Sobre o Adolfo, o IMB e o Constantino, ou sobre liberais e conservadores

Estou acompanhando com interesse os debates desta semana entre liberais e conservadores. Primeiro foi o post do Adolfo Sachsida onde ele afirma que operacionalmente a diferença entre liberais e conservadores se resume a legalização da maconha. Geralmente concordo com o Adolfo, mas neste caso eu discordo. Até acredito que entendi o ponto central do post, qual seja, se um liberal ou um conservador pudesse ditar a política brasileira fariam poucas coisas diferentes dadas as condições atuais do Brasil. Se o ponto central for mesmo este eu concordo, mas o post vai além disto, muito além. Consigo listar uma série de políticas viáveis defendidas por liberais em geral mas que não são aprovadas pela maioria dos conservadores: descriminalização do aborto, liberação de pesquisas com células tronco, casamento gay, adoção por casais gays e definição de família são alguns exemplos.
Depois foi uma discussão que aparece vez por outra mas que vi duas vezes esta semana. Trata-se de uma entrevista de Rodrigo Constantino ao IMB que não foi publicada. Alguns falam de censura e outros da necessidade de ignorar diferenças e tratar apenas do que une liberais a conservadores. Como parto do princípio que censura é coisa do estado não vou nem comentar se existe censura do IMB ou de qualquer órgão privado. Passemos a questão da união. Sou de opinião que cada um deve falar o que quer da forma que lhe convir. Desta forma todas idéias estarão representadas e as que forem defendidas por mais pessoas terão naturalmente mais destaque. Se Olavo de Carvalho, Rodrigo Constantino, o IMB, o IL e o Adolfo resolvem fazer campanha pela privatização ótimo, serão muitas vozes com chances de repercutir. Na outra ponta se o Adolfo pede a manutenção da proibição da maconha e o IMB pede o fim desta proibição tudo bem também, cada um atingirá seu público com suas idéias. Nenhum mal foi feito. Quanto a política a questão é ainda menos relevante, sequer trata-se de discutir uma aliança para uma candidatura viável seja de liberal, seja de conservador. Tudo que podemos fazer neste campo é escolher o esquerdista que menos nos incomoda para votar no segundo turno. Portanto não vejo um motivo para que liberais e conservadores sigam cada um seu caminho se encontrando onde e quando for o caso.
Por fim veio o texto no blog do Rodrigo Constantino com o título "O direito de preferir um filho heterossexual" o texto trata da questão dos valores morais do ponto de vista liberal. Foi o texto que me motivou a escrever este post. Como liberal chato me sinto no direito de ter os valores que eu quiser sem dar satisfações a ninguém. No meu mundo ideal sequer existiria crimes de opinião, cada um acredita no que quer e vive de acordo com suas crenças desde que não agrida a integridade física ou a propriedade dos outros. Não vejo um bom motivo para não considerar liberal quem não goste de fumantes, maconheiros, funkeiros ou de quem use cabelo verde. Não são valores que fazem um liberal, pelo menos não na minha opinião, o que faz um liberal é não tentar usar o poder do estado para impor um conjunto de valores. Sendo assim creio que preferir um filho heterossexual não impede ninguém de ser liberal, assim como ninguém está impedido de ser liberal por preferir um filho gay. O problema começa quando alguém usar o poder do estado para dificultar a vida do filho gay, não importa do que pai se orgulha.

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