, embora nunca tenha me juntado aos que sugeriram o abandono da candidatura e um apoio a Marina. Estava pouco confiante mas certo que Aécio era a única opção palatável. Veio o primeiro turno, Aécio não apenas foi para o segundo turno como se saiu muito melhor do que o previsto pelos principais institutos de pesquisa do país.
Com o segundo turno começou a vir a empolgação. É bem verdade que já no primeir…

Brasil e Alemanha: A presidente mandou e eu comparei.

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Não me agrada comparar Brasil e Alemanha, somos um país pobre e eles são ricos, isso torna a comparação meio que inócua. Como a maioria dos que trabalham com crescimento econômico creio que comparações entre países só podem ser feitas quando o PIB per capita tem alguma proximidade, seja quando da comparação seja em um passado não tão distante. Mas como a presidente mandou comparar Brasil com a Alemanha no último debate e eu sou um súdito cidadão obediente farei a comparação.
No formato de nações independentes que conhecemos hoje o Brasil nasceu em 1822 quando D. Pedro I proclamou nossa independência de Portugal e a Alemanha nasceu em 1871 quando o Chanceler Oto von Bismark liderou a unificação alemã. Somos portanto uns cinquenta anos mais velhos que eles. Enquanto tivemos uma história relativamente pacífica com algumas revoltas internas (destaque para a Revolução Farroupilha e a Guerra de Canudos) e uma guerra em nossas fronteiras (Guerra do Paraguai) os alemães foram protagonistas d…

Contabilidade Criativa (ou seria Fraude Contábil?) passa dos Limites

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Há quem diga que o primeiro passo na caminhada que levou a criação da economia de mercado e do capitalismo foi dado em 1494 quando o Frei Luca Pacioli (1445 – 1517) apresentou o mundo o sistema de partidas dobradas, a base da atual contabilidade. Se foi o primeiro ou mais importante eu não sei dizer, mas que foi fundamental creio que poucos duvidam. Sem uma forma estruturada de organizar e apresentar dados contábeis a economia moderna não existiria, investir em uma sociedade anônima seria praticamente impossível. Os que preferem uma economia planificada também precisam da contabilidade, talvez até mais do que os adeptos do livre mercado, sem contabilidade não existe planejamento.
Fiz esta introdução para tratar de uma reportagem do Estadão (link aqui) que me deixou muito preocupado com a situação fiscal do país, não que eu já não estivesse preocupado, pelo contrário, mas a preocupação atingiu um novo patamar. Trata-se de uma discrepância de R$ 3,1 bilhões entre o déficit público acum…

Comentários a Respeito do Preço do Petróleo e do Pré-Sal

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A queda no preço do petróleo coloca algumas questões importantes para economia brasileira, afinal nossa maior empresa é uma petroleira. Por absurdo que pareça alguns viram a queda do preço do petróleo como algo positivo para Petrobras, o absurdo tem uma justificativa. Por conta da política econômica heterodoxa do governo a Petrobras perde dinheiro quando vende gasolina no Brasil, o combate à inflação via controle de preços forçou a empresa a vender com prejuízo. A queda no preço do petróleo e da gasolina no mercado internacional resolveu esta distorção, hoje a Petrobras não está mais tendo prejuízo quando vende.
Há motivo para comemorar? Eu não comemoraria tão rápido. Se a queda do preço for temporária de forma a permitir que a Petrobras reequilibre suas finanças sem correr o risco que a política econômica volte a obrigar que a empresa tenha prejuízos então a notícia pode ser boa. Pequenos ajustes nos preços de gasolina poderão tirar à Petrobras do sufoco sem assustar o governo de pl…

Manifesto de Professores Universitários de Economia

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Manifesto assinado por 164 professores de economia visando desconstruir vários argumentos falaciosos que estão circulando para explicar o desempenho medíocre da economia brasileira e tentar esconder os inúmeros erros que o governo Dilma cometeu na condução da política econômica. Lendo a lista dos que assinaram é fácil perceber que não existe um padrão nem na formação nem na área de atuação dos que assinam o manifesto. Não há como resolver um problema que sequer é reconhecido, é disto que trata o manifesto dos professores de economia. Temos um problema, culpar o mundo por nossos problemas não vai nos ajudar, precisamos identificar os erros que causaram o problemas para podermos pensar nas soluções, não temos mais tempo para fingir que não erramos. Eu assinei o manifesto.
Segue o manifesto conforme e as assinaturas conforme estavam no dia 14/10/2014 (link aqui).
MANIFESTO DE PROFESSORES UNIVERSITÁRIOS DE ECONOMIA
Este texto é um manifesto de um grupo de 164 professores universitários d…