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Mostrando postagens de 2014

Guia para entender o que está sendo votado no Congresso

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Hoje na CBN escutei um deputado da base governista dizendo que o Congresso está decidindo se deve dar continuidade à política de Dilma ou se deve adotar o que ele chamou de proposta derrotada nas urnas. Não foi a primeira vez que ouvi este tipo de argumento, trata-se de mais uma falácia para encobrir o que realmente está em questão: uma carta branca para o governo gastar o que quiser e como quiser. Para que fique claro o que está em disputa é válido relembrar cada passo que levou a situação atual.

A lei brasileira determina que o governo aprove no Congresso o orçamento para cada ano, o ideal era que orçamento fosse aprovado no ano anterior, mas nem sempre isto ocorre. Duas leis são essenciais para o orçamento: a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e a Lei Orçamentária Anual (LOA). Grosso modo a LDO determina as diretrizes para o orçamento e a LOA é o orçamento propriamente dito. Nas diretrizes da LDO consta, entre outras coisas, quanto deve ser o superávit primário do governo, um co…

Decreto da Vergonha

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O imbróglio envolvendo o PLN n.36 de 2014 passou de todos os limites. Hoje manifestantes foram expulsos do Congresso, entre eles meu amigo, co-autor e parceiro de várias jornadas Adolfo Sachsida. Se isto não é suficiente para preocupar o leitor veja o Decreto n.8367/2014 (link aqui). Quando forem contar a história do governo petista o decreto em questão deverá simbolizar a retirada definitiva da máscara de respeito à democracia. Não há dúvidas, não há entrelinhas, não há disfarces, está tudo claro e cristalino: o decreto oferece benesses no artigo primeiro e condiciona as benesses a aprovação do PLN n.36 no artigo quarto. A chantagem e a intimidação foram institucionalizadas.

Investimento vai para o Planejamento: Jogada de Mestre ou mais um passo em direção ao abismo?

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Como sempre o diabo está no detalhe. No meio de toda a euforia com o anúncio de Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda uma notícia passou quase desapercebida, faz sentido, a notícia trata de um detalhe relativo a organização das funções de cada ministério. Ontem um amigo me chamou atenção para o detalhe e hoje consegui a notícia, está no Estadão: "Planejamemto é reforçado para ajudar aceleração do PIB" (link aqui). Como assim? A tônica da vinda de Joaquim Levy para o governo não é a necessidade de ajustes duros no próximo ano? Ainda assim o Ministério do Planejamento vai ajudar a aceleração do PIB com gastos em investimento? Como fechar esta conta? Quando trabalhei no IPEA, 1998 a 2002, tive a sorte de ter Raul Veloso como consultor da coordenação em que trabalhava, a antiga Coordenação Geral de Finanças Públicas liderada pelo grande Francisco Pereira, naquela época Raul Veloso já nos mostrava que qualquer ajuste fiscal necessariamente passa por cortes em investimento. Hoj…

Ainda sobre comparar Brasil e Chile ou Os Rapazes Latinos agora preferem blues e se sentem em casa no Danúbio Azul

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Houve um tempo em que desenvolvimentistas acreditavam que os países da América Latina podiam ser comparados. Acreditavam tanto nisto que aplaudiram, apoiaram e participaram da criação e das atividades da Comissão Econômica para América Latina e Caribe (CEPAL). Na época a ideia era que os países da América Latina faziam parte do que eles chamavam de periferia do capitalismo, de forma que estavam condenados a produzir matérias primas para abastecer os grandes centros econômico e, na condição de produtores de matérias primas, não compartilhariam dos benefícios do progresso técnico trazido pelo capitalismo. A proposta dos economistas que se aglutinaram na CEPAL era que os governos dos diversos países do continente deviam atuar ativamente criando políticas de industrialização. Só assim a América Latina poderia compartilhar dos frutos do progresso. De certa forma a CEPAL com seu diagnóstico e sua prescrição criaram o que hoje chamamos de desenvolvimentismo.
A convicção de que os países da…

Mais uma vez a Petrobras e o Pré-Sal.

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A Petrobras não é apenas a maior empresa brasileira, é uma empresa que controla uma área estratégica para o país. O petróleo é o principal insumo do mundo moderno, não apenas é fonte de energia como é insumo básico para a produção de vários produtos químicos e outros materiais, por exemplo, o petróleo é matéria prima para a produção de plástico. Problemas com a Petrobras significam problemas para economia brasileira. Por esta razão o derretimento do valor da Petrobras tem sido objeto de debates e recebe muita atenção da imprensa e também deste blog. Nos últimos cinco anos o preço da ação da Petrobras negociada na Bolsa de Valores de Nova York caiu quase 79%, quem comprou por US$ 50,18 em 13 de novembro de 2013 se vender hoje, 11/11/2014 conseguirá US$ 10,65. A figura abaixo mostra o comportamento do preço das ações da Petrobras na Bolsa de Valores de Nova York nos últimos 10 anos (todos os dados de preços de ações são do Google Finance).



Repare que houve um crescimento até junho de 2…

Regulação da Mídia

Por que um governo que apostou pesado na estratégia de campeões nacionais, que grosso modo consiste em formar e/ou fortalecer oligopólios locais, resolveria defender a concorrência no mercado de comunicações? Trato do tema no meu post da semana no Spotniks (link aqui).

Economista X

Esta semana me juntei a turma do Economista X. Meu primeiro texto, como não poderia deixar de ser, é sobre crescimento. Argumento que a falta de confiança que tantos falam não é o maior problema da economia brasileira. Se por uma passe de mágica todos passássemos a confiar no governo ainda assim a economia cresceria pouco. Para os interessados o link está aqui.

O que explica a falta de crescimento da economia brasileira?

Texto do Spotniks a respeito da falta de crescimento da economia brasileira, desta vez a culpa não é (só) do desastroso governo Dilma. (link aqui)

Sobre o Déficit Público de Setembro.

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A notícia da semana foi o déficit primário record do governo federal (ver aqui). Mansueto Almeida tratou do assunto no blog dele (link aqui) e Raul Veloso, mesmo antes da divulgação dos números, há mostrava preocupação com o assunto (link aqui). Não vou tentar acrescentar nada ao que os dois já escreveram, até porque ambos entendem muito mais do assunto do que eu. Vou limitar a explicar o que é o déficit primário e registrar o que está acontecendo com o outro componente do déficit público, qual seja, o pagamento de juros.

Considere um sujeito que ganhe R$ 10.000,00 por mês. Suponha que os gastos dele com alimentação, moradia, educação, lazer e tudo mais que ele faça para viver seja de R$ 8.000,00 por mês, suponha ainda que o sujeito tenha uma divida e pague R$ 3.000,00 de juros por mês, note que ele não paga a dívida, apenas os juros da dívida. Imagino que você esteja pensando que o sujeito está com problemas financeiros, se pensou você está certo, alguém que gaste R$ 11.000, por mês …

Spotniks

Desde o final de outubro me juntei ao time do Spotniks onde pretendo manter uma coluna semanal tratando de economia. Os dois primeiros textos já estão disponíveis:

Por que não nos tornamos uma Coreia do Sul? (link aqui)

Sim, a economia vai mal. Mas como chegamos a esse ponto? (link aqui)

Espero que gostem, de for o caso, peço que ajudem a divulgar.

Federalismo e Transferências

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Vários amigos tem me questionado a respeito da tabela abaixo. Segundo a tabela Acre, Alagoas, Amapá, Bahia, Ceará, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraíba, Piauí, Rio Grande do Norte, Rondônia, Roraima, Sergipe e Tocantins receberam mais do que pagaram de impostos ao governo federal. Note que oito dos nove estados do Nordeste estão na lista e que na maioria dos estados da lista Dilma recebeu mais votos do que Aécio. Existem outras análises semelhantes com conclusões parecidas com as da tabela, entre as várias disponíveis cito as do IMB (link aqui) e a do Blog do Kali (link aqui), a tabela que usei está no Blog do Roberto Lacerda (link aqui).



O que penso dos números? Várias coisas. De saída penso que a União está fazendo seu trabalho de tentar reduzir o desequilíbrio regional, algo normal em todas as federações. Como mostra o mapa abaixo a maioria dos estados da lista possuem IDH menor do que os dos estados "pagadores de impostos", o mapa está em  reportagem da Folha se S…

Um Esboço de Agenda Econômica para o Novo Governo

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Terminadas as eleições é hora de pensar o que fazer para recolocar a economia brasileira nos eixos. Para isso a tarefa mais urgente é recuperar a credibilidade da política econômica, tal recuperação será mais difícil com Dilma do que seria com Aécio por um motivo simples: Dilma terá de convencer ao mercado que não repetirá os muitos erros do primeiro mandato e esse convencimento tem um custo. Como Aécio estava na oposição não teria o custo do convencimento e poderia se concentrar no ajuste fiscal e na retomada da credibilidade da política monetária. Enfim, isso é passado, Dilma foi eleita e caberá a ela recolocar a economia nos trilhos... ou não.
A recuperação da estabilidade exige uma equipe econômica que não hesite em tomar as medidas necessárias para recuperar a credibilidade do governo junto ao mercado. Para isso não basta que a nova equipe econômica esteja disposta a aumentar juros e cortar gastos, é preciso que o mercado acredite que ela esteja disposta. Li que Luiz Carlos Trab…

Obrigado Aécio

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No começo não estava entusiasmado nem com a campanha nem com Aécio, meu plano era fazer como nas outras eleições: votar em um candidato sem chances no primeiro turno, tradicionalmente o Eymael, e no segundo turno votar no candidato tucano. Com o trágico acidente que levou Eduardo Campos me senti obrigado a mudar de estratégia, diante da possibilidade de um segundo turno entre Dilma e Marina não apenas decidi votar em Aécio já no primeiro turno como tornei pública minha decisão. A decisão não foi exatamente acompanhada de empolgação, cheguei a temer que Aécio não fosse para segundo turno, embora nunca tenha me juntado aos que sugeriram o abandono da candidatura e um apoio a Marina. Estava pouco confiante mas certo que Aécio era a única opção palatável. Veio o primeiro turno, Aécio não apenas foi para o segundo turno como se saiu muito melhor do que o previsto pelos principais institutos de pesquisa do país.
Com o segundo turno começou a vir a empolgação. É bem verdade que já no primeir…

Brasil e Alemanha: A presidente mandou e eu comparei.

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Não me agrada comparar Brasil e Alemanha, somos um país pobre e eles são ricos, isso torna a comparação meio que inócua. Como a maioria dos que trabalham com crescimento econômico creio que comparações entre países só podem ser feitas quando o PIB per capita tem alguma proximidade, seja quando da comparação seja em um passado não tão distante. Mas como a presidente mandou comparar Brasil com a Alemanha no último debate e eu sou um súdito cidadão obediente farei a comparação.
No formato de nações independentes que conhecemos hoje o Brasil nasceu em 1822 quando D. Pedro I proclamou nossa independência de Portugal e a Alemanha nasceu em 1871 quando o Chanceler Oto von Bismark liderou a unificação alemã. Somos portanto uns cinquenta anos mais velhos que eles. Enquanto tivemos uma história relativamente pacífica com algumas revoltas internas (destaque para a Revolução Farroupilha e a Guerra de Canudos) e uma guerra em nossas fronteiras (Guerra do Paraguai) os alemães foram protagonistas d…

Contabilidade Criativa (ou seria Fraude Contábil?) passa dos Limites

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Há quem diga que o primeiro passo na caminhada que levou a criação da economia de mercado e do capitalismo foi dado em 1494 quando o Frei Luca Pacioli (1445 – 1517) apresentou o mundo o sistema de partidas dobradas, a base da atual contabilidade. Se foi o primeiro ou mais importante eu não sei dizer, mas que foi fundamental creio que poucos duvidam. Sem uma forma estruturada de organizar e apresentar dados contábeis a economia moderna não existiria, investir em uma sociedade anônima seria praticamente impossível. Os que preferem uma economia planificada também precisam da contabilidade, talvez até mais do que os adeptos do livre mercado, sem contabilidade não existe planejamento.
Fiz esta introdução para tratar de uma reportagem do Estadão (link aqui) que me deixou muito preocupado com a situação fiscal do país, não que eu já não estivesse preocupado, pelo contrário, mas a preocupação atingiu um novo patamar. Trata-se de uma discrepância de R$ 3,1 bilhões entre o déficit público acum…

Comentários a Respeito do Preço do Petróleo e do Pré-Sal

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A queda no preço do petróleo coloca algumas questões importantes para economia brasileira, afinal nossa maior empresa é uma petroleira. Por absurdo que pareça alguns viram a queda do preço do petróleo como algo positivo para Petrobras, o absurdo tem uma justificativa. Por conta da política econômica heterodoxa do governo a Petrobras perde dinheiro quando vende gasolina no Brasil, o combate à inflação via controle de preços forçou a empresa a vender com prejuízo. A queda no preço do petróleo e da gasolina no mercado internacional resolveu esta distorção, hoje a Petrobras não está mais tendo prejuízo quando vende.
Há motivo para comemorar? Eu não comemoraria tão rápido. Se a queda do preço for temporária de forma a permitir que a Petrobras reequilibre suas finanças sem correr o risco que a política econômica volte a obrigar que a empresa tenha prejuízos então a notícia pode ser boa. Pequenos ajustes nos preços de gasolina poderão tirar à Petrobras do sufoco sem assustar o governo de pl…

Manifesto de Professores Universitários de Economia

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Manifesto assinado por 164 professores de economia visando desconstruir vários argumentos falaciosos que estão circulando para explicar o desempenho medíocre da economia brasileira e tentar esconder os inúmeros erros que o governo Dilma cometeu na condução da política econômica. Lendo a lista dos que assinaram é fácil perceber que não existe um padrão nem na formação nem na área de atuação dos que assinam o manifesto. Não há como resolver um problema que sequer é reconhecido, é disto que trata o manifesto dos professores de economia. Temos um problema, culpar o mundo por nossos problemas não vai nos ajudar, precisamos identificar os erros que causaram o problemas para podermos pensar nas soluções, não temos mais tempo para fingir que não erramos. Eu assinei o manifesto.
Segue o manifesto conforme e as assinaturas conforme estavam no dia 14/10/2014 (link aqui).
MANIFESTO DE PROFESSORES UNIVERSITÁRIOS DE ECONOMIA
Este texto é um manifesto de um grupo de 164 professores universitários d…