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Mostrando postagens de Agosto, 2013

Mais uma Tese para queda da Participação da Indústria no PIB

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Esta semana foi muito corrida e não pude dar atenção ao blog, acontece. Porém entre viagens e esperas de reuniões consegui ler o Panoramada Indústria de Transformação Brasileira, recém lançado pela FIESP e um textodo José Oreiro e do Nelson Marconi sobre o que eles chamam de teses ortodoxas arespeito da desindustrizalização brasileira. O texto da FIESP é motivado pelo fenômeno ilustrado do Gráfico 1 do texto e que está reproduzido abaixo.



Fica bem claro que a participação da indústria de transformação no PIB está voltando aos níveis pré-JK. Também é possível observar que este fenômeno começou antes da abertura da economia, antes da estabilização macroeconômica com juros altos e câmbio valorizado e antes da Constituição de 1988. Sendo anterior a estes fenômenos, a prudência recomenda que explicações para queda da participação da indústria no PIB não dependam de nenhum destes fenômenos. Qual seria então a explicação para esta queda? Oreiro e Marconi citam dez teses que eles consideram …

O que está acontecendo com o câmbio?

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O gráfico abaixo mostra a taxa de câmbio entre real e dólar no Brasil de janeiro de 2008 até hoje, peguei a série na página de cotações do UOL. Pelo gráfico podemos ver dois momentos em que a taxa de câmbio passou de R$ 2,40 por dólar. O primeiro foi no final de 2008, durante a crise financeira, e o segundo foi semana passada. Qual a diferença entre os dois momentos? Olhando o gráfico com cuidado é possível ver que em 2008 a subida se deu de forma repentina, em menos de um mês o dólar passou de menos de R% 1,60 para mais de R$ 2,40. Este tipo de movimento brusco costuma ser causado por movimentos especulativos.



Por alguma razão o mercado começa a comprar dólar, em 2008 a razão foi a crise, e o preço do dólar começa a subir. Esta subida faz com que todo mundo corra para comprar dólares antes que fique ainda mais caro levando a um aumento repentino da demanda por dólares e uma redução da oferta de dólares, afinal quem tem dólar não quer vender se acredita que o preço vai subir. Em situ…

Sobre Médicos Cubanos e a Solução do Problema da Indústria Nacional

Acompanhando o caso da importação de médicos cubanos tive uma ideia que solucionará o problema da indústria no Brasil. Como já comentei em outros posts a participação da indústria no PIB tem caído desde pelos menos a década de 1980, isto preocupa alguns colegas economistas que acreditam que sem uma grande participação da indústria no PIB o país está fadado ao atraso. Não concordo com a tese destes economistas, quem companha o blog já deve ter percebido, mas não sou do tipo que se recusa a ajudar.
Segundo estes economistas que estão preocupados com a indústria, também chamados de desenvolvimentistas ou até novos-mercantilistas, nossa indústria não consegue competir com a do resto do mundo porque os custos em dólares de nossas indústrias são muito altos, em particular o custo do trabalho. Como reduzir salários é uma coisa difícil e, ainda segundo os desenvolvimentistas, para aumentar a produtividade é preciso ter muita indústria, o Brasil está em uma armadilha: a produtividade é baixa …

Salários da Indústria e o Motivo pelo qual Comemoram a Desvalorização do Real

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O gráfico abaixo mostra o salário real médio da indústria dividido pela taxa de câmbio efetiva das importações brasileiras. Grosso modo é uma medida de quanto ganham os trabalhadores da indústria brasileira a preços internacionais, esta variável aumento quando o salário sobre ou o real se valoriza e desce nos casos contrários. Quando a curva do gráfico está subindo significa que os trabalhadores da indústria brasileira estão ganhando mais em termos de moedas estrangeiras. Quanto mais alta a curva mais fácil é para os brasileiros comprar produtos importados ou viajar para o exterior.



Notem que com o Plano Real a curva começa a subir, ou seja, os trabalhadores da indústria brasileira começaram a ganhar mais. O colapso do controle de câmbio na virada de 1998 para 1999 levou a uma grande desvalorização do real que jogou a curva para baixo, ou seja, ficamos mais pobres. Durante o primeiro mandato de Lula a variável subiu quase que continuamente, no segundo só caiu durante a Crise Financeira…

Desembolsos do BNDES e Investimento: Mais um Diagnóstico Errado Induzindo um Tratamento Errado.

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Reportagem de O Globo informa que os desembolsos do BNDESpodem chegar a R$ 190 bilhões este ano. A se confirmar este número o BNDES terá aumentado seus desembolsos quase 22% em relação a 2012, no mesmo período o PIB deve crescer menos de 2%. O fato que os desembolsos do BNDES têm crescido de forma significativa nos últimos anos. A figura abaixo mostra os desembolsos do BNDES desde 1997. Entre 1997 e 2012 os desembolsos do BNDES aumentaram 716,75%, no mesmo período o PIB aumentou 368,78% e o investimento aumentou 389,59%, tudo em valores correntes. O resultado é que os desembolsos do BNDES passaram de 2,0% do PIB em 1997 para 3,5% em 2012, o valor máximo do período foi de 4,5% do PIB em 2010.



O discurso oficial é que é preciso estimular o investimento, o fato dos desembolsos do BNDES terem crescido muito mais do que o investimento sugere cautela com este discurso. Vou começar sendo extremamente favorável ao argumento do governo e supor que toda a variação no investimento é devida a var…

Liberdade e Desigualdade, o que dizem os dados?

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Uma das verdades estabelecidas na maioria dos debates sobre liberdade econômica é que quanto maior esta liberdade maior será a desigualdade entre os indivíduos. Sendo assim a perda de liberdade econômica seria o preço a se pagar para morar em uma sociedade sem muita desigualdade. Vários liberais sinceros respondem a esta critica com o argumento que importante é reduzir a pobreza, não à desigualdade. A liberdade econômica faria com que existisse mais riqueza e, mesmo mal distribuída, a existência de mais riqueza faria com que a pobreza diminuísse. Para reforçar esta tese são apresentadas várias evidências que países com maior liberdade econômica têm maior IDH.
A conversa então passa a ser uma discussão de valores. Uns dizem que desde que não existam grandes contingentes de miseráveis, desigualdade não é o problema. Afinal que mal tem se algum bilionário pode queimar milhões de dólares em frivolidades se na ponta de baixo as pessoas tem uma vida digna? Outros afirmam que igualdade é um…

Oferta, Demanda e o Erro de Diagnóstico de 2011.

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Parte dos economistas do governo insiste que o Brasil tem um problema de demanda, segundo estes economistas é preciso que o governo use de política monetária e fiscal para estimular a demanda como forma de gerar mais crescimento. À bem da verdade é preciso dizer que a parcela de economistas que insistem no diagnóstico de demanda caiu nos últimos tempos e já é bem reduzida. Há alguns anos os que insistíamos que o problema estava na oferta éramos bem poucos, não mais que um punhado de acadêmicos e economistas de mercado dispostos a enfrentar a opinião do governo (aqui cabe uma deferência a Alexandre Schwartsman do blog A Mão Visível, é fácil “bater de frente” com o governo quando se está protegido pela academia, o que não era e não é o caso dele e ao meu amigo Adolfo Sachsida que não se intimidou mesmo estando no IPEA). Com o tempo analistas de mercado se juntaram ao coro da oferta, o front acadêmico aumentou e vários economistas de renome falaram publicamente que o problema era a ofer…

Ah se nossos keynesianos fossem assim...

Janet Yellen é uma economista de tradição keynesiana que está cotada para a presidência do FED. Reparem nesta declaração dela:

"— Com o emprego muito longe de seu nível máximo e com a inflação abaixo da meta de 2%, acredito ser apropriado que o progresso do mercado de trabalho assuma o lugar central na condução da política monetária."

Repararam que ela condiciona uma política monetária visando emprego a uma combinação de desemprego alto e inflação baixa? Não me tornei keynesiano nem acredito que se resolva problemas do mercado de trabalho com política monetária. Mas venho tentando dizer faz tempo que o debate sobre o uso de política monetária para "aquecer" a economia só faz sentido em condições específicas e, no Brasil, com inflação alta e acima da meta e com desemprego abaixo da média (o contrário do que Janet Yellen descreveu para os EUA) usar política monetária não faz o menor sentido. Ah se nossos keynesianos fossem assim...

Crescimento e Inflação nos governos FHC, Lula e Dilma: Tem algo de errado no governo da presidenta!

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De uns tempos para cá um esporte muito praticado no Brasil é comparar os governos do PSDB e do PT. Vou entrar no jogo, mas vou usar uma abordagem ligeiramente diferente, meu ponto é que Lula e FHC fizeram governos com muitas semelhanças e Dilma destoou dos dois. Na realidade a inflexão começou no segundo mandato de Lula, despontou com o PAC e ganhou força com o combate a crise, mas só se revelou claramente como uma agenda de contra reformas no governo Dilma.
Para fins de análise vou usar taxa de crescimento e inflação, duas variáveis que sempre estão entre as mais citadas nas páginas de economia dos diversos jornais e nos discursos de críticos e defensores (ainda existe algum?) da política econômica de Dilma. Nos dois mandatos de FHC a economia cresceu a uma taxa média de 2,31% ao ano, nos dois mandatos de Lula cresceu a uma taxa de 4,05% ao ano e no mandato de Dilma, considerando 2011 e 2012, cresceu a uma taxa de 1,8% ao ano. A inflação média dos oitos anos de FHC foi de 9,25% ao …