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Mostrando postagens de Agosto, 2014

Maria Conceição Tavares Ataca Novamente

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Maria da Conceição Tavares em entrevista para o jornal O Globo (link aqui) afirma que "ninguém come PIB, come alimentos". Para os que não a conhecem a professora é uma das grandes mestres da heterodoxia econômica no país. Inspiradora, entre outros, de Serra e de Dilma, Maria da Conceição Tavares é conhecida do grande público por ter elogiado às lagrimas o malfadado Plano Cruzado, por ter criticado o Plano Real (link aqui), por ter criticado duramente Marcos Lisboa, primeiro secretário de política econômica de Lula e economista brilhante, por ter tentado desacreditar as políticas sociais focadas, e.g. bolsa família, implementadas por Marcos Lisboa e Palocci (link aqui), enfim, é uma economista que em uma dimensão alternativa onde tudo acontece de forma contrária à nossa seria aclamada pelos acertos em suas previsões para nossa dimensão. Para os que se interessarem pela entrevista deixo uma sugestão de trilha sonora:





Feitas as devidas apresentações devo dizer que concordo que …

Comentários a Respeito do Programa de Governo de Marina

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Tirei um tempo para ler o programa de governo de Marina (link aqui). Costumo preocupo apenas com a parte de economia e relativa à educação, especificamente a que trata do ensino superior, a primeira por ser o tema que estudo e a segunda por ser o meu trabalho. No caso de Marina além destas duas partes tentei olhar com cuidado a parte relativa à política, o motivo é que, ao contrário de Dilma e Aécio, não vejo com que base parlamentar Marina vai tentar implementar as medidas que propõe. Mesmo que o PSB cresça nestas eleições, o que é provável que vá acontecer, é público e notório que Marina não é um quadro do PSB e que talvez nem fique no partido.
O programa é dividido em seis eixos: (i) estado e democracia de alta intensidade; (ii) economia para o desenvolvimento sustentável; (iii) educação, cultura e ciência, tecnologia e inovação; (iv) políticas sociais, saúde qualidade de vida; (v) novo urbanismo, segurança público e o pacto pela vida; e (vi) cidadania e identidades. Para um sujei…

Crônica de uma Recessão Anunciada

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O PIB caiu no segundo trimestre, nenhuma surpresa, todos os que acompanham o assunto com exceção dos economistas do governo e da claque empenhada em defender a desastrosa política econômica de Dilma esperavam os resultados ruins. Antes que me acusem de exagerar na crítica peço que olhem as previsões do governo para 2014, os números estão no projeto de lei orçamentária anual para 2014 (link aqui), os gênios apostaram que o crescimento seria de 4%! Culpa da crise, dirá a claque animada pela presidente Dilma. Cada uma credita no que quer acreditar, eu, por exemplo, acredito que o Botafogo ficará entre os quatro melhores do brasileirão, mas devo avisar que a previsão que o Brasil cresceria 4% em 2014 foi feita em 2013, a crise já era um fato. Desta forma, além de perguntar a razão do baixo crescimento é válido perguntar a razão da economia estar crescendo muito menos que o previsto pelo governo. Em 2013 o governo não sabia que existia uma crise?
Vamos aos números (link aqui). A indústria…

Isto não é Pessimismo

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Ontem, na noite seca de Brasília, já cansado eu lia com má vontade alguns textos sobre a economia brasileira. Economistas muito respeitados escreviam que o pessimismo do mercado decorrente do diálogo ruim do governo com os empresários é o maior problema da economia brasileira. Enquanto tentava acompanhar os argumentos dos textos que lia meus pensamentos se fixavam em reflexões passadas a respeito da economia brasileira. Reflexões de uma época em que muitos dos que escreveram os textos que me atormentavam diziam que tudo estava bem e que uma era de crescimento e prosperidade estava se abrindo para economia brasileira. Assim, meio dormindo e meio acordado, continuei lendo e refletindo e uma voz irritante ao final de cada reflexão dizia “isto não é pessimismo”...
Se amanhã os empresários todos acordarem otimistas e resolverem aumentar a produção vai faltar energia no país e água em São Paulo. Isto não é pessimismo.As contas públicas estão em tal estado de penúria que o governo já está su…

Uma Olhada na PME de Julho

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Por estar mais focado em questões de longo prazo a variável que mais prende minha atenção é a produtividade. É bem verdade que, por dever de ofício e gosto pelo debate, acompanho questões de curto prazo, nesse campo costumo olhar mais para as políticas fiscal e monetária. Ocorre que o atual debate a respeito da economia brasileira tem caminhado a passos largos para a questão do emprego e da renda, desta forma resolvi olhar com mais cuidado a Pesquisa Mensal de Emprego (PME) referente a julho de 2014 (link aqui). A PME é a principal fonte de dados para o cálculo da taxa de desemprego no Brasil e também apresenta dados com o rendimento médio do trabalho. Ao contrário da PNAD a PME não tem abrangência nacional, a pesquisa tem abrangência restrita a seis áreas metropolitanas. Na página do IBGE encontrei uma planilha com os dados para Recife, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo, os dados para Salvador e Porto Alegre não estão disponíveis por conta da greve no IBGE. No que segue far…

Pelo Retrovisor

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Um dos pontos que me chamou atenção na entrevista da presidente Dilma foi quando ela sugeriu que o entrevistador estava olhando pelo retrovisor e devia olhar para frente. Conheço a lógica, quando ocorre uma mudança na política econômica o passado não serve mais de referência e é preciso olhar para frente, grosso modo este é o argumento de Robert Lucas na crítica que fez a economia keynesiana dominante até a década de 1970. Ocorre que a mudança de política implementada por Dilma ocorreu em 2011, desta forma é sim possível e desejável olhar pelo retrovisor para avaliar os resultados da mudança de política. A verdade é que é os resultados foram muito ruins, talvez seja exatamente por isto que Dilma não queria que olhemos no retrovisor. A verdade é que Dilma termina seu primeiro mandato com o país crescendo menos e com mais inflação do que quando recebeu o governo. A verdade é que o governo que anunciou que seria lembrado como governo do PIBão arrisca terminar como o governo que viu as me…

Elegia para um Tripé

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Apesar dos esforços na direção de uma teoria unificadora a abordagem padrão de macroeconomia nos força a pensar em termos de curto prazo e longo prazo. O desafio de longo prazo é fazer com que renda per capita do país aumente, mais recentemente a distribuição de renda e a redução da pobreza se juntaram ao desafio do longo prazo. No curto prazo o desafio é manter o nível e emprego sem criar desequilíbrios que venham a gerar problemas nas contas públicas e/ou na inflação. Boa parte do meu interesse enquanto economista está na macroeconomia de longo prazo, mas é inevitável abordar temas relativos ao curto prazo. Até porque as dinâmicas de curto e longo prazo não são apartadas, se na ânsia de evitar o desemprego um governo coloca a economia em uma trajetória de inflação e descontrole fiscal é quase certo que isto levará a problemas no longo prazo. A experiência brasileira a partir de meados da década de 1970 e a crise da década de 1980 ilustram bem como medidas ruins de curto prazo podem…

Lições da Coreia para Educação: "Mais Dinheiro" ou "Melhor Gestão"?

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Sei que hoje em dia comparar o Brasil com qualquer país virou crime de lesa pátria, a ideologia oficial determinou que o Brasil é um país único e que não pode ser comparado com nenhum outro. Porém em um passado recente não era assim, podíamos comparar o Brasil com outros países sem que isto causasse comoção. Não que o Brasil fosse considerado igual a outros países, mas entendia-se que a comparação era um exercício útil para ter uma medida relativa dos efeitos de nossas políticas. Naquela época era comum comparar o desempenho de longo prazo do Brasil com o da Coreia do Sul.
No início da década de 1950 a Coreia tinha uma renda per capita próxima à do Brasil. É claro que a Guerra da Coreia (1950 – 1953) tem um efeito nesta estatística, mas a proximidade entre a renda per capita dos dois países permaneceu até bem depois do final da guerra. De acordo com os dados da Penn World Table (PWT) a renda per capita da Coreia era 80% da brasileira em 1953, ano que terminou a guerra, em 1977 ainda…

De Novo?

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Desde que o Banco Central resolveu abandonar o compromisso com o Regime de Metas e fazer apostas em coisas como convergência não linear de longo prazo que todo meio do ano aparecem umas figuras falando que a queda da inflação é o sinal que a tal convergência vai ocorrer. Lamento mais uma vez ser o estraga festa, mas a queda da inflação no meio do ano é um fenômeno recorrente e que não oferece nenhum sinal de convergência à meta nem no curto nem no longo prazo. A figura abaixo mostra o comportamento da inflação em 2011, 2012, 2013 e 2014. Percebem o padrão? Todo ano é a mesma coisa. A inflação cai no meio do ano e sobe a partir de agosto.


Se o Banco Central quer mesmo trazer a inflação para o centro da meta é melhor parar de apostar no imponderável e ficar adiando a data em que a tão esperada convergência ocorrerá. Basta fazer o que tem de ser feito, eles sabem o que é, se não fazem é porque não querem.

Seminário da SAE-PR e do Banco Mundial a Respeito da Produtividade no Brasil

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Ontem, 06/08, ocorreu em Brasília o seminário da SAE-PR e do Banco Mundial a respeito da produtividade no Brasil. O objetivo foi entender quais fatores são responsáveis pela baixa produtividade da economia brasileira e pela baixa taxa de crescimento desta produtividade. O seminário foi dividido em cinco sessões (link para o programa aqui) cada uma tratando de um tema específico. As sessões ocorreram na forma de entrevistas onde Diana Coutinho, representando a SAE-PR, e Paulo Guilherme Correa, representando o Banco Mundial, faziam perguntas a três especialistas.
A primeira sessão tratou de política comercial e produtividade. Os especialistas foram José Guilherme Reis, Sandra Rios e Welber Barral. O tom era que a economia brasileira precisa de mais integração com o resto do mundo. Muito foi dito a respeito das cadeias produtivas globais e de como uma política isolacionista pode excluir as empresas brasileiras destas cadeias. Também foi feita uma discussão sobre os possíveis efeitos neg…