IDHM e as Reformas ou Nunca antes na história deste país...

Com a divulgação do índice de desenvolvimento humano municipal brasileiro (IDHM) ganhamos mais um indicador do desempenho da economia brasileira pós-reformas. Depois de pelo menos quarenta anos de políticas desenvolvimentistas o Brasil resolveu dar uma oportunidade as reformas pró-mercado. Longe de ter sido uma escolha espontânea a opção pelas reformas foi tomada por falta de qualquer outra opção disponível após o colapso da estratégia desenvolvimentista na década de 1980. É importante ressaltar este ponto, pois ajuda a explicar a razão de não termos investido a fundo nas reformas, fizemos o mínimo de reformas necessárias para tirar a economia brasileira do atoleiro em que estava. Mas fizemos, e vinte anos depois é possível ver como este modesto ímpeto reformista mudou a economia brasileira.

A figura (tirada do Atlas de Desenvolvimento Humano Municipal Brasileiro) mostra o IDHM em 1991, 2000 e 2010. Temos um retrato dos municípios brasileiros no início das reformas, no meio e no final do período de revisão (mas não reversão) das reformas. Em 1991 o IDHM do Brasil como um todo era 0,492, o Brasil era então um país de muito baixo desenvolvimento humano, em 2000 o IDHM era 0,612, dez anos de reforma o Brasil já era um país de médio desenvolvimento humano, por fim, em 2010, o IDHM era de 0,727. Em vinte anos de reformas o Brasil deixou de ser um país de desenvolvimento humano muito baixo (a pior classificação) e passou a ser um país de médio desenvolvimento humano (a segunda melhor classificação). Entre 1991 e 2000 o IDHM aumentou 24,4%, entre 2001 e 2010 aumentou 18,8%, considerando o período como um todo o IDHM aumentou 47,8%.



Ao contrário do crescimento concentrador de renda pessoal e regional que ocorreu no período desenvolvimentista o crescimento do IDHM beneficiou todas as regiões brasileiras e abarcou todos os indicadores considerados no IDHM. A expectativa de vida ao nascer subiu de 64,7 para 73,9 anos. A população com idade de 5 a 6 anos que frequenta escola subiu de 37,3% do total em 1991 para 71,5% em 2000 e chegou a 91,1% em 2010. Em 1991 85,8% dos municípios brasileiros tinham desenvolvimento humano muito baixo, esta percentagem caiu para 41,8% em 2000 e incríveis 0,6% em 2010. Na outra ponta não tínhamos municípios com desenvolvimento humano alto ou muito alto em 1991, em 2010 estes municípios somaram 34,7% do total de municípios (33,9% de alto desenvolvimento e 0,8% com desenvolvimento muito alto).


Os números são acachapantes. Por qualquer critério usado no índice de desenvolvimento chega-se a conclusão que vinte anos após as reformas o Brasil está muito mais desenvolvido do que quando as reformas começaram. Lembrem destes números toda vez que alguém falar que as reformas só beneficiaram os mais ricos e quebraram o Brasil, foi o contrário. A partir de 2006 o governo brasileiro começou a abandonar a agenda de reformas e a partir de 2011, com Dilma, começou uma agenda de contra reformas. Proteger a indústria voltou a ser mais importante que proteger os cidadãos. A quem interessa o abandono das reformas? Quem ganha com isto? Pensem nisto.

Comentários

  1. Estatisticas sem qualificação!? Quer dizer entao que fizeram uma revolução e ninguém viu?

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    1. Salve meu amigo, os dados são do PNUD/IPEA, coloquei o link para o Atlas no post. Não diria que fizeram uma revolução, mas que fizemos uma transformação. Ainda tem muito para fazer, mas melhoramos muito.

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    2. Gosto do seu otimismo. Quem sabe me contamina!?. Grande abraço.

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  2. Nossa, a desonestidade intelectual do autor desse texto é monstruosa. Ele joga a ideia de que o salto no IDHM veio por uma diminuição do Estado em prol do mercado? Por favor, né.

    Em primeiro lugar, o "desenvolvimentismo" brasileiro - desde JK - não passava de um modelo de Capitalismo de Estado. Assim, o Estado brasileiro nesse época assumiu o papel de empresa, deixando para trás o seu papel social, o seu papel de correção de distorções na economia. Pelo contrário, ele investiu, explícita e conscientemente, num modelo de crescimento sem desenvolvimento, num modelo que conscientemente aumentaria e aumentou as desigualdades sociais. Isso sim é "proteger a indústria" em detrimento dos cidadãos. É o mais puro Capitalismo de Estado.

    Em segundo lugar e principalmente, qualquer análise honesta mostrará que o salto no IDHM tem dois responsáveis básicos: primeiro e principal, a Constituição de 1988. Segundo: a democracia. A Constituição de 1988 criou uma coisa que o Brasil não tinha: um Estado de verdade, com obrigações robustas e concretas para com o seu cidadão. Criou uma coisa chamada SUS. Obrigou o Estado a garantir educação para todos. Ora, foi o mercado que possibilitou o salto nos indicadores de saúde, como a longevidade, e não o SUS? Foi o mercado que garantiu o boom no acesso à educação no Brasil?

    O responsável pelo salto nos indicadores de saúde foi o SUS que, mesmo novo, mesmo subfinanciado, mesmo aos trancos e barrancos, se tornou o maior sistema de saúde público no mundo.

    O responsável pelo salto nos indicadores educacionais foi sobretudo o Governo FHC, que garantiu o boom no acesso à educação básica, pública e gratuita. Sem qualidade, é verdade, mas é melhor escola ruim do que sem escola.

    A prova cabal e incontestável disso é o forte aumento da carga tributária ocorrida no período FHC. Saímos de algo em torno de 20% para uma carga tributária próxima de 35%, e isso ainda no Governo FHC. Mas por que, porque o FHC é um chavista, comunista, marxista-leninista safado e comedor de criancinhas? Não, porque a Constituição brasileira obrigou o Estado a isso.

    O salto no IDH brasileiro veio porque hoje temos um Estado para o cidadão, e não um Estado-empresa. Temos um Estado que corrige desigualdades, enquanto antes de 1988 tínhamos um Estado que produzia bens de consumo para a classe alta.

    O que o Brasil está fazendo, desde os anos 1990, é montando e aperfeiçoando uma socialdemocracia, com Estado forte. Mas porque queremos ser Cuba, Coreia do Norte? Nada disso. É porque queremos seguir o exemplo da Europa, da Suécia e dos outros nórdicos. Eles são o que são hoje, no ranking do IDH, porque lá nos anos 1930 e especialmente a partir dos anos 1950, eles criaram e consolidaram uma socialdemocracia, com Estado forte e que corrigiu desigualdades e praticamente eliminou a miséria. Investiu em educação e saúde públicas. Transferiu renda. Investiu na geração de empregos. É esse exemplo que o Brasil está seguindo.

    Nos últimos 10 anos, o Brasil foi o país que mais reduziu a desigualdade no mundo, e disparado (dados da ONU). Todos os outros BRICs cresceram, assim como o Brasil, mas os outros BRICs diminuíram a pobreza, mas não a desigualdade. Pois os pobres ficaram menos pobres, mas os ricos ficaram ainda mais ricos. No Brasil não. Por quê? Estado. Transferência de renda. Geração de empregos. Aumento do salário mínimo acima da inflação. Democratização do acesso à universidade. Estado.

    E isso não tem nenhuma contradição com "reformas pró-mercado". Collor acertou, sim, ao abrir o nosso mercado, ao colocar o Brasil dentro do mundo globalizado. FHC acertou ao permitir que o mercado e o terceiro setor ajudasse o Estado a implementar e gerir políticas públicas. Lula acertou ao desenvolver políticas públicas pró micro e pequenas empresas, e acertou sobretudo ao fortalecer o mercado interno.

    Mas IDH, saúde, renda, educação? Pode colocar tudo isso na conta do Estado. O que temos hoje, desde a Constituição de 1988, é um Estado, com E maiúsculo, forte, preocupado com o cidadão, e que corrige as desigualdades.

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    1. Nossa, a agressividade gratuita do comentário só não é maior que falta de conhecimento do quem o escreveu.

      Em primeiro lugar em não elogiei o desenvolvimentismo em lugar nenhum, PELO CONTRÁRIO, em lugar nenhum eu elogiei o desenvolvimentismo. Agora, se dermos a palavra contrário seu significado usual, a minha frase:

      "Ao contrário do crescimento concentrador de renda pessoal e regional que ocorreu no período desenvolvimentista o crescimento do IDHM beneficiou todas as regiões brasileiras e abarcou todos os indicadores considerados no IDHM."

      Pode ser lida como uma crítica ao desenvolvimentismo. Também não lembro de ninguém chamar FHC de chavista. Usar de espantalho é feio mas inverter o que outro diz é horrível. 2x Nossa!

      O governo FHC seguiu a agenda de reformas conhecida como Consenso de Washington. O investimento em saúde e educação estão na lista de 10 pontos do John Williamson, a saber:

      "Redirection of public spending from subsidies ("especially indiscriminate subsidies") toward broad-based provision of key pro-growth, pro-poor services like primary education, primary health care and infrastructure investment;"

      Talvez uma leitura dos documentos da agenda reformista do consenso de Washington ajude a fazer críticas consistentes das reformas. Falar sobre o que não leu (se leu esqueceu) é que é desonestidade intelectual. 3x Nossa! Também é desonestidade intelectual falar de qualquer estudo honesto e não citar nenhum. 4x Nossa!

      Peço, por favor, que antes de fazer acusações levianas tenha a gentileza de saber do que está falando.

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  3. Comentários são bem-vindos, mas peço que os comentaristas tenham a gentileza de saber sobre o que estão falando. Gosto de responder a tudo que me perguntam, porém é de bom tom não fazer perguntas foras de contexto. O Consenso de Washington pode ser resumido em 10 pontos:

    The consensus as originally stated by Williamson included ten broad sets of relatively specific policy recommendations:

    Fiscal policy discipline, with avoidance of large fiscal deficits relative to GDP;

    Redirection of public spending from subsidies ("especially indiscriminate subsidies") toward broad-based provision of key pro-growth, pro-poor services like primary education, primary health care and infrastructure investment;

    Tax reform, broadening the tax base and adopting moderate marginal tax rates;

    Interest rates that are market determined and positive (but moderate) in real terms;

    Competitive exchange rates;

    Trade liberalization: liberalization of imports, with particular emphasis on elimination of quantitative restrictions (licensing, etc.); any trade protection to be provided by low and relatively uniform tariffs;

    Liberalization of inward foreign direct investment;

    Privatization of state enterprises;

    Deregulation: abolition of regulations that impede market entry or restrict competition, except for those justified on safety, environmental and consumer protection grounds, and prudential oversight of financial institutions;
    Legal security for property rights.

    Qualquer um pode ser contra estes dez pontos, mas para ser contra é preciso saber quais são os dez pontos. De posse deste conhecimento você vais entender, por exemplo, porque economistas críticos do Consenso de Washington foram os maiores opositores do Bolsa Família, na época o programa foi "acusado" de ser coisa do Banco Mundial.

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    1. O pior dos mundos é aplicação capenga do Consenso de Washington. Certamente, salve melhor juizo, foi o que aconteceu no Brasil.

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  4. Meu Deus... Não se faça de desentendido. Aponte no meu comentário onde eu disse que você elogiou o desenvolvimentismo. Aponte no meu comentário onde eu inverti o que você disse. Aponte. Mais uma vez, você recorre à desonestidade intelectual. Minha nossa.

    O que eu afirmei é que o que você chama de desenvolvimentismo, eu chamo de Capitalismo de Estado. Mas a intenção do seu texto - não negue isso, pega mal - era mostrar que supostamente antes dos anos 1990 o Brasil tinha "muito Estado", e que depois dos anos 1990, o Brasil fez reformas pró-mercado, o que teria diminuído o Estado e, por isso, o Brasil teria tido os avanços mencionados no IDHM. E essa afirmação, de duas, uma: ou é pura desonestidade intelectual, ou é falta absurda de conhecimento.

    E o pior é que você insiste na estratégia da desonestidade intelectual. Ora, a Constituição de 1988 veio ANTES do Consenso de Washington. Responda-me: foi o Consenso de Washington que criou o SUS? Em? Foi o Consenso de Washington que obrigou o Estado brasileiro a garantir acesso de todos à educação pública e gratuita? Em? O que John Williamson e a turma do Consenso de Washington diria sobre o fato de a carga tributária ter saltado de cerca de 20% para 35% em poucos anos?

    Foi o Consenso de Washington que pediu políticas de aumentos reais e permanentes do salário mínimo, acima da inflação? Foi o Consenso de Washington que orientou o Brasil a olhar para o seu mercado consumidor interno de classe baixa, de uma vez por todas?

    Desonestidade intelectual, desonestidade intelectual, desonestidade intelectual.

    Já estou acostumado a ver gente da turma de Hayek, Mises & Cia, ao terem suas teses completamente desconstruídas, apelarem para "você não sabe do que está falando". No desespero de verem suas teorias desmascaradas, o que lhes resta é sempre isso, a infantilidade e a arrogância de quem não tem argumentos para debater com base na realidade concreta.

    E a realidade concreta é essa: a Constituição de 1988 criou de uma vez por todas um Estado no Brasil, um Estado forte, e não um Estado-empresa. Foi o SUS, que a Constituição criou, e foi o acesso à educação pública gratuita à qual nossa Constituição nos obrigou, que permitiram que o Brasil desse um salto magnífico no IDH em 20 anos. Não fosse isso, se dependesse da turma Hayekiana, estaríamos hoje igual aos EUA, resistindo a criar um sistema de saúde digno porque isso é "socialismo".

    Agora, mais uma vez, releia o meu comentário e aponte onde eu afirmei que você elogiou o "desenvolvimentismo". O que eu fiz foi desconstruir a base da sua argumentação. Leia direito e com atenção que você vai entender, ao menos eu espero.

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    1. Se ficou claro para você que eu considero o desenvolvimentismo (ou capitalismo de estado ou o nome que você queira dar) um crescimento concentrador de renda e que não gera ganhos de bem-estar social sua primeira consideração está entre redundante e mal intencionada, fico com a segunda opção.

      A Constituição (renegada pela esquerda, diga-se de passagem) tem muitas coisas, umas viraram realidade outras não. O SUS e a inclusão na educação viraram realidade não porque a Constituição assim o quis mas porque os governos assumiram o compromisso de tornar estas coisas realidade. Governos estes ligados a uma agenda reformista que está sendo revertida pelo governo Dilma. O Bolsa Família é outro exemplo de programa social derivado da agenda de reformas. Não por acaso também foi um programa renegado pela esquerda.

      Olhe os dez pontos do Consenso de Washington, olhe de novo, mais uma vez. Algum fala de redução de carga tributária? O que se pede é equilíbrio fiscal e transferência de gastos de subsídios para programas sociais, note a enfase no pró-pobre. Não preciso perguntar a turma do Consenso de Washington sobre o que já está escrito. Note também que o termo consenso não vem do acaso, um consenso representa uma convergência de idéias construídas no decorrer de anos. Idéias estas que já existiam em 1988, até antes.

      Não entendi a referência a Hayek, Mises e cia, se foi sua intenção me colocar nesta turma errou, se por ignorância ou má fé não posso afirmar, mas tenho minhas suspeitas. Embora respeite esta turma não comungo de várias idéias que esta turma defende, por exemplo: não concordo com a explicação de Hayek para o ciclo de negócios. Mas se você insistir na tese que seguindo os conselhos desta turma "estaríamos hoje igual aos EUA", por qualquer sentido que você tenha dado a esta frase, posso mudar de ideia.

      A intenção do meu texto foi mostrar que o Brasil melhorou após as reformas pró-mercado, o que é verdade. Se foi possível fazer o SUS e colocar as crianças na escola é porque paramos de financiar empresários. Se foi possível criar a tal nova classe média é porque acabamos com a inflação. A única coisa sensata de seu comentário é que uma agenda de reformas pró-mercado não significa menos estado (se é que foi isto que você quis dizer). A reforma consistiu em substituir o estado indutor do crescimento pelo estado protetor do cidadão. No primeiro papel quero um estado fraco, no segundo quero um estado forte.

      Repetir os mesmos argumentos não os tornam verdadeiros. Até agora vi muita agressividade da sua parte mas não vi nem dados nem citações que defendam suas teorias. Se não puder apresentar um argumento que defenda sua tese é melhor calar a boca.

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  5. Bom, você alega que eu estou sendo agressivo, mas o máximo que eu afirmei foi que você usa e abusa da desonestidade intelectual (e continua fazendo isso, pra variar). Mas você acabou de me mandar calar a boca. Já entrei em muitos debates, ao vivo e na rede, e nunca vi ninguém chegar ao ponto de mandar o outro calar a boca. Isso mostra duas coisas: 1º, que você não tem equilíbrio suficiente para lidar com argumentos contrários. 2º, que você esconde no fundo uma tentação autoritária, antidemocrática e até mesmo um lado infantil. Ou seja, na dificuldade de manter um debate usando dados e argumentos, você apela e manda o outro calar a boca. Enfim, eu sinceramente não esperava por isso. Mas vamos lá.

    No início do seu novo comentário, você mostra que continua apostando na desonestidade intelectual. Meu caro, a minha intenção ao abordar a questão do desenvolvimentismo foi desconstruir a sua argumentação de que antes de 1990, tínhamos muito Estado, e que depois de 1990, passamos a ter menos Estado em detrimento do mercado. Mostrei que antes, tínhamos um Estado fraco e que não cumpria seu papel. Um Estado-empresário, tão somente. Se você continua não entendendo que foi por isso que eu abordei a questão, então eu desisto. Você tenta desviar o assunto; não vou entrar nessa.

    Em seguida, você tenta relevar a importância da Constituição de 1988 no desenvolvimento daquilo que ela mesma C-R-I-O-U, como o SUS, por exemplo. E depois você dá uma forçada de barra legal que só reforça a sua opção pela desonestidade intelectual. Você afirma que os governos que garantiram o SUS e o acesso à educação pública estiveram “ligados” a uma agenda reformista, tentando dar a entender que seria essa agenda reformista que permitiu a construção do SUS e a promoção do acesso à educação pública.

    Vamos lá. O que o fato de os governos terem aceitado essa agenda reformista têm a ver com a construção desses sistemas (SUS e educacional)? Cadê o nexo? Outra estratégia clássica, que você infelizmente também usa, é de colocar, mesmo que muito sutilmente, o carimbo de petista em todo mundo que se identifica com ideias desde a socialdemocracia até o mais radical anarquismo. Quem criticou as medidas do Governo FHC foi o PT, e o fez isso por motivos estritamente políticos. Assim como faz agora o PSDB, que diz agora ser contra a reeleição e a importação de médicos, coisas que lá atrás eles defenderam. O nome disso é política. E política suja, segundo a qual a oposição tem que ser contra tudo o que o governo faz, seja de que lado estiver cada um.

    Se a esquerda fosse contra programas de transferência de renda, a esquerda sueca, dinamarquesa e etc não as teriam adotado lá atrás, no século passado. Cada argumento seu é mais frágil que o outro.

    Agora o auge da desonestidade intelectual do seu novo comentário está em questionar onde o Consenso de Washington fala de redução de carga tributária. Agora você baixou a guarda e dançou na minha frente. Eu poderia citar algo mais completo, mas não preciso, já que na sua própria situação é possível responder seu questionamento. “adopting moderate marginal tax rates”. Alíquotas moderadas... o que será isso? É óbvio que ao falar de reforma tributária e carga tributária “moderada”, o Consenso de Washington está muito claramente defendendo um modelo de baixa carga tributária. Você poderia ter ficado sem essa. Chega a dar vergonha alheia alguém questionar se o Consenso de Washington não defende carga tributária baixa, ou, para usar o próprio termo deles, “moderada”.

    Nem Williamson nem ninguém da turma do Consenso de Washington recomendaria ao Brasil aumentar tão substancialmente sua carga tributária. Seja honesto ao menos uma vez, neste debate. E o aumento substancial da carga tributária é a prova mais absoluta de que o Brasil construiu, pós Constituição (e devido a ela), um Estado forte, e que foi este Estado forte que desenvolveu um Sistema Único de Saúde, que promoveu o acesso à educação, que permitiu o aumento real e permanente do salário mínimo, entre tantas outras medidas manifestamente SOCIALDEMOCRATAS. É simples assim.

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  6. Qualquer possibilidade de conversa civilizada foi encerrada na primeira frase do seu primeiro comentário. Ao mostrar não conhecer a diferença entre alíquota marginal e alíquota de um imposto você mostra o quão certo eu estava ao sugerir que você calasse a boca a menos que tivesse algo a dizer. Tentei evitar que você se expusesse ao ridículo assinando um atestado de desconhecimento de causa, infelizmente você não meu ouviu e fez isto. Meu problema é com o estado desenvolvimentista, não com o estado, está no primeiro post deste blog.

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  7. Putz, você realmente perdeu o equilíbrio, rs. E qualquer possibilidade de enfrentar meus argumentos e a própria realidade concreta dos fatos. Achei que você teria o mínimo de honestidade de reconhecer que, ao questionar se o Consenso de Washington realmente defenderia uma carga tributária baixa, você passou dos limites, com sobras. Ao menos isso você poderia reconhecer. Um professor de economia, da UnB ainda por cima, querer sugerir que a turma do Consenso de Washington não combateria/criticaria um brutal aumento da carga tributária tal como ocorreu no Brasil, é algo preocupante para a própria academia brasileira.

    Por isso, quem se expôs ao ridículo foi você. E querer colocar avanços como queda acelerada da desigualdade, e avanços nos indicadores educacionais e de saúde na conta do Consenso de Washington é engraçadamente patético, e a prova da sua desonestidade intelectual. E isso te expõe ao ridículo duplamente.

    Enfim, você já se demonstrou incapaz de debater com argumentos honestos a realidade concreta, e ao se mostrar vencido pela verdade, você me obriga a me retirar desse debate.

    Por medo do debate, por infantilidade e por sua tentação autoritária e antidemocrática, você quer que eu me cale. Mas tenha certeza: eu não me calarei, especialmente diante de quem tenta desonestamente confundir as pessoas, como você fez ao sugerir que foram as "reformas pró-mercado", e não um Estado forte e atuante que melhorou a vida sobretudo daqueles brasileiros que, ontem, e pela ausência da mão do Estado, não tinham nem o que comer e viviam marginalizados.

    Um forte abraço no seu coração de alguém que só vai se calar quando o mundo for um lugar melhor para todos, mais justo, fraterno, sem miséria e muito mais igualitário.

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  8. O Consenso de Washington se resume aos dez pontos que listei acima. Me mostre uma única referência dizendo o contrário (sem confundir conceitos elementares, por favor) e reconheço meu erro. O que você está chamando de Consenso de Washington é uma redefinição do termo que foi feita no decorrer das implementações das reformas (principalmente) na América Latina. Sou economista especializado em crescimento econômico e me reservo o direito de usar a definição original e correta (dei a dica para você quando colei os dez princípios acima, se estivesse mais interessado em aprender do que acusar teria seguido a dica). Só estou explicando isto porque fiquei comovido com o abraço no coração, do contrário o deixaria no erro. Não pense que coloquei o termo Consenso de Washington por acaso, lhe convidei ao erro e você aceitou o convite. Não precisa acreditar em mim nem ler livros de economia, basta uma busca na Wikipedia (coisa básica mesmo, te dou o link: http://en.wikipedia.org/wiki/Washington_Consensus) e você verá a confusão que você fez.

    Naturalmente um consenso não engloba todas as opiniões de todos os participantes. Desta forma você vai achar economistas que participaram e/ou concordam com as linhas gerais do Consenso com opiniões distintas sobre vários temas, inclusive sobre o Estado de Bem-Estar e o tamanho ideal da carga tributária (que novamente afirmo que não é igual a alíquota marginal, esta diferença não vou te dar de bandeja mas é fácil achar na internet). Eu, por exemplo, gosto do consenso em linhas gerais mas não concordo com o ponto seis, sou de opinião que o câmbio deve flutuar livremente.

    Como você tomou a liberdade de citar que sou professor tomo a liberdade de dizer que minhas opiniões sobre as reformas e/ou a economia brasileira nos últimos anos estão registradas em artigos e capítulos de livros publicados no Brasil e no exterior. Não preciso e não vou adaptar minhas opiniões para defender em um post de blog. Até porque muitos alunos e ex-alunos acompanham o blog e pegariam qualquer inconsistência. Porém, se quiser uma referência internacional sobre reformas e desenvolvimento na América Latina segue o link para o livro do Sebastian Edwards que citei acima: http://www.amazon.com/Left-Behind-America-Promise-Populism/dp/022600466X. O que não faz um abraço no coração?

    Esta conversa já foi longe demais e para aqui. Se quiser participar de outra discussão venha a seu critério, mas não espere tratamento cordial ou respeitoso se você começar batendo. Não é assim que funciona.

    P.S. Se eu quisesse te calar teria clicado no botão de excluir desde o seu primeiro comentário, teria me dado menos trabalho.

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  9. Prezado amigo, recomendó leitura do meu primeiro post Regras do Jogo - http://chutandoalata.blogspot.com.br/2009/09/regras-do-jogo.html

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  10. Rafael Jardim: o que você está falando sobre carga tributaria e Consenso de Washington é de uma ignorância brutal. O aumento da carga tributaria no Brasil foi - entre outras causas - uma imposição de Washington (FMI, Banco mundial, tesouro americano).

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  11. O tal de Rafael Jardim deve ser um graduando cheio de preconceitos da Unicamp ou alguma coisa assim.

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  12. Cada vez que o Congresso votava uma aumento de imposto encaminhado pelo MALAN, o risco de NÃO ser aprovado fazia que o mercado fosse à loucura de medo. O aumento da carga tributária foi concebido para pagar as contas, evitar um deficit (nominal é óbvio) que colocasse fogo na dívida pública. A constituição tinha pouca relação com isso.
    Me parece claro, como o Roberto escreveu, que o Brasil insistiu até os anos 90 em medidas pró negócios e a agenda pró mercado surgiu após essa data, ao arrepio de parte dos intelectuais de esquerda. O descaso com a educação fundamental foi mudado pela constituição ou pela determinação do FHC em buscar sua universalização? Educação básica universal, equilíbrio fiscal e inflação baixa me parecem pontos hoje consolidados, mas a mudança de mentalidade ocorreu pela mão do FHC. Esses três pontos não eram importantes segundo os economistas da esquerda brasileira. Como candidato ao driver da redução da desigualdade, entre constituição de 88 e as reformas pro mercado, fico com o bull market das commodities.
    Dantas

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  13. O Rafael Jardim cometeu 2 erros: primeiro, foi mais agressivo que precisava. Segundo, ele achou que as opiniões do Roberto eram desonestidade. Isso não é verdade, pois ele realmente pensa tudo isso que ele escreveu.

    Porém, no conteúdo, o Rafael foi perfeito. Muito do que ele questionou ficou sem resposta. Mas é verdade: dizer que a queda da desigualdade tem alguma coisa a ver com Consenso de Washington é bizarrice. Ninguém fez questão nenhuma de lembrar que a queda da desigualdade foi obra do governo de esquerda, do governo Lula. No governo FHC, a queda na desigualdade foi muito tímida, praticamente estável. Por quê? Porque isso não foi e nunca seria uma prioridade deles.

    E a desigualdade caiu bruscamente por causa de medidas governamentais orientadas a isso, e não por causa de commodities, por favor. O centro do argumento do cara é que o Brasil avançou como avançou porque implantou aqui uma Socialdemocracia, e um Estado forte, muito mais forte que vocês da direita gostariam, vamos combinar.

    Num dos comentários, o cara fez um elo com os nórdicos, e é isso mesmo. O Brasil hoje se espelha numa Suécia, numa Dinamarca. Dois países que, durante meio ou mais de meio século, foram governados de forma praticamente ininterrupta pela esquerda, que criou por la uma socialdemocracia, sem pobreza e com baixíssima desigualdade. E são hoje os países mais desenvolvidos do mundo. Curiosamente, a Suécia começa a aumentar sua desigualdade e pobreza, coincidentemente após a direita assumir o poder.

    Enfim, voltando à questão principal: o avanço brasileiro realmente se deve à consolidação da opção pela socialdemocracia no país, com Estado forte. Ah, e sejamos justos: o que o FHC adaptou do Cristóvam Buarque foi uma bolsa miséria, que atendeu meia dúzia de famílias, e só pra inglês ver, como vocês gostariam. Quem transformou transfêrencia de renda em política de Estado, robusta, recebendo elogios do mundo inteiro e sendo copiado por meio mundo, foi Lula e a esquerda. Não à toa os indicadores sociais só começaram a melhorar de forma brusca a partir de Lula. Isso vocês não tiram da esquerda nem aqui, nem na Suécia.

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    1. Caro,

      Não podemos confundir o estado de bem-estar social com o estado desenvolvimentista. É verdade que a Suécia tem um forte estado de bem-estar mas também é verdade que a Suécia está no topo dos rankings de liberdade econômica. Independente de simpatias políticas minha "luta" é contra o estado desenvolvimentista, não é contra o estado de bem-estar. Por exemplo, na minha tese de doutorado defendi a existência de um regime de previdência do tipo repartição (menor do que o vigente, reconheço) em uma época onde era padrão defender o fim deste sistema. O artigo da tese está aqui: http://www.scielo.br/pdf/rbe/v57n1/a02v57n1.pdf. Também não sou um crítico do bolsa família e do SUS, embora tenha minhas ressalvas. Quem não tem? Se alguém me perguntar quais as medidas fundamentais para o Brasil crescer vou listar: redução de burocracia, investimento em capital humano e investimento em infraestrutura. Já falei isto várias vezes em vários lugares. Notou que redução da barga tributária não está na minha lista? Claro que considero a carga tributária brasileira alta, mas não é meu foco. Estou mais preocupado com alíquotas marginais do que com alíquota médias.

      O foco das reformas não foi desmontar o estado de bem-estar social. Basta ver os itens do Consenso de Washington ou reparar que as "conquistas" da Constituição em grande parte decorrer da ação do que viria a ser o PDSB. Aliás foi dos embates da Constituinte de 1988 que o PSDB se formou como dissidência a esquerda do PMDB, lembra do Centrão?. O foco das reformas foi desmontar o estado desenvolvimentista. O desmonte do estado desenvolvimentista é um poderoso mecanismo de distribuição de renda.

      Sem a preocupação de proteger a indústria o estado brasileiro ficou livre para se preocupar com a população. Teria sido possível estabilizar a economia sem os juros gigantescos dos anos 1990 e a consequente valorização cambial? Como conciliar isto com a proteção da indústria? Existiria desconcentração de renda e melhora do bem-estar sem a estabilização? Duvido.

      Também não compro o discurso de direita e esquerda no Brasil. Considero PSDB e PT partidos de esquerda, logo qualquer argumento elogioso sobre estes 20 anos implica em reconhecer méritos em governos de esquerda. Já disse em algum lugar e repito, entre Lula e Serra eu escolho Lula. O primeiro é um político pragmático que sabe que proteger a população é mais importante que proteger a indústria, o segundo é um desenvolvimentista.

      Abraço.

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    2. Roberto,

      Por quê os economistas brasileiros não enfatizam o aumento da competição nos mercados de bens e serviços como uma medida fundamental para que a economia brasileira cresça no longo prazo? A literatura econômica é clara nessa questão.

      Sempre me perguntei isso...

      Abrs,

      A

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    3. Não sei responder. Tento fazer minha parte, mas a maioria ainda prefere procurar por crescimento em políticas de curto prazo. Fazer o quê?

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    4. Obrigado, Roberto. Mas você mesmo falou as medidas que você promoveria se tivesse influência no governo: "redução de burocracia, investimento em capital humano e investimento em infraestrutura". Cadê uma maior liberalização dos mercados de bens e serviços? Talvez quando você fala em burocracia, está se referindo à introdução de maior competição e fortalecimento dos orgãos encarregados de preservar a competição.

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    5. Vejo a liberação do mercado mais como um objetivo do que como uma medida. A redução da burocracia implica em redução na regulação confusa e excessiva que temos e levaria a um mercado mais livre. Estou pensando em algo como melhorar nossa posição no "Doing Business" do Banco Munidial. Por isto sempre coloco reduzir a burocracia em primeiro lugar da minha lista. Note que não estou falando em eliminar toda e qualquer burocracia (seria impossível) nem em eliminar toda e qualquer regulação (existem regulações necessárias).

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    6. Obrigado, Roberto. Ficou claro.

      Certo. Deve haver boa regulação para que a competição entre firmas seja preservada.

      Na Espanha (e na Europa) fala-se demais de desregulação dos mercados de bens, serviços e trabalho. É por isso que chama a minha atenção não escutar essa mensagem no discurso econômico mainstream no Brasil tão frequentemente quanto aqui.

      Abrs,

      A

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  14. "recebendo elogios do mundo inteiro e sendo copiado por meio mundo"
    Tem certeza que o modelo Lula está sendo copiado por todos? O "modelo Lula", agora adaptado para um "modelo pós-Lula", está fazendo água.
    Enfim, o que foi dito é as reformas seriam a causa principal da evolução 1990/2010. O Rafael disse que a causa foi a constituição de 88. Agora aparece um cara que diz que a causa foi o Lula. Eu digo que foi a China e o Malan.

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    Respostas
    1. Não nego que a China e as commodities foram importantes, tem um post anterior sobre isto. Mas quando você fala Malan acredito que estamos falando coisas bem parecidas, afinal Malan esteve a frente de várias reformas.

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    2. mmm.....também acho que a china e as commodities tiveram um papel importantissimo nesse " novo milagre brasileiro " ....mmmm....talves uma analise grafica da demanda chinesa por commodities em comparação com esses numeros do IDHM no periodo nos dê uma boa noção disso.....tai a dica.

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    3. Reconheço a importância das commodities, escrevi e falei sobre isto em outros lugares, segue o link para um post aqui mesmo no blog: http://rgellery.blogspot.com.br/2013/07/crescimento-do-pib-brasileiro-precos-e.html

      Mas crescimento via commodities não necessariamente leva a distribuição de renda e redução da pobreza, minha avaliação é que sem as reformas o crescimento não teria tido o mesmo efeito.

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    4. ok Beto....mas sem a china as reformas também por si só não teriam o mesmo efeito sobre o crescimento....rssss.....na verdade um dependeu do outro para este "novo milagre" brasileiro....vou dar uma lida no seu link sobre as commodities..valeu mesmo !

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  15. Robertão,
    Se o Rafael estivesse realmente interessado em se educar não teria sido tão arrogante e desrespeitoso.
    Frases do tipo:
    1. “Nossa, a desonestidade intelectual do autor desse texto é monstruosa”
    2. “Meu Deus... Não se faça de desentendido”
    3. “Mais uma vez, você recorre à desonestidade intelectual. Minha nossa.”
    4. “E o pior é que você insiste na estratégia da desonestidade intelectual.”
    5. “Desonestidade intelectual, desonestidade intelectual, desonestidade intelectual.”
    6. “Agora você baixou a guarda e dançou na minha frente”
    7. “Putz, você realmente perdeu o equilíbrio, rs.”
    8. “Enfim, você já se demonstrou incapaz de debater com argumentos honestos a realidade concreta, e ao se mostrar vencido pela verdade, você me obriga a me retirar desse debate.”
    9. Por medo do debate, por infantilidade e por sua tentação autoritária e antidemocrática, você quer que eu me cale.
    10. Mas tenha certeza: eu não me calarei, especialmente diante de quem tenta desonestamente confundir as pessoas, como você fez

    provam que ele está apenas provocando e não tem nada a dizer. A agressividade, arrogância e ignorância desse sujeito é uma coisa assustadora. Falou sobre o que não entende com um misto de arrogância e primitivismo. Rafael, economia é uma dona complexa demais até para os PhDs e pode ser estonteante quando estudamos pela primeira vez.
    O Roberto comenteu um erro ao achar que o você estava disposto a aprender.
    Rafael, você demonstrou que só se interessa por proselitismo ideológico.
    Tali e quali o Nassif...
    Abs,
    Manelim.

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  16. Roberto, acho que quando um comentário se vai como o Sr. Manelim bem colocou, você pode se dar ao direito de não responder, comentários agressivos e vazios se explicam em si só, o absoluto silêncio e desprezo cumprem o papel de desqualificar argumentos agressivos e mal formulados que tem a simples intenção de caluniar e difamar e colocar em questão a seriedade de quem escreve.

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