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Mostrando postagens de 2013

Comentários sobre Produtividade na Agenda do PSDB

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O PSDB lançou um programa de doze pontos onde apresenta proposta de uma nova agenda para o Brasil. Dentre os pontos o que mais me chamou atenção foi o que trata de uma agenda para a produtividade. Como estou entre os que acreditam que os maiores problemas do Brasil são a baixa produtividade e o baixo crescimento da produtividade é natural que este tenha sido o ponto a me chamar mais atenção. O texto que trata da produtividade segue abaixo.
10. A agenda da produtividade: infraestrutura, inovação e competitividade
O Brasil se tornou um país muito caro, onde é difícil produzir, investir e empreender. A produtividade de nossa economia encontra-se estagnada. As empresas brasileiras padecem de perda de competitividade e veem o mercado para seus produtos encolher cada vez mais, tanto aqui quanto no exterior. Desde a Era JK, a participação da nossa indústria de transformação no PIB não era tão baixa, evidenciando um indesejável processo de desindustrialização precoce da economia brasileira. A…

Participação no Expressão Nacional da TV Câmara

Vídeo com minha participação no Programa Expressão Nacional da TV Câmara de ontem, 17/12/2013, o tema foi "O que esperar da economia em 2014". Como de costume fiquei entre os pessimistas.




Em caso de problemas, o vídeo pode ser encontrado no enedereço: http://www2.camara.leg.br/camaranoticias/tv/materias/EXPRESSAO-NACIONAL/459457-O-QUE-ESPERAR-DA-ECONOMIA-EM-2014.html

Hoje a Liberdade é Vermelha

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Tenho muitas críticas a lei do presidente Mujica para liberar a maconha no Uruguai, o foco de minhas críticas é que o pesado controle estatal sobre a produção e a distribuição da erva pode levar a um racionamento que abriria espaço para manutenção do tráfico. Mas a reação da ONU a medida do Uruguai foi absurda, não é possível que uma organização que é complacente com genocídios e recebe ditadores com pompas reservadas a líderes de povos livres classifique o Uruguai de país pirata. Pirata é a ONU!
O Uruguai é uma nação independente e soberana que decidiu não mais participar de uma Guerra às Drogas que faz de toda a América Latina uma de suas maiores vítimas. Por conta desta guerra, e com a cegueira cúmplice da ONU, vários países de nosso continente são ameaçados pelo tráfico de drogas. As ameaças tomam várias formas: gastos absurdos para combater o tráfico, corrupção nas forças policiais, perda de controle de partes do território, presença de grupos paramilitares e, nos casos extremos,…

Tristeza não tem fim, felicidade sim.

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Teve quem visse os resultados do PIB no segundo semestre como um sinal de uma nova era de crescimento e/ou de que as mudanças na política econômica que foram implementadas no governo Dilma estavam corretas. A ideia é que estas políticas causariam uma queda do crescimento no primeiro momento, mas, na sequencia, a taxa de crescimento aumentaria em um padrão que lembra a letra J, primeiro cai e depois cresce. Infelizmente os que viram o crescimento do segundo semestre como a subida do J estavam errados, os números do terceiro semestre vieram de acordo com as projeções mais pessimistas. De fato a grande maioria dos analistas econômicos nunca comprou a história do J e previa uma retração do PIB, o que de fato correu.
Aparentemente o governo também não comprou a história do J, o fato é que de lá para cá (com uma ligeira pressão do povo nas ruas) o governo perdeu o ânimo inicial de mudar a política econômica. O Banco Central voltou a aumentar juros para combater a inflação, o que impediu o d…

Carta Aberta aos Ministros do STF

Senhores Ministros do STF,

Temos visto com preocupação alguns comentários, veiculados pela imprensa, a respeito do julgamento de ações relativas aos critérios de correção da poupança em antigos planos econômicos. Tais comentários sugerem que caso os poupadores ganhem a causa o país poderá enfrentar uma crise financeira de grandes proporções e que, por esta razão, o STF deveria julgar a favor da constitucionalidade de tais planos econômicos (e contra os poupadores).

Em primeiro lugar, devemos ressaltar que parte significativa dos avanços recentes em teoria do crescimento econômico aponta que instituições são fatores determinantes do sucesso de um país. Dentre estas instituições a justiça “cega” é certamente uma das mais importantes, uma justiça que “olha” quem vai ser prejudicado (ou beneficiado) antes de tomar decisões é mais prejudicial à economia do que uma crise financeira, por pior que sejam estas últimas.

Em segundo lugar, temos dúvidas em relação aos números que vemos na imprensa. …

Até quando esperar?

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Em um post anterior falei sobre a Penn World Table 8.0 e comentei que uma das novidades mais interessantes foi oferecer dois conceitos para o PIB: um deflacionado pelos preços do que compramos (rgdpe)  e outro deflacionado pelos preços do que produzimos (rgdpo). O primeiro pode ser visto como uma medida de bem-estar o segundo como uma medida de nossa produção. A razão entre estes dois conceitos de PIB pode ser interpretada de duas formas:  pode ser vista como a razão entre os preços do que produzimos a e os preços do que compramos (note que esta razão não equivale aos termos de troca, mas está relacionada) e pode ser vista como a razão entre nosso bem-estar e nossa capacidade de produção. Na primeira interpretação um aumento desta razão significa que o preço das coisas que produzimos está aumentando mais do que o preço das coisas que compramos, na segunda interpretação um aumento significa que nosso bem-estar está aumentando mais do que nossa produção. Hoje vou usar a primeira interp…

Mais dados, desta vez sobre pobreza.

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No post anterior falei sobre a distribuição da renda média dos países do mundo. Mostrei que pelos dados da Penn World Table não é possível falar que os países pobres foram os perdedores da globalização. A análise simples dos dados sugere o contrário, países pobres cresceram mais que países ricos. Neste post vou falar sobre pobreza. O fato de países pobres terem crescido mais que países ricos não implica em redução na pobreza mundial, é possível que a renda dos países pobres esteja se concentrando nas mãos dos mais ricos destes países. Neste caso o aumento da renda média não implica em aumento da renda dos mais pobres. Olhemos para os dados relativos a pobreza.
Como a Penn World Table não trata de pobreza desta vez os dados utilizados serão do Banco Mundial, especificamente da Poverty &Equity Data. Se é para falar de pobreza é melhor começar por onde o problema é mais grave: a África subsaariana. É comum ver na Internet ou em revistas e jornais estatísticas assustadoras a respeito…

Países pobres cada vez ficam mais pobres e países ricos cada vez ficam mais ricos... Será?

Se você é do tipo que acompanha conversas sobre economia e/ou política pela internet certamente você já leu algo do tipo: nos últimos cinquenta anos a globalização forçou que os países pobres abrissem suas economias e levou a um enriquecimento dos países ricos e ao empobrecimento dos países pobres. A depender do autor a afirmação pode vir com termos como neoliberalismo, mundialização ou financeirização no lugar de globalização ou podem aparecer temos como nova ordem mundial. Raramente os autores apresentam números que comprovem a afirmação, quando aparecem números são números incompletos e deslocados do contexto. Por exemplo: dizem que existem mais crianças passando fome hoje do que existiam tantas décadas atrás, mas não dizem a proporção de crianças passando fome. É um artifício rasteiro para induzir o leitor a aceitar uma tese. É lógico que com o aumento da população mundial existirão mais crianças com problemas, assim como existirão mais crianças saudáveis e bem alimentadas.
Reso…

De onde (não) vem o Crescimento Brasileiro?

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De uma maneira bem simplificada é possível dizer que a produção é realizada pela combinação de capital e trabalho. Entretanto com um pouco mais de reflexão é possível perceber que além da quantidade de trabalho e de capital utilizada na produção a forma como estes dois fatores são combinados também determina o total produzido. Para clarificar vou dar um exemplo que qualquer um que já entrou em uma cozinha deve conhecer. Suponha que eu que sou péssimo cozinheiro e um amigo meu que saiba cozinhar decidamos fazer uma feijoada. Ambos temos os mesmos equipamentos (fogão, panelas e outros instrumentos de cozinha), temos o mesmo tempo para cozinhar, digamos uma manhã de sábado, e também temos os mesmos ingredientes. Será que por usarmos a mesma quantidade de capital e as mesmas horas de trabalho teremos o mesmo produto no final da manhã. Provavelmente não. Meu amigo que sabe cozinhar deverá terminar a manhã com uma feijoada completa e ainda deve ter arranjado tempo para lavar o carro durante…

A História de duas Cidades

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Brasil e Chile são países com muitas diferenças e algumas semelhanças. Entre as semelhanças está o fato que os dois passaram por ditaduras militares durante as décadas de 1970 e 1980, no Brasil a ditadura começou em 1964 enquanto no Chile começou em 1973. Outra semelhança é que ambos estão localizados na América Latina, região do mundo onde mais se questiona o conhecimento econômico convencional e também, por pura coincidência, a única região do planeta onde a cultura ocidental não trouxe riqueza, mesmo com décadas de paz. Entre as diferenças está o fato que ao contrário da ditadura do Brasil e das outras ditaduras que assombraram o continente a ditadura chilena não apostou na economia mágica de inspiração cepalina. Neste ponto o Chile se diferencia de praticamente toda a América Latina.
No post anterior mostrei o que chamo de Desastre da América Latina no pós-Guerra. Desta vez vou falar um pouco sobre o Chile, o único país que não embarcou de cabeça na agenda cepalina e a grande exc…

O Desastre da América Latina no Pós-Guerra.

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A avaliação de políticas de crescimento econômico é sempre um exercício complicado. Além de exigir horizontes de tempo longos exige uma série de outros cuidados que torna o trabalho do avaliador quase impossível. Suponha que no início da década de 1950 um determinado país tenha implementado uma determinada política de crescimento e que após 60 anos este país continue pobre. É possível afirmar que a política falhou? Não.
Primeiro o avaliador teria de saber se a política foi interrompida. Depois é preciso saber se outras políticas foram utilizadas no país ou se algumas características do país fizeram com que a política não funcionasse. Existem várias técnicas econométricas para tratar destas questões, nenhuma é a prova de erros. Resta então a quem queira avaliar políticas de crescimento buscar o maior número possível de países na esperança de que se vários países adotaram políticas semelhantes com resultados semelhantes então o resultado é devido à política. Claro que este tipo abordag…

Mais uma Tese para queda da Participação da Indústria no PIB

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Esta semana foi muito corrida e não pude dar atenção ao blog, acontece. Porém entre viagens e esperas de reuniões consegui ler o Panoramada Indústria de Transformação Brasileira, recém lançado pela FIESP e um textodo José Oreiro e do Nelson Marconi sobre o que eles chamam de teses ortodoxas arespeito da desindustrizalização brasileira. O texto da FIESP é motivado pelo fenômeno ilustrado do Gráfico 1 do texto e que está reproduzido abaixo.



Fica bem claro que a participação da indústria de transformação no PIB está voltando aos níveis pré-JK. Também é possível observar que este fenômeno começou antes da abertura da economia, antes da estabilização macroeconômica com juros altos e câmbio valorizado e antes da Constituição de 1988. Sendo anterior a estes fenômenos, a prudência recomenda que explicações para queda da participação da indústria no PIB não dependam de nenhum destes fenômenos. Qual seria então a explicação para esta queda? Oreiro e Marconi citam dez teses que eles consideram …

O que está acontecendo com o câmbio?

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O gráfico abaixo mostra a taxa de câmbio entre real e dólar no Brasil de janeiro de 2008 até hoje, peguei a série na página de cotações do UOL. Pelo gráfico podemos ver dois momentos em que a taxa de câmbio passou de R$ 2,40 por dólar. O primeiro foi no final de 2008, durante a crise financeira, e o segundo foi semana passada. Qual a diferença entre os dois momentos? Olhando o gráfico com cuidado é possível ver que em 2008 a subida se deu de forma repentina, em menos de um mês o dólar passou de menos de R% 1,60 para mais de R$ 2,40. Este tipo de movimento brusco costuma ser causado por movimentos especulativos.



Por alguma razão o mercado começa a comprar dólar, em 2008 a razão foi a crise, e o preço do dólar começa a subir. Esta subida faz com que todo mundo corra para comprar dólares antes que fique ainda mais caro levando a um aumento repentino da demanda por dólares e uma redução da oferta de dólares, afinal quem tem dólar não quer vender se acredita que o preço vai subir. Em situ…

Sobre Médicos Cubanos e a Solução do Problema da Indústria Nacional

Acompanhando o caso da importação de médicos cubanos tive uma ideia que solucionará o problema da indústria no Brasil. Como já comentei em outros posts a participação da indústria no PIB tem caído desde pelos menos a década de 1980, isto preocupa alguns colegas economistas que acreditam que sem uma grande participação da indústria no PIB o país está fadado ao atraso. Não concordo com a tese destes economistas, quem companha o blog já deve ter percebido, mas não sou do tipo que se recusa a ajudar.
Segundo estes economistas que estão preocupados com a indústria, também chamados de desenvolvimentistas ou até novos-mercantilistas, nossa indústria não consegue competir com a do resto do mundo porque os custos em dólares de nossas indústrias são muito altos, em particular o custo do trabalho. Como reduzir salários é uma coisa difícil e, ainda segundo os desenvolvimentistas, para aumentar a produtividade é preciso ter muita indústria, o Brasil está em uma armadilha: a produtividade é baixa …

Salários da Indústria e o Motivo pelo qual Comemoram a Desvalorização do Real

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O gráfico abaixo mostra o salário real médio da indústria dividido pela taxa de câmbio efetiva das importações brasileiras. Grosso modo é uma medida de quanto ganham os trabalhadores da indústria brasileira a preços internacionais, esta variável aumento quando o salário sobre ou o real se valoriza e desce nos casos contrários. Quando a curva do gráfico está subindo significa que os trabalhadores da indústria brasileira estão ganhando mais em termos de moedas estrangeiras. Quanto mais alta a curva mais fácil é para os brasileiros comprar produtos importados ou viajar para o exterior.



Notem que com o Plano Real a curva começa a subir, ou seja, os trabalhadores da indústria brasileira começaram a ganhar mais. O colapso do controle de câmbio na virada de 1998 para 1999 levou a uma grande desvalorização do real que jogou a curva para baixo, ou seja, ficamos mais pobres. Durante o primeiro mandato de Lula a variável subiu quase que continuamente, no segundo só caiu durante a Crise Financeira…

Desembolsos do BNDES e Investimento: Mais um Diagnóstico Errado Induzindo um Tratamento Errado.

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Reportagem de O Globo informa que os desembolsos do BNDESpodem chegar a R$ 190 bilhões este ano. A se confirmar este número o BNDES terá aumentado seus desembolsos quase 22% em relação a 2012, no mesmo período o PIB deve crescer menos de 2%. O fato que os desembolsos do BNDES têm crescido de forma significativa nos últimos anos. A figura abaixo mostra os desembolsos do BNDES desde 1997. Entre 1997 e 2012 os desembolsos do BNDES aumentaram 716,75%, no mesmo período o PIB aumentou 368,78% e o investimento aumentou 389,59%, tudo em valores correntes. O resultado é que os desembolsos do BNDES passaram de 2,0% do PIB em 1997 para 3,5% em 2012, o valor máximo do período foi de 4,5% do PIB em 2010.



O discurso oficial é que é preciso estimular o investimento, o fato dos desembolsos do BNDES terem crescido muito mais do que o investimento sugere cautela com este discurso. Vou começar sendo extremamente favorável ao argumento do governo e supor que toda a variação no investimento é devida a var…

Liberdade e Desigualdade, o que dizem os dados?

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Uma das verdades estabelecidas na maioria dos debates sobre liberdade econômica é que quanto maior esta liberdade maior será a desigualdade entre os indivíduos. Sendo assim a perda de liberdade econômica seria o preço a se pagar para morar em uma sociedade sem muita desigualdade. Vários liberais sinceros respondem a esta critica com o argumento que importante é reduzir a pobreza, não à desigualdade. A liberdade econômica faria com que existisse mais riqueza e, mesmo mal distribuída, a existência de mais riqueza faria com que a pobreza diminuísse. Para reforçar esta tese são apresentadas várias evidências que países com maior liberdade econômica têm maior IDH.
A conversa então passa a ser uma discussão de valores. Uns dizem que desde que não existam grandes contingentes de miseráveis, desigualdade não é o problema. Afinal que mal tem se algum bilionário pode queimar milhões de dólares em frivolidades se na ponta de baixo as pessoas tem uma vida digna? Outros afirmam que igualdade é um…