segunda-feira, 22 de julho de 2013

Mudanças Necessárias

"Productivity isn’t everything, but in the
long run it is almost everything. A
country’s ability to improve its standard
of living over time depends almost
entirely on its ability to raise its output
per worker"
Paul Krugman

A macroeconomia tem dois campos bem distintos: crescimento e flutuações. O primeiro tenta explicar como os países ficam ricos e a razão de existirem países ricos e pobres. O segundo tenta explicar mudanças no produto e emprego que ocorrem em períodos curtos.


No campo das flutuações existe muito pouco consenso. Alguns economistas acreditam que nada deve ser feito além de observar as flutuações acontecerem. Outros acreditam que o governo deve usar de políticas monetária e fiscal para amenizar as flutuações. Entre estas duas visões existe uma infinidade de opiniões sobre a combinação de políticas a ser usada para reduzir as flutuações do produto e do emprego.

No campo de crescimento econômico também existem visões diferentes, mas com menos conflitos e menos diferenças em prescrições de políticas do que no campo das flutuações. Este trecho de um artigo de Krugman sobre a China ilustra meu ponto:

"And the answer, increasingly, seems to be no. The need for rebalancing has been obvious for years, but China just kept putting off the necessary changes, instead boosting the economy by keeping the currency undervalued and flooding it with cheap credit. (Since someone is going to raise this issue: no, this bears very little resemblance to the Federal Reserve’s policies here.) These measures postponed the day of reckoning, but also ensured that this day would be even harder when it finally came. And now it has arrived."


Krugman é uma espécie de líder dos keynesianos nos EUA. Todas suas intervenções recentes tem sido no sentido de pedir mais estímulos para economia americana. Porém, quando o assunto é crescimento, Krugman deixa claro que estímulos não são a política adequada. Crédito barato e desvalorizações cambiais podem até ser recomendáveis (não estou dizendo que são) para economias com alto nível de desemprego e baixas taxas de juros, mas não são políticas de longo prazo. No longo prazo o que conta é a produtividade, e ganhos de produtividade só aparecem quando são feitas as "necessary changes" ou como falamos por aqui as reformas necessárias.

Ao usar políticas de estímulo em uma economia com baixa taxa de desemprego (nem falo dos juros altos) Dilma e sua equipe econômica aplicaram o remédio errado. O Brasil já perdeu muito tempo para fazer as "necessary changes" mas nunca é tarde para fazer o que é necessário. Está na hora de parar de perder tempo com mágicas e tratar do realmente importa. Um bom começo seria reduzir a burocracia e as regulações desnecessárias, investir em capital humano e em infraestrutura.

4 comentários:

  1. Roberto,
    Vou te fazer algumas perguntas sinceras não muito relacionadas com esse texto acima.

    Concordo que um dos problemas da economia brasileira é baixa produtividade do trabalho, mas qual o incentivo que o trabalhador tem pra se tornar mais produtivo?
    Os salários aumentam se houver um aumento da produtividade?
    Aumento da produtividade não é aquilo que o Marx batizou de aumento da mais valia relativa?
    Não sou marxista e não gosto de teoria marxista, mas se o aumento da produtividade não se refletir no aumento do salário, por que alguém se tornaria mais produtivo? Pra enricar o patrão?
    Exemplo: se a garota do McDonald's se tornar hiper-produtiva isso sem dúvida aumentará os lucros do McDonald's, mas por que a garota iria se esforçar para aumentar os lucros McDonald's?
    Sou leigo em economia, mas essas são as primeiras coisas que vêem à minha cabeça quando ouço que precisamos aumentar a produtividade da mão de obra brasiliera.
    Ficaria muito grato se você acabasse com essas minhas dúvidas.
    Abs.
    Manelim Silva.

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    1. Caro Manelim,

      A lógica de Marx deriva da teoria do valor trabalho e se mostrou errada. A economia moderna considera que a produtividade do trabalho afeta diretamente o salário, dependendo da estrutura de mercado o salário é igual a produtividade marginal do trabalho.

      A evidência empírica aponta na mesma direção. Em países onde a produtividade do trabalho é maior os salários são maiores. Caso não queira comparar países também é observado que no longo prazo existe uma relação positiva entre salário e produtividade do trabalho em um mesmo país.

      Vou tentar explicar esta lógica a partir do teu exemplo. Se a moça do McDonald fica mais produtiva e não recebe um aumento por conta disto o proprietário daquela loja terá um lucro extra. Suponha que este lucro extra seja de R$ 100,00. Considerando que todo proprietário de lojas do McDonald deseja ter o maior lucro possível é de se esperar que o proprietário da loja do McDonald do outro bairro ofereça a esta moça um salário R$ 30,00 maior do que o que ela recebe onde trabalha. Note que ele ainda vai ficar com R$ 70,00 do lucro extra. Se o proprietário da loja onde a moça trabalha também quiser maximizar seu lucro ele vai oferecer um salário R$ 40,00 maior que o que ela ganha, ficando com R$ 60,00 de lucro. Dependendo da estrutura de mercado é possível que este processo garanta a moça um aumento de R$ 100,00. Mas mesmo que seja um aumento de, digamos, R$ 70,00 ela está melhor depois que ficou mais produtiva.

      É claro que o exemplo simplifica muito a realidade, mas os dados mostram que o mecanismo descrito no exemplo funciona. É por isto que o padrão de vida dos trabalhadores aumentou muito nas maioria dos países nos últimos 100 anos.

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    2. Caro prof. Roberto,
      No caso do Brasil, há alugma evidência empírica que comprova a tese de que aumento da produtividade se traduz em aumento de salário?
      Tanto faz se o sujeito é atendente de supermercado ou se é engenheiro da vale, se houver aumento da produtivida haverá aumento de salário?
      Dito de outro modo: o mecanismo que você descreveu para a moça do McDonald funciona para qualque trabalhador?
      Muito obrigado pela resposta.

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    3. No longo prazo sim. No curto prazo depende da estrutura de mercado de cada profissão e da conjuntura econômica. Quanto mais difícil for encontrar outro emprego mais lento será o processo.

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