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Mostrando postagens de Abril, 2014

Comentários sobre Crescimento e Aumento da Produtividade na Minuta de Programa de Governo do PT

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Hoje o Estadão divulgou a minuta das propostas do PT para um segundo mandato de Dilma (link aqui). São dois documentos, um tratando da estratégia eleitoral e outro das diretrizes para o programa de governo. Segundo a reportagem os documentos não são definitivos e ainda serão submetidos a discussões no partido. De toda forma, mesmo não sendo definitivo, o documento permite ter uma idéia do que pode vir a ser a base da política econômica nos próximos anos. A leitura do texto com a diretrizes para o programa de governo é fundamental para os que acompanham a economia brasileira. Abaixo comento a parte que trata de crescimento e produtividade, tema que estudo já tem mais de quinze anos. O texto do PT está em vermelho e meus comentários estão em preto.

CRESCIMENTO & AUMENTO DA PRODUTIVIDADE
59. A continuidade e sustentabilidade, no segundo mandato de Dilma Rousseff, da GRANDE TRANSFORMAÇÃO iniciada em 2003, com Lula, terá como meta o crescimento mais acelerado da economia brasileira nos …

Proteção, socorros e mais proteção... Até quando?

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Duas notícias me incomodaram esta semana, nada de novo, muito pelo contrário, me incomodaram de velhas que são. A primeira foi a intenção do governo de criar um fundo garantidor para bancar a inadimplência no empréstimo de carros. A idéia e socorrer o setor que mais uma vez reclama das baixas vendas e estoques acumulando. Em troca o governo quer a redução das margens de lucro no setor. Seria cômico se não fosse trágico, creio que poucos países concederam tantos benefícios à indústria automobilística em troca de reduções de margem de lucro e manutenção de emprego. Ainda assim a margem de lucros dessa indústria no Brasil está entre as mais altas do mundo e a cada dificuldade o setor pede mais benefícios para manter o emprego. É chantagem explícita que o governo aceita, não só o atual diga-se de passagem.
O fato é que as vendas do setor automobilístico aumentaram nos últimos anos por conta de políticas de estímulo, notadamente isenção de impostos, e do crédito fácil e barato para os padrõ…

Minha Homenagem a Tiradentes

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Foi em 1792, um certo Joaquim José da Silva Xavier, conhecido como Tiradentes, foi executado por liderar um revolta contra a Coroa Portuguesa. Os revoltosos foram motivados por aumento de impostos. Não descarto que agentes das colônias inglesas que se declararam independentes em 1776 tenham se infiltrado na revolta, afinal eles também se revoltaram por impostos altos e, como todos sabem, tudo que fazemos por aqui tem que ser motivado por alguém de lá. É certo que tal como os jovens da Venezuela da hoje se revoltam por conta de agentes americanos os inconfidentes do século XVIII só se revoltaram por influência de agentes do futuro império.
Mas porque se revoltar contra impostos? São os impostos que garantem o bem-estar dos pobres. Não é por acaso que a Coroa os condenou. Como alguém se recusa a ajudar os mais necessitados? Só porque alguns membros da corte levam vida de ricos enquanto os pobres continuam e continuarão (posso dizer que o conhecimento de quem está no século XXI) não quer …

Novamente a produtividade no Brasil está em foco

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Reportagem da revista The Economist desta semana trata do maior problema da economia brasileira: o baixíssimo crescimento da produtividade (link aqui). Produtividade no Brasil é um tema que está na minha agenda de pesquisa desde o final da década de 1990. Aqui no Blog já falei mais de uma vez a respeito da produtividade. Porém com a reportagem da The Economist não poderia deixar de voltar ao tema. O título da reportagem antecipa o que vem no texto: “The 50-year snooze”, algo como “A soneca de 50 anos”. Se alguém ainda fica com dúvida a respeito do que vem pela frente a imagem que ilustra a reportagem é um sujeito deitado em uma rede olhando o que parece ser uma praia. Para os que não se animaram de ler a reportagem o comentário feito pelo blog Selva Brasilis deixa claro do que a The Economist está falando. Se você ficou cético a respeito do Selva Brasilis esta frase tirada da reportagem coloca um ponto final em qualquer dúvida: “The moment you land in Brazil you start wasting time”, …

Mais sobre o RU da UnB

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Ontem fiz um post a respeito do RU da UnB. O objetivo do post era fazer uma defesa do modelo de vouchers para alimentação dos estudantes da UnB. O post teve alguma repercussão e levou uma pessoa a quem eu respeito e que trabalha no RU a me mandar alguns dados que eu desconhecia e que jogam uma luz na questão dos custos do RU da UnB. Para quem não tem paciência de ler o post anterior é útil saber que uma das questões colocadas é que o custo de um almoço no RU é de R$ 9,69 enquanto era possível comer uma prato de 445g de qualidade superior por R$ 9,60 no restaurante self-service administrado pela mesma empresa que administra o RU. A partir deste números sugeri um vale-refeição de R$ 10,00 para os estudantes pobres e o fim do RU, no lugar dele ficariam vários restaurantes concorrendo no campus.

Devo dizer que a idéia de subsídios focados e vouchers não é minha e eu continuo acreditando que é a melhor forma de resolver problemas que envolve subsídios que permitam o acesso de setores mais …

O RU da UnB e a Política Social de um Liberal Chato

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Estou acompanhando com interesse os debates sobre a iniciativa da empresa que administra o Restaurante Universitário (RU) da UnB. Para os que não estão acompanhando a história faço um pequeno resumo do que está acontecendo tomando por referência o excelente relato do Blog do Apolinário (link aqui). Há algum tempo a administração da UnB, em uma iniciativa que teve meu apoio, decidiu terceirizar o RU, não sei precisar quando isto aconteceu, mas deve ter a sido há mais ou menos um ano. O RU tem um mezanino que não estava em uso e a empresa resolveu abrir neste mezanino um restaurante self-service conrando preços de mercado. No anúncio da iniciativa a empresa propagandeou o novo restaurante como tendo um cardápio variado e requintado, naturalmente os adjetivos se aplicam quando comparados ao cardápio do RU. O preço deste novo restaurante, que os alunos já estão chamando de RU-gourmet, é de R$ 21,58 por quilo. Pelo que estou acompanhando no FB a inciativa não foi bem recebida pelos estudan…

Complacência - Cometários sobre o livro de Giambiagi e Schwartsman

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Como não poderia deixar de ser tirei o sábado para ler Complacência, o livro recentemente lançado por Fabio Giambiagi e Alexandre Schwartsman. Logo no prefácio, escrito por Eduardo Loyo, fical claro o papel central da produtividade no argumento dos autores, afinal um dos motes do livro é pedir uma obsessão nacional com produtividade. Como não gostar de um livro que propõe esta obsessão nacional? Afinal desde o final da década de 1990 tenho levantando esta bandeira, em uma época onde havia outros caminhos para crescer eu estava entre os que alertavam que sem um crescimento da produtividade qualquer crescimento teria vida curta. Não posso avaliar se o livro alcançou o objetivo de se comunicar com o público leigo em economia, mas por ter lido o “livro inteiro num impulso, num fim de semana” posso dizer aos autores que algum objetivo do livro foi alcançado. Nesta condição aplico ao livro o conselho de Leibniz sobre elogios e vou ao ponto: o livro é excelente, muito bom mesmo. É leitura o…

Quem são os pessimistas?

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Toda vez que sai alguma projeção de mercado somos bombardeados com a tese que existe uma conspiração pessimista a respeito da economia brasileira. A tese do excesso de pessimismo é o último refúgio dos que se recusam a entender que a política de desvalorizar câmbio, reduzir juros na marra e controlar preços deu errado pelo simples fato que não poderia dar certo. Controle de preços dispensa comentários, sempre que foi usado deu errado. A combinação de juros baixos e câmbio desvalorizado tem uma defesa mais forte, nem mesmo diria que é uma combinação ruim, apenas que só será obtida por meio de uma redução drástica no gasto público que permita ao governo não ter de se financiar no mercado. Se o governo gasta mais do que arrecada então é obrigado a pedir dinheiro emprestado às taxas ofertadas pelo mercado. Quanto mais dinheiro ele precisa pegar mais difícil conseguir taxas baixas, com taxas de juros altas entra dólar no país e o câmbio se valoriza. Tentar conseguir a combinação juros bai…

O Erro do IPEA

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Novamente a pesquisa do IPEA a respeito da violência contra a mulher ganha atenção de todos, desta vez pelo reconhecimento oficial de que a pesquisa estava errada. No post abaixo comentei a pesquisa, em um dado momento falei explicitamente que descartava erros de tabulação e tentei apontar possíveis problemas metodológicos na pesquisa. Não fui o único a descartar erros de tabulação, praticamente todas as críticas que eu li falavam de problemas metodológicos que englobavam questionamentos sobre a adequação da amostra, a estrutura do questionário, a forma das perguntas e até mesmo a expressões usadas nas perguntas. Creio que não passou pela cabeça de ninguém o erro de tabulação. Por quê?
Porque o IPEA é um instituto em que confiamos, não se espera este tipo de erro de uma instituição com os qaudros, os serviços prestados e a reputação do IPEA. Lembro de que a preocupação em evitar erros que comprometessem a imagem da casa era uma constante nos tempos em que fui dos quadros da casa. Ante…