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Mostrando postagens de Janeiro, 2014

A nova direita e um liberal chato

Joel Pinheiro faz no Valor Econômico uma interessante descrição da "nova direita" que, em olhar cuidadoso, não é nem tão nova nem tão direita. Como sempre acontece ao ler este tipo de artigo fico sem saber onde estou. É fato que a bolsa-empresário do BNDES me incomoda muito mais que a bolsa-família, a ponto de eu ter dito várias vezes que enquanto existir a primeira me recuso a criticar a segunda. Abomino qualquer forma de coletivismo, desta forma não nutro simpatia por nenhuma forma de organização das ditas minorias. Na verdade considero cada indivíduo como muito complexo para se encaixar no rótulo de alguma minoria.

Sou a favor de várias causas libertárias mas dou bem menos ênfase a estas causas que a maioria dos libertários, por exemplo, não comemorei o juiz que "legalizou" a maconha por meio de uma nova interpretação da lei. Não estou convencido que um mundo sem nenhum estado é melhor que um mundo com estado, muito pelo contrário. Posso até imaginar outras forma…

A respeito do investimento

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Por minha insistência que o maior problema para o crescimento brasileiro é o baixo crescimento da produtividade e não a baixa taxa de investimento vez por outra sou "acusado" de não ligar para o investimento. Não é verdade. O investimento é uma variável fundamental para determinar o nível de renda e até mesmo o crescimemto da produtividade, afinal é por meio de novas máquinas que novas tecnologias costumam entrar na economia. Minha implicância com o discurso que foca no investimento tem outra natureza. Fazer política econômica para forçar a taxa de investimento para cima sem que existam as condições adequadas para isto é um caminho quase certo para o desperdício de recursos. Pior, uma vez realizado o investimento ruim aparecem uma série de grupos de interesse que tornam reverter o investimento uma tarefa quase impossível. A longa história em torno de refinarias de petróleo no Nordeste é um exemplo de como mesmo um investimento anunciado mas não realizado é difícil de ser rev…

Comentários a respeito do discurso da presidente em Davos

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Li o discurso que a presidente fez em Davos, gostei das linhas gerais, se fosse o discurso de uma candidata desconhecida talvez ganhasse meu voto, aí está a questão, não é o discurso de uma candidata desconhecida, é o discurso de alguém que está a mais de dez anos no poder, sendo os últimos três anos como presidente da república. Fica difícil entender porque a presidente não faz o que afirma ser importante em seu discurso. Abaixo coloco algumas partes do discurso junto com meus comentários. O discurso pode ser visto aqui, a transcrição do discurso completo está aqui, os trechos do discurso que decidi destacar estão em vermelho.  "É imprescindível, entretanto, resgatar o horizonte de médio e longo prazos em nossas avaliações para dar suporte aos diagnósticos e às ações necessárias ao crescimento das diferentes economias. Nessa perspectiva, ainda que as economias desenvolvidas mostrem claros indícios de recuperação, as economias emergentes continuarão a desempenhar um papel estratég…

Todo mundo sabe que a economia brasileira está com problemas... menos Luiza...

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O vídeo onde Luiza Trajano, presidente do Magazine Luiza, afirma que, ao contrário do que dizia Diogo Mainard, a inadimplência está caindo e ainda se oferece a mandar os dados mostrando que está certa circulou ontem pela internet quase como um viral. Também ganhou destaque a notícia que a executiva de fato mandou o e-mail com os dados para Mainard. Para os que ainda não viram, o vídeo está abaixo:



De início não dei muita importância ao fato, Mainard não produz dados e considerei aceitável que estivesse com dados defasados, assim como considerei normal que uma empresária do setor tivesse dados mais atualizados. Minha impressão original foi que a festa com vídeo era mais uma vendeta do nacionalismo ofendido para com o autor de Contra o Brasil que, ainda por cima, não perde a oportunidade de dizer que “Os brasileiros têm os dois pés no chão… E as duas mãos também.”. Doce ilusão, em tempos de polarização petista nem mesmo o velho nacionalismo ofendido é sincero, a realidade era que o baru…

Sorrisos... ou Se o cavalo morrer de sede o dono fica a pé

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How do you know I'm mad?" said Alice.
"You must be," said the Cat, "otherwise you wouldn't have come here." Quando a presidente Dilma decidiu que a taxa de juros no Brasil estava muito alta e tinha de cair, uma pessoa de bom que não conhecesse bem o Brasil podia pensar que o governo estava anunciando um ajuste fiscal ou alguma medida que mudasse a estrutura de mercado do setor bancário. Esta pessoa rapidamente descobriria que não apenas o pecado está ausente no lado de baixo do Equador, bom senso também é mercadoria rara ou inexistente por estas bandas. Na verdade a presidente estava anunciando que ia reduzir os juros por decreto, como se preços respondessem apenas à vontade dos poderosos de plantão. Não faltou quem tentasse alertar a presidente da futilidade de sua decisão, o alerta mais famoso veio de Rubens Sardenberg, economista-chefe da Febraban, que lembrou a presidente que "você pode levar um cavalo até a beira do rio, mas não pode obrigá-…

Sobre tempo, dinheiro, juros e o "fim de uma era"

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Blog do FT aponta saída recorde de dólares do Brasil como fim de uma era. Apesar de listar a desastrosa política econômica do governo o FT manda a conta da saída de dólares para o FED e aponta uma luz no fim do túnel com a chegada de investidores japoneses. Tomara que os japoneses venham mesmo e nos salvem do desastre completo.
Quando o FED começou a imprimir dólares no atacado nosso governo falou de tsunami monetário e guerra cambial. A preocupação do governo era com efeitos da valorização do real. Na época discordei e disse que a política monetária americana era boa para o Brasil. Meu motivo era simples: o Brasil é um grande importador de capitais, com o FED mantendo os juros nominais nos EUA próximos a zero teríamos acesso a capital barato. Bem utilizado este capital poderia ter financiado grandes transformações que deixassem a economia brasileira pronta para inevitável alta dos juros americanos. O governo preferiu seguir sua tese de cambial e mudou a política monetária para desvalo…

Jogo no pano... jogo... feito!

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Delfim Netto colocou suas fichas no petismo e ganhou. Em vez do ostracismo a que foram condenados os que participaram da ditadura recebeu os mimos destinados aos nobres da corte petista. Foi conselheiro privilegiado de Lula e de Dilma. Certamente foi um dos que desviaram o governo da agenda de reformas para o caminho do desenvolvimentismo que como bem observou Marcos Lisboa, Secretário de Política Econômica de Lula, nos condenou a um crescimento medíocre. Tenho de reconhecer a capacidade de Delfim de seduzir governos, seduzir aqui está no sentido de convencer alguém a fazer o que quer. Principalmente depois da crise de 2008 a política econômica do governo petista passou a ser quase igual à política econômica de Geisel, não fui o único a ver e dizer isto.
Como depois de Geisel veio Figueiredo, o governo Dilma acabou por fazer uma brutal desvalorização do real. Só não seguiu adiante porque, ao contrário da década de 1980, vivemos uma democracia e a população foi para rua gritar que não e…

História de Duas Américas Latinas

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Ano passado escrevi um post comparando Brasil e Chile que chamei de "A História de Duas Cidades", hoje vi o WSJ falando a respeito de duas Américas Latinas ao comparar os países do Atlântico (destaque para Venezuela, Brasil e Argentina) com os países do Pacífico (destaque para México, Peru, Chile e Colômbia). O ponto é que enquanto os primeiros apostaram no protecionismo e no estado como indutor do crescimento os segundos seguiram o caminho de livre comércio e da abertura ao comércio exterior.
Pela reportagem do WSJ o grupo do Atlântico teve um melhor desempenho durante o boom das commodities mas este desempenho agora está ameaçado enquanto o grupo do Pacífico apresenta melhores perspectivas. Foi o que tentei argumentar no meu post, para garantir o crescimento no longo prazo, sem depender muito dos humores do mercado internacional, é preciso adotar uma agenda de reformas que tornem a economia do país capaz de competir com as economias dos países desenvolvidos. Esta é a real…

Variação do Valor da Petrobras nos Últimos Anos

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Comentário a respeito de notícia comparando o valor da Petrobras hoje e em 2003.


Não é a primeira vez que aviso: a estratégia governista para as próximas eleições vai ser misturar os governos de Lula e de Dilma. Em termos econômicos o primeiro mandato de Lula foi excelente, para surpresa de muitos após a posse Lula aderiu a uma agenda de reformas e manteve o compromisso estrito com a estabilidade econômica. No segundo mandato, Lula cedeu as tentações do desenvolvimentismo e a história começou a mudar. Duas ressalvas importantes quanto ao segundo mandato de Lula: (i) apesar do BNDES e do PAC o compromisso da estabilidade foi mantido na medida do possível; (ii) até agora não sei como avaliar o papel da crise econômica na mudança de política, após a crise de 2008 praticamente qualquer governante teria usado de instrumentos fiscais, considero impossível avaliar como teria sido o segundo governo Lula sem a crise.
O desastre foi o governo Dilma. A presidente abandonou totalmente a política…

Mudanças no Blog

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Ano novo, estilo novo para o blog. Além dos textos com análise de dados e referências a questões econômicas de longo prazo vou tentar colocar mais comentários rápidos a respeito de notícias que considero relevante ao estilo do que faço no FB. O objetivo é que o blog sirva também como registro de notícias e das impressões que tive sobre a notícia.
Postado com o Blogsy