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Mostrando postagens de Julho, 2013

IDHM e as Reformas ou Nunca antes na história deste país...

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Com a divulgação do índice de desenvolvimento humano municipal brasileiro (IDHM) ganhamos mais um indicador do desempenho da economia brasileira pós-reformas. Depois de pelo menos quarenta anos de políticas desenvolvimentistas o Brasil resolveu dar uma oportunidade as reformas pró-mercado. Longe de ter sido uma escolha espontânea a opção pelas reformas foi tomada por falta de qualquer outra opção disponível após o colapso da estratégia desenvolvimentista na década de 1980. É importante ressaltar este ponto, pois ajuda a explicar a razão de não termos investido a fundo nas reformas, fizemos o mínimo de reformas necessárias para tirar a economia brasileira do atoleiro em que estava. Mas fizemos, e vinte anos depois é possível ver como este modesto ímpeto reformista mudou a economia brasileira.
A figura (tirada do Atlas de Desenvolvimento Humano Municipal Brasileiro) mostra o IDHM em 1991, 2000 e 2010. Temos um retrato dos municípios brasileiros no início das reformas, no meio e no fina…

Conversa com Marco Martins e uma Provocação sobre o Déficit da Previdência

Após publicar o post sobre o Impasse tive a satisfação de receber um retorno do Marco Martins (autor do texto original do Impasse a que me referi no post). Para minha sorte o mecanismo de comentários do blog estava com problemas e o Marco resolveu me mandar o comentário por e-mail, o que acabou por me propiciar a oportunidade de marcar uma conversa com ele para falarmos de economia brasileira. O comentário que ele mandou segue abaixo:

"Olá, Roberto, aqui é o Marco Antonio. Acabo de saborear seu post sobre o meu "Impasse",  fiquei muito agradecido e estimulado pelas suas palavras. Minha sensação é a de que ele traz muito mais perguntas do que respostas, perguntas que, se respondidas, poderiam ajudar a compreensão dos porquês das duas décadas perdidas e da falta de dinamismo da economia brasileira, sempre carente de um poderoso mercado interno, sempre refém dos preços das commodities. Quando escrevi o texto pensava que tudo se tratava de um grande erro de política econômi…

Indústria de Transformação e Renda do Trabalho no Governo Lula: O "X" da Questão.

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Análises de crescimento econômico devem ser feitas olhando o longo prazo e tomando cuidado para não confundir relações de longo prazo com relações de curto prazo entre variáveis. Infelizmente para fins de avaliar políticas é difícil escapar de análises de curto/médio prazo. Tome por exemplo alguém que queira avaliar a economia brasileira durante o governo Lula. Qualquer conclusão pode ser questionada a partir do fato que Lula governou durante um período de aumento dos preços das commodities. Infelizmente não podemos repetir as mesmas políticas de Lula em uma realidade alternativa onde o preço das commodities não subiu tanto. Esta impossibilidade de experimentos controlados é que torna as ciências sociais tão predispostas a debates inconclusivos. Claro que sei que existem várias técnicas para se realizar exercícios contrafactuais, ocorre que, para dizer o mínimo, são técnicas limitadas, principalmente quando o assunto é macroeconomia. Não temos milhares de países no mundo e só temos u…

O Mito da Indústria de Transformação

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Uma tese que está sempre presente a respeito da economia brasileira é que é preciso estimular a indústria de transformação para que ocorra crescimento de longo prazo na economia brasileira. O argumento é simples. A indústria de transformação é o setor dinâmico da economia. É na indústria de transformação que estariam os melhores salários e onde surgem as novas tecnologias. A indústria de transformação também teria um papel estratégico por ligar os outros setores da economia. Isto é verdade porque esta indústria de transformação demanda matéria prima da indústria extrativa e da agricultura e oferta bens industrializados para o setor de serviços.
A partir de meados do século XX a ideia de que para que ocorra crescimento é preciso fortalecer a indústria de transformação virou dogma. Com exceção de Eugenio Gudin todos os pensadores da economia brasileira em algum momento defenderam a necessidade de industrializar o Brasil a qualquer preço. Além das razões citadas acima dois motivos colab…

Mudanças Necessárias

"Productivity isn’t everything, but in the
long run it is almost everything. A
country’s ability to improve its standard
of living over time depends almost
entirely on its ability to raise its output
per worker"
Paul Krugman

A macroeconomia tem dois campos bem distintos: crescimento e flutuações. O primeiro tenta explicar como os países ficam ricos e a razão de existirem países ricos e pobres. O segundo tenta explicar mudanças no produto e emprego que ocorrem em períodos curtos.

No campo das flutuações existe muito pouco consenso. Alguns economistas acreditam que nada deve ser feito além de observar as flutuações acontecerem. Outros acreditam que o governo deve usar de políticas monetária e fiscal para amenizar as flutuações. Entre estas duas visões existe uma infinidade de opiniões sobre a combinação de políticas a ser usada para reduzir as flutuações do produto e do emprego.
No campo de crescimento econômico também existem visões diferentes, mas com menos conflitos e menos d…

Crescimento do PIB brasileiro, preços e PWT 8.0 ou a ingratidão brasileira com as commodities.

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Como o Brasil é um grande produtor de commodities a forte elevação nos preços destas mercadorias que marcou o começo do século XXI certamente afetou a economia brasileira. Pouca gente discorda disto, a questão é saber se o tamanho deste efeito e como a esta elevação de preços se espalha para economia. Apesar do efeito direto do aumento dos preços das commodities claramente aumentar o PIB é comum ler na imprensa textos de economistas reclamando deste fenômeno.
Existem duas reclamações básicas. A primeira trata do efeito inflacionário do aumento dos preços das commodities. É um argumento que não me impressiona, como os preços locais são medidos em reais é a política monetária brasileira que vai determinar a inflação no Brasil. O aumento de um conjunto de preços só vai se tornar inflação se a política monetária assim permitir. Isto significa que choques de oferta não afetam a inflação? Não. Em termos teóricos choques de oferta estão relacionados a deslocamentos da oferta agregada, por e…

Eike Batista recorre ao último refúgio

"Patriotism is the last refuge of the scoundrel."
Samuel Johnson


Li o artigo de Eike Batista em O Globo onde ele apresenta a própria versão para o naufrágio da OGX e o desempenho ruim de suas outras empresas. Antes de qualquer comentário gostaria de listar as seguinte passagens do artigo:

Título: "O Brasil como prioridade: ontem, hoje e sempre"

No segundo parágrafo: "Acabei por me tornar proprietário de minas em diversos países e decidi estabelecer-me em definitivo no Brasil e me desfazer das participações que detinha na área de mineração."

No décimo parágrafo: "Sou um otimista incorrigível em relação a meu país, a meus negócios e às pessoas que me cercam."

No décimo segundo parágrafo: "Estes últimos investimentos que efetuei tiveram como importante motivação contribuir para um Brasil mais competitivo, estruturado logisticamente e capaz de proporcionar um futuro melhor para o conjunto de sua população."

No décimo quarto parágrafo: "São e…

Conversa com Adolfo Sachsida

Meu amigo Adolfo Sachsida me mandou três perguntas para que eu respondesse no Blog. As duas primeiras parecem provocações (parece que meu período café-com-leite acabou), já manifestamos opiniões diferentes. A terceira é para provocar os outros, pois provavelmente pensamos de forma parecida. Vamos às perguntas:
1. Você andou postando que nenhuma ditadura te representa. Qual sua opinião sobre o golpe militar no Egito. Como o golpe no Egito pode ser comparado com o Golpe de 1964 no Brasil? Maldade pura, mas vou responder. De fato sou contra toda e qualquer ditadura, sou adepto da frase que costuma se atribuída a Churchill: “It has been said that democracy is the worst form of government except all the others that have been tried.. Dito isto é preciso pensar sobre como agir no caso de um governo democraticamente eleito tentar se utilizar das instituições democráticas para implantar uma ditadura. Existem vários exemplos: Hitler e seus Nazistas devem ser o mais famoso, mas Chávez e seus bo…

Conversa de Bar

Tinha pensado em comentar a debandada dos desenvolvimentistas. Depois que o governo fez tudo o que eles pediram e o resultado foi mais inflação e menor crescimento começou uma história de eu não tenho nada com isto que só não é engraçada pelos custos que o governo impôs a todos nós por seguir estes conselhos. Felizmente não tive tempo, Alexandre Schwartsman fez a crônica da debandada de forma muito melhor do que eu teria feito. Até a imagem que acompanha o texto foi perfeita. Para não passar batido deixo uma historinha que veio a minha mente por nenhuma razão que eu consiga perceber.
Primeiro ato Em uma tarde de quinta-feira em um campus qualquer. Amigo 1: Aquela menina do quarto semestre é muito gata, faria qualquer coisa para ficar com ela este final de semana. Amigo 2: Procurou o cara certo, conheço a menina. Ela gosta do tipo playboy, daqueles que esbanjam grana tipo música de funk ostentação. Amigo 1: Então estou fora, como você sabe sou meio nerd e o típico classe média sofre. …

Um novo impasse?

Marco Antonio Martins é uma referência para os economistas de minha geração que vivem em Brasília. PhD em Chicago e orientando de Robert Lucas, Marco Martins, apesar de ter publicado no JPE, preferiu não seguir carreira na academia. Fez sua carreira no IPEA e no Senado. Na virada dos anos 1970 para os anos 1980, Marco Martins protagonizou uma das mais importantes críticas à política desenvolvimentista de subsídios ao preço do Petróleo. Tive oportunidade de conversar com ele sobre este assunto e é impressionante a lucidez com que Marco Martins analisou e antecipou as conseqüências desastrosas de subsidiar um insumo fundamental como o Petróleo. O primeiro grande problemas foi a sinalização errada para a indústria e consumidores, estes não adotaram tecnologias poupadoras de energia por não terem recebidos os incentivos vindos dos preços. O segundo problema é o custo gigantesco dos subsídios, principalmente em um país importador de petróleo. Uma das provocações de Marco Martins é que a cr…

E o gasto público continua aumentando...

E continua o ajuste fiscal onde as despesas aumentam. A política fiscal é decisão do executivo e desde que executada dentro das leis é legitima. Óbvio que qualquer cidadão, inclusive economistas ortodoxos, tem direito de criticar a política fiscal ou qualquer política de estado, afinal estas políticas são feitas com o dinheiro dos cidadãos que pagam impostos. Até aí estamos no reino da democracia. Digo isto para que fique claro que reconheço o direito que o governo tem de expandir gastos quando entender que deve, mesmo que eu não aprove. Porém não reconheço o direito do governo mentir descaradamente para a população, ajuste fiscal implica em corte de gastos, se os gastos estão aumentando então não existe ajuste fiscal, muito pelo contrário, existe uma expansão fiscal. Mente o governo que anuncia ajustes enquanto aumenta os gastos e mentem ou se iludem analistas que analisam a economia brasileira como se estivesse ocorrendo um ajuste fiscal.

Capitalismo de Compadres na Prática

Mais um exemplo de como funciona o capitalismo de compadres. Além de emprestar a juros camaradas e aceitar ações como garantia (ações que viraram pó, diga-se de passagem) BNDES também adia prazos para pagamentos de dívidas das empresas de Eike Batista. Em outras bandas isto pode dar cadeia ou pelo menos exige uma explicação do banco público, por aqui fica o dia pelo não dito.

Somos todos Buendía

Em boa hora a Globo trás de volta a novela Saramandaia. Não estou me referindo a passeatas nem muito menos a plebiscitos de ocasião, me refiro ao realismo mágico como expressão de um pensar latino-americano e, portanto, brasileiro. Assim como a Macondo de Gabriel García Márquez a Bole-Bole de Dias Gomes não obedece às leis da física, da biologia, da química nem das ciências em geral. Matriarcas vivem 120 anos, homens têm asas, notícias se perdem da noite para o dia, moças pegam fogo, mortos voltam à vida e por aí vai. Por não obedecerem às leis naturais que valem no resto do mundo Macondo e Boloe-Bole precisam de regras próprias, são mundos em si mesmas. Desta forma a experiência do mundo de nada vale para estas duas cidades.
Vargas Llosa em uma série de crônicas e ensaios (vários estão no excelente Sabres e Utopias) já mostrou como o realismo mágico reflete características profundas de nuestra América. Assim como o mundo não tem quase nada a ensinar a Macondo ou Bole-Bole, o Brasil,…

Finalmente meu Blog

Depois de algum tempo no Facebook resolvi, graças a sugestões de vários amigos, fazer um blog. A ideia do blog é comentar as notícias relacionadas à economia e política com foco no Brasil e na América Latina e de vez em quando, sem periodicidade definida, fazer algumas análises mais profundas de temas relacionados ao crescimento econômico também com foco no Brasil na América Latina.
Como os amigos do Facebook e Twitter já devem ter percebido meu tempo nas redes sociais é dedicado a denunciar as artimanhas do populismo econômico, do dito desenvolvimentismo e de como estas ideias contribuíram e continuam contribuindo para a estagnação econômica de nuestra América. O populismo parte da ideia de que é possível agradar a determinados grupos sem que nenhum outro grupo pague a conta. Como isto é impossível acaba que a conta é cobrada dos grupos que menos podem se defender, via-de-regra os mais pobres. Assim em nome de uma pretensa defesa dos mais pobres os regimes populistas espalham a misé…