Uma rápida reflexão a respeito do Doing Business, Index of Economic Freedom e Global Competitive Index

Ontem fiz um post comparando o desempenho dos países da OCDE e da América Latina no ranking Doing Business do Banco Mundial. Ocorre que existem outros rankings com objetivos semelhantes ao Doing Business: o ranking de competitividade do World Economic Forum (link aqui) e o ranking de liberdade econômica da Heritage Foundation (link aqui). Cada um destes rankings tem seus próprios objetivos, porém todos tentam de alguma forma medir o quanto cada país é amigável com o empreendedorismo e com o livre mercado. Desta forma duas classes perguntas aparecem:
i)                    Qual a relação entre estes rankings? Estar bem em um ranking implica em estar bem no outro?
ii)                   Qual a relação entre estes rankings e o PIB per capita? Não seriam estes rankings feitos de trás para frente de forma que os países ricos sempre se sairão bem?
A resposta a essas perguntas exige mais trabalho e cuidado do que um post no blog. Se alguém estiver disposto a fazer o trabalho eu posso orientar, se ninguém se apresentar a alternativa é procurar algo no IDEAS/RePeC ou esperar que alguém faça o trabalho.

Menos do que o necessário farei uma comparação com um subconjunto de países e farei referencia apenas a correlações. O conjunto de países junta dois grupos diferentes: os países com as 20 maiores rendas per capita conforme o FMI e um conjunto de países da América Latina. No primeiro grupo, chamado Top20, estão: Luxemburgo, Noruega, Qatar, Suíça, Austrália, Dinamarca, Suécia, Singapura, EUA, Canadá, Áustria, Kuwait, Holanda, Finlândia, Irlanda, Islândia, Bélgica, Alemanha, Emirados Árabes Unidos e França. No segundo grupo estão: Uruguai, Chile, Venezuela, Argentina, Brasil, México, Colômbia, Peru, Equador, Paraguai, El Salvador, Guatemala, Bolívia, Honduras e Nicarágua.

A parte de cima da figura abaixo mostra a correlação entre o Index of Economic Freedom da Heritage Foundation e o Doing Business do Banco Mundial. A parte de baixo da figura mostra a correlação entre o The Global Competitive Index do World Economic Forum e o Doing Business do Banco mundial. É visível a correlação positiva nas duas figuras, de fato a correlação entre o Index of Economic Freedom e o Doing Business é 0,91. Para os que gostam de mais detalhes vale dizer que com 95% de probabilidade a correlação está entre 0,83 e 0,96. Já a correlação entre o Global Competitive Index e o Doing Business é 0.88 com 95% de probabilidade de estar entre 0.77 e 0.94. Nos dois casos existe uma correlação positiva e significativa entre os rankings. Não coloquei o gráfico, mas a correlação entre o Index of Economic Freedom e o The Global Competitive Index também é positiva e significativa, o valor estimado é 0,80. Os resultados sugerem que, na amostra de países usada, os rankings são consistentes.




A próxima figura mostra a correlação de cada um dos índices e o PIB per capita. Para os três rankings a correlação é negativa, quanto maior o PIB per capita melhor a classificação, é o resultado que se esperava. Os intervalos de confiança para o Doing Business, o Index of Economic Freedom e o Global Competitive Index são: [-0,79 -0,37], [-0,79 -0,36] e [-0,88 -0,66], respectivamente. Novamente são todos significativos. Pouco pode ser disto deste resultado, a correlação deu como esperado e não é suficiente para suportar a tese que os índices são feitos de forma que os países ricos fiquem bem classificados. Por outro lado a figura sugere que a correlação negativa está mais relacionada às diferenças entre os grupos do que as diferenças entre países do mesmo grupo. De fato se calcularmos as correlações dentro dos grupos temos que nenhuma das correlações é significativa.




A figura anterior dificulta a visualização do efeito dos grupos, para resolver esta questão a figura abaixo ilustra apenas o Global Competitive Index, usei este indicador porque é onde o problema fica mais claro. Se a falta de correlação significativa entre os índices quando se delimita um grupo de países aponta que o ranking não é feito de forma forçar os países ricos nas melhores posições, este resultado coloca novas questões interessantes. Diferenças institucionais são importantes para diferenciar grupos de países, mas não as diferenças entre países de um mesmo grupo? Infelizmente o exercício deste post não permite responder a essa pergunta. Se um dia eu conseguir a resposta eu aviso.



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