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Mostrando postagens de Março, 2014

Uma nota a respeito da pesquisa do IPEA sobre violência contra a mulher e sobre a suposta relação entre estupro e pouca roupa.

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O assunto da semana definitivamente foi a divulgação de uma pesquisa a respeito da tolerância social à violência contras as mulheres. A chamada do Estadão é de deixar qualquer um estarrecido e assustado de viver em um tempo e lugar onde um dos mais tradicionais e respeitados jornais estampa em letras garrafais: 65% dos brasileiros acham que mulher de roupa curta merece ser atacada. Fosse um destes jornais sensacionalistas que circulam nas grandes cidades eu talvez nem tivesse lido a reportagem, mas não era, de forma que me senti obrigado a ler. Na leitura outro espanto, a reportagem tinha como fonte uma pesquisa do IPEA. Um dos institutos de pesquisa mais respeitados do país é quem divulgava esta informação. É claro que tive de ir à página do IPEA e ler a pesquisa original, para os interessados o link está aqui.
Era tudo verdade, não vi engano nem sinais de má fé na reportagem do Estadão. Postei no FB um comentário apontando para os riscos de governar de acordo com a opinião da mai…

É o petróleo!

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Em junho do ano passado fiz um post falando sobre a política de subsídios aos combustíveis e como esta política poderia levar a uma série de problemas na economia, entre estes citei o impacto negativo na balança comercial. No post fiz referência a um texto do Marco Antonio Martins chamado Impasse onde ele criticava a aplicação desta mesma política na década de 1970 e explicava como os subsídios aos combustíveis estavam relacionados à crise externa da década de 1980. Em um resumo rápido o argumento é que ao não permitir que os consumidores recebam os sinais emitidos pelos preços dos combustíveis o governo induz a um consumo exagerado destes, como importamos combustíveis esse consumo exagerado acaba se refletindo em desequilíbrios comerciais. Não que déficits comerciais sejam um problema per si, mas um déficit causado por um desequilíbrio em um setor tão crítico como o de combustíveis pode ser sinal de sérios problemas no futuro. Pior ainda se o desequilibro é causado por uma política d…

A Tirania dos Especialistas - Algumas impressões sobre uma leitura obrigatória

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Acabei de ler o último livro do William Easterly: The Tyranny of the Experts: Economists, Dictators and the Forgotten Rights of the Poor. Acompanho o trabalho do Easterly há muitos anos, afinal vários textos dele são leituras obrigatórias para os que militam na área de crescimento econômico. Pelo menos dois textos deles estão na lista de leitura que recomendo aos alunos da UnB que me procuram para trabalhar com crescimento: Policy, Technology Adoption and Growth e It's Not Factor Accumulation: Stylized Facts and Growth Models, além dos textos sobre América Latina. Em vários momentos a maneira como meu pensamento sobre crescimento mudou seguiu ou buscou inspiração nos textos dele. Do meu fascínio inicial por capital humano e tecnologia, passando pela preocupação com políticas e instituições, chegando à conclusão que produtividade importa mais que fatores e finalmente reencontrando Hayek e a idéia de ordem espontânea. Em cada um destes momentos esbarrei em algum texto do William Eas…

Lembrem de Pasadena

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Chega a ser difícil escrever sobre a compra da refinaria em Pasadena, no Texas. Em resumo a Petrobras pagou U$ 360 milhões por metade de uma refinaria que um grupo belga tinha comprado por U$ 42,5 milhões. Não satisfeita em pagar oito vezes mais que o valor da refinaria para ter metade da refinaria a Petrobras assinou um contrato que a obrigava a comprar a outra metade da refinaria em caso de desavença entre os sócios. A desavença ocorreu, é claro, a Petrobras foi a justiça aparamentemente ignorando o contrato que tinha assinado, e acabou sendo obrigada a comprar a outra metade da refinaria. Incluindo os custos do processo a Petrobras pagou U$ 820,5 milhões pela outra metade da refinaria. No final do sai a Petrobras pagou U$ 1,18 bilhões de dólares por uma refinaria que tinha custado U$ 42,5 milhões aos belgas.

A operação é tão absurda que não tem como criticá-la sem ser repetitivo ou ofensivo. Em qualquer uma destas sociais democracias que servem de modelo para os petistas não revolu…

Conjuntura da Economia Brasileira, Hangout com o EPL

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Hoje falei com os Estudantes pela Liberdade (EPL) a respeito da economia brasileira. Creio que não preciso falar da importância do EPL e de como fico satisfeito de poder conversar com eles. Para os que se interessaram o link para a palestra está aqui.



Krugman, Brasil e Argentina

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Dizem que quando Debreu terminou seu discurso Nobel alguém o perguntou sobre a economia da Europa e ele respondeu que não falava sobre o que não entendia. Não sei se a história é verdade ou se é lenda. Hayek falou que não devia existir um prêmio Nobel em economia porque receber este prêmio dá ao laureado uma autoridade que nenhum economista deveria ter.
Pois bem, toda esta conversa sobre Krugman ter elogiado a economia brasileira me lembrou destas histórias e do post que ele colocou no blog dele elogiando a Argentina. Que Krugman é um excelente economista eu não discuto. Claro que isso não o obriga a ser um especialista em América Latina, mas, sabendo da autoridade que tem acredito que ele deveria tomar um pouco mais de cuidado antes de incentivar políticas que podem levar países a sérios problemas econômicos.
Estou responsabilizando Krugman pela crise na Argentina? Não, de modo algum. Mas tenho bons motivos para acreditar que as declarações dele deram forças e argumentos para os que i…

Quem são os irresponsáveis?

Quando da disputa entre bancos e poupadores eu e meus amigo Adolfo Sachsida e Marco Aurélio Bittencourt fizemos uma carta pedindo ao STF que desconsiderasse as pressões de interesses econômicos e julgasse de acordo com a lei, não faltou quem nos criticasse acusando-nos de irresponsáveis. Agora temos esta outra disputa jurídica onde consequências econômicas desastrosas são apontadas para pressionar o STF. Repito o que disse naquele caso: que o STF julgue de acordo com a lei.

Antes que me chamem novamente de irresponsável pergunto a meus acusadores quem são os verdadeiros irresponsáveis. Economistas que aconselham o governo a implementar planos e políticas em desacordo com a lei ou cidadãos, economistas ou não, que pedem que lei seja válida para todos? Quais os incentivos percebidos por economistas que sabem que suas maiores barbaridades serão perdoadas em nome do bem comum? Ora, tenham paciência, mesmo entre economistas que estudam o desenvolvimento econômico tem aparecido com cada v…

Algumas reflexões sobre a estagnação de longo prazo da economia brasileira.

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Desde que tive contato com a moderna literatura de crescimento econômico na EPGE no início da década de 1990 fiquei fascinado pelo tema, em particular com os motivos que fazem com que alguns países fiquem ricos e outros não. Meus dois primeiros trabalhos publicados, ambos em co-autoria com meu orientador de mestrado Pedro Ferreira, foram sobre crescimento. O primeiro tratava da dinâmica da renda per-capita dos estados brasileiros e fazia testes econométricos para avaliar a existência de um processo de convergência entre os estados (link aqui). O segundo era uma resenha da literatura com foco nos então novos modelos onde a presença de rendimentos crescentes e concorrência imperfeita forneciam a base teórica para explicar crescimento sustentado (link aqui). Fui para Universidade da Pensilvânia com o objetivo de seguir nesta linha de pesquisa, as coisa não correram como eu tinha planejado mas tive a oportunidade de estudar crescimento com os professores Michele Boldrim e Boyan Jovanovic…

Conversa com Adolfo Sachsida e Mário Jorge Cardoso de Mendonça

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Segue o hangout do Adolfo comigo e o Mário Jorge.

https://www.youtube.com/watch?v=Quj7OoLwtWM&feature=youtu.be